Sátira Cultura
O sopro de folhas na Kanalplassen agora é financiado como arte
O orçamento de outono do departamento de parques acabou em setembro. Desde quarta-feira, os dois sopradores de folhas do centro funcionam com verba da cultura, e aí as regras para as folhas são outras.
Começou como manutenção. Virou obra. Depois que o departamento de parques gastou todo o orçamento de outono já em setembro, a prefeitura de Arendal transferiu o sopro de folhas na Kanalplassen, a praça do porto, para a rubrica «arte em espaço público». Formalmente, agora é uma instalação sonora site-specific para dois sopradores e uma folha.
Porque é uma folha só. Uma folha amarela de bordo, segundo a secretaria de cultura «claramente no seu tempo», que os dois sopradores mandam de um lado para o outro entre o chafariz e a beira do cais desde segunda-feira. Ela voltou na terça. Voltou na quarta. Hoje de manhã estava no mesmo lugar de segunda, e foi fotografada para o catálogo.
– Antes, a missão era tirar a folha dali. Agora, a missão é que a folha nunca suma de vez, diz um chefe de unidade do departamento de parques, que ganhou o título de artista performático no mesmo nível salarial que já tinha.
A mudança teve consequências. Pelas regras de arte em espaço público, a obra não pode ser removida sem decisão da câmara municipal. As folhas sopradas para debaixo dos bancos foram registradas como parte da instalação e estão no seguro. Um rastelo colocado na praça na terça foi recusado pelo curador contratado como «figurativo demais».
Já estive na Kanalplassen quatro vezes. É cru, visceral. Os sopradores se respondem como dois violoncelos numa sala sem teto, e a folha faz pausas que nenhum diretor conseguiria ensaiar. O momento em que ela pousa no sapato de um passageiro a caminho do ônibus e fica ali é a cena mais forte do outono em Arendal.
– Eu só ia pegar o ônibus, diz o passageiro, que agora consta no catálogo como «Homem com mochila, involuntário».
Nas férias de outono haverá visita guiada às onze e às duas, e uma sessão para a família no sábado. A assessoria de comunicação da prefeitura informa que entende que algumas pessoas sentem falta de uma praça varrida, mas que é cedo demais para dizer se a obra será permanente. O instituto de meteorologia prevê sol e pouco vento amanhã. O curador chama isso de um tempo de estreia desafiador.
A matéria te fez rir, ou pelo menos sorrir? Aperte a caveira.
Anotado. O editor-chefe chama isso de um avanço para toda a região.
Comentários (3)

Rolf Egil Syvertsen @Hilsen_fra_Spania
Aqui em Alfaz del Pi não tem folha, só palmeira, e elas se varrem sozinhas. A prefeitura paga um homem para molhar a calçada, e faz 27 graus. Com o câmbio de hoje, deve dar umas quatro mil coroas por folha lá em casa. Ou quatro coroas. Caro de qualquer jeito.

Glenn Ove Hansen @Selger_alt
Vende-se: rastelo, pouco usado (nunca), recusado por curador como «figurativo demais». Ideal para quem quer a praça varrida sem decisão da câmara municipal. 150 coroas ou troco por soprador de folhas. Respostas com a palavra «interessado».

Bjarne Hodnemyr @Autokorrekturen
Glenn Ove, a rapadura tem dentes dos dois lados? Não está no anúncio. E a folha da matéria é muito parecida com uma que eu tinha no quintal ano passado, com o mesmo corte na borda. Acho que ela se mudou para a cidade para virar artista. *o rastelo. Rastelo, não rapadura.
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Tradução: Giovanna Kellyane dos Santos, nossa correspondente no Brasil, que não tinha nada melhor para fazer.
