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Garotos de treze anos deixam ex-ídolo da seleção no banco

Um dos maiores heróis do handebol norueguês visitou na quinta um treino de base em Arendal. Nenhum dos jogadores sabia quem ele era, e depois do aquecimento ele recebeu ordem de sentar ao lado das garrafinhas de água até chegar a vez dele.

Por Rune «Rune» Aas · quinta-feira, 1 de outubro de 2026 às 17h08

Desenho de um homem alto e forte de agasalho sentado sozinho num banco ao lado de garrafas de água num ginásio, enquanto adolescentes jogam handebol ao fundo e uma goleira pequena aponta para ele, desconfiada.
O banco do ginásio é reservado para reservas, garrafinhas de água e pais que chegaram cedo demais. O convidado era os três. Ilustração: Gunnar Skravur. A tinta foi diluída com café (IA)

Foi um grande momento para o handebol norueguês, e passou bem quietinho. Às quatro e meia da tarde de quinta, um ex-ídolo da seleção entrou no ginásio com dois sacos de bolas e uma pasta de exercícios. Ele tinha sido convidado para inspirar os garotos de treze anos do clube. A primeira coisa que ouviu foi a goleira perguntando de quem ele era pai.

– De ninguém, respondeu ele, segundo várias testemunhas. – Então tem que esperar na arquibancada igual a todo mundo, disse a goleira.

O técnico, um pai voluntário que comanda o time há quatro temporadas e tem três cursos de treinador, também não reconheceu o visitante. Achou que era um pai novo que tinha errado o horário do aniversário, e deixou ele participar do aquecimento por educação. Ali o convidado logo se destacou, segundo o técnico.

– Ele tem um braço bom. Dá para ver que já jogou um pouquinho. Mas fica tempo demais parado no canto olhando pra gente, e o trabalho de pés a gente vai ter que melhorar. Temos uma filosofia neste grupo: todo mundo joga o mesmo tempo, não importa quantos jogos pela seleção tenha, diz o técnico.

O convidado tem mais de duzentos jogos pela seleção, medalhas em campeonatos e já foi eleito o melhor do mundo na sua posição. Isso veio à tona no intervalo, quando ele mostrou uma medalha para dois jogadores. Eles olharam para ela por um bom tempo.

– É da Norway Cup? perguntou um deles. – Não, disse o convidado. – Mesmo assim é bonita, disse o outro, e deu um tapinha no ombro dele.

O Prefeito passou no ginásio às cinco com um buquê de flores, um diploma emoldurado e um fotógrafo, para homenagear o convidado em nome da cidade. Depois de olhar em volta por um minuto, entregou as flores ao técnico, que até agora não sabe por quê. – Foi um momento muito bonito para todos nós, e fiquei muito emocionado com como ele parece jovem, disse o Prefeito a caminho da próxima inauguração. O convidado segurou a porta para ele.

Desenho do prefeito de casaca e colar de prefeito entregando um buquê e um diploma emoldurado a um técnico confuso de apito no pescoço, enquanto um fotógrafo registra a cena e o verdadeiro convidado segura a porta ao fundo.
A homenagem da cidade foi entregue às cinco. O técnico já pôs as flores na água e continua esperando uma explicação. Ilustração: Gunnar Skravur (IA)

Depois do aquecimento, o grupo foi dividido em dois para um jogo-treino. O convidado foi escolhido por último, depois de um menino que esqueceu o tênis e de uma menina que jogou de meia para mostrar solidariedade a ele. Ele jogou os últimos quatro minutos na ponta direita. Ali fez três gols, todos no que várias pessoas no ginásio descreveram como «um estilo meio antigo».

– Ele arremessa igual nos vídeos velhos do meu pai, disse um dos jogadores depois do jogo. – Ele pula muito alto, e aí cai no mesmo lugar. Não é assim que se faz hoje em dia.

Na arquibancada estavam onze pais. Um deles tinha certeza de que o convidado era o homem que veio ler o relógio de luz no ano passado; outro, que era um conhecido ex-ministro. Um terceiro tinha ele salvo no celular, mas como «Cara do handebol ginásio». Nenhum deles via um jogo da seleção desde que eles mesmos tinham treze anos, informam.

A noite terminou com o clube oferecendo ao convidado uma peneira. Ele pode voltar na terça, precisa levar bola e tênis próprios, e pode ganhar vaga no time a partir de janeiro se for a três treinos seguidos e um dos pais dele assinar a autodeclaração. A mensalidade é de 1.850 coroas por semestre, e ele já foi escalado para trabalhar na lanchonete do ginásio no sábado.

– Claro que estamos um pouco decepcionados por ele não ter sido titular, mas é um garoto com muito potencial, diz o técnico. – Dá para ver que ele já treinou bastante antes. Só precisamos tirar os vícios antigos.

O próprio convidado levou tudo numa boa. – Eles não sabem quem eu sou, disse ele ao Agderpesten enquanto empilhava os cones depois do treino, como o jogador mais novo sempre tem que fazer. Aí pensou um pouco. – Acho que no fundo é melhor assim. Agora posso começar do zero. Nunca fui reserva antes.

Desenho de um homem alto de agasalho com uma medalha no pescoço, ajoelhado num ginásio empilhando cones de treino, enquanto adolescentes saem com suas bolsas e um deles se vira e acena.
Os cones são empilhados pelo jogador mais novo do time. Ele empilhou em formação de campeonato e ouviu que era para fazer do jeito normal. Ilustração: Gunnar Skravur (IA)

Comentários (3)

  1. Randi Aanonsen @Tante_Tyholmen

    Se ele vai ficar na lanchonete no sábado, alguém precisa ensinar ele a usar a máquina de waffle. Já fiz uma lista. O primeiro mutirão é quinta, cada um traz a sua máquina. Sim, vale também para os meninos do futebol que entraram no ginásio errado.

  2. Svein Ragnar Kile @Elbil_siden_98

    1.850 coroas por semestre por mais de duzentos jogos pela seleção. Dá 9,25 por jogo, e isso sem contar as medalhas. É o jogador mais barato que o clube já contratou desde que alguém começou a contar. Assinem com ele antes que Kristiansand fique sabendo.

    1. Bjarne Hodnemyr @Autokorrekturen

      Svein Ragnar, você esqueceu que ele tem que levar a própria bola e tênis. Aí já não sai barato. E por que diz que ele aterrissou no mesmo lugar em que pulou? Todo mundo aterrissa assim. Acabei de testar na cozinha e caí em cima do cachorro. *banco. Caí em cima do banco. Não temos cachorro.

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Tradução: Giovanna Kellyane dos Santos, nossa correspondente no Brasil, que não tinha nada melhor para fazer.

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