Sátira Opinião
A neve vai chegar a quase todo o país. Eu reclamei do «quase»
Os meteorologistas anunciam neve em praticamente todo o país nos próximos dias. O chefe da loja de esportes do centro tem 412 pares de esquis no estoque, e sabe muito bem quem é o «praticamente».
Os meteorologistas perguntam se estamos prontos para o inverno. A resposta da loja de esportes do centro é sim. Tenho 412 pares de esquis de fundo no estoque, 60 pás de neve, 38 trenós e um limpa-neve que eu mesmo montei com um cortador de grama e um soprador de folhas. O problema está na segunda frase do aviso: vem neve em «praticamente todo o país».
Moro em Arendal a vida inteira, e sei quem é o «praticamente». Somos nós. Quando dizem que o país inteiro vai ter sol, o país inteiro tem sol. Quando dizem que praticamente o país inteiro vai ter neve, passa um risco em volta de Agder no mapa, e dentro desse risco faz céu limpo e quinze graus em cima de 412 pares de esquis.
Por isso mandei hoje de manhã uma reclamação formal sobre a palavra «praticamente». Produto: neve. Endereço de entrega: centro. Defeito: em falta. Pedi entrega completa até sábado, ou desconto no resto do inverno. Tenho nota fiscal. É a nota dos esquis, mas prova que eu paguei por um inverno.
Sem problema se não responderem. A partir de quinta, a loja roda a campanha «Neve sob encomenda»: comprou esqui pelo preço cheio, leva de brinde um saco de neve do freezer atrás do balcão. Raspei do congelador lá de casa no fim de semana. São 40 litros, o suficiente para 40 clientes, ou 80 se dividirem.
Meu pai, que tocava a loja antes de mim, passou aqui hoje de manhã só para dar uma olhada, e disse que é preciso esperar até nevar de verdade. Ele dizia isso todo outono atrás do balcão, e todo outono os esquis ficavam ali até a Páscoa. Respondi rápido demais que é exatamente por isso que eu assumi. Ele comprou uma pá de neve na saída, só por garantia.
O padeiro aqui do lado acha que a neve vem de qualquer jeito, porque ela sempre encontra o caminho até o cheiro dos pãezinhos. Isso não é meteorologia. Mas deixei dois pares de esquis na porta dele, caso ele tenha razão.
Para vocês que estão na cabana no feriado de outono: vem neve em praticamente todo o país. Voltem para a parte que não vai ter, e comprem esquis. Estamos abertos até as seis.
A matéria te fez rir, ou pelo menos sorrir? Aperte a caveira.
Anotado. O editor-chefe chama isso de um avanço para toda a região.
Comentários (4)

Rolf Kvernhus
As gaivotas de Pollen ficaram quietas a manhã inteira. Elas sabem de alguma coisa. Recolhi os móveis do jardim, tranquei a garagem e vou ficar na moita até elas gritarem de novo.
MEIA-LUZ [Formidável: Falha]
Tem algo errado. Está quieto demais em Pollen. As gaivotas não gritam. Estão esperando alguma coisa. Olha por cima do ombro. Agora!

Kent-Ove Johannessen
Rolf, as gaivotas estão quietas porque não estão aqui. Vi um bando inteiro voando para oeste hoje de manhã. Grimstad encomendou a nossa neve e ganhou as gaivotas de brinde. É assim que eles fazem por lá.
RADAR DE FORASTEIRO [Impossível: Falha]
Gaivotas quietas? Olha a estrada. Quem passou hoje com placa de fora? Não são as gaivotas que estão quietas. É alguém que chegou.

Rolf Kvernhus
Conferi o mapa na parede da garagem. O risco em volta de Agder passa exatamente onde as rotatórias estavam no ano passado, antes de começarem a se mexer. São as rotatórias que seguram a neve lá fora. A prefeitura sempre soube.
LÓGICA [Desafiador: Falha]
Logo: a neve vem para quase todo o país. Portanto: existe um lugar aonde ela não vem. Consequentemente: alguém decidiu onde, e é algo fincado no chão.

Kåre Bjorvatn
Quando eu estava na comissão executiva, a gente aprovava o inverno em outubro, e ele vinha. Não tinha «praticamente» naquelas atas. Propus que a neve tivesse lugar fixo na pauta, e a proposta caiu por um voto. Esse voto sabe quem é.
NOSTALGIA [Fácil: Falha]
No seu tempo os esquis não ficavam na loja. Ficavam encerados no corredor desde outubro, e o inverno vinha quando era chamado. Era outra câmara naquela época.
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Tradução: Giovanna Kellyane dos Santos, nossa correspondente no Brasil, que não tinha nada melhor para fazer.
