Agderpesten NO

Sátira Economia

Perguntamos ao oculista que saiu da rede sobre o futuro. A resposta foi «um ou dois»

Depois de vinte anos numa rede nacional, a empresa familiar da Havnegaten anda com as próprias pernas. O Agderpesten conseguiu uma entrevista exclusiva, feita da cadeira.

Por Torunn Vik-Hansen · quinta-feira, 1 de outubro de 2026 às 07h08

Uma jornalista com caderno está sentada numa cadeira de oculista atrás de um grande aparelho de lentes, enquanto um oculista de jaleco branco gira uma lente e aponta para uma tabela de letras na parede.
A editora de economia durante a entrevista. Fez onze perguntas e saiu com duas lentes novas. Ilustração: Gunnar Skravur (IA)

Não é todo dia que uma loja em Arendal diz não, obrigada, às sinergias. Esta que vos escreve chegou à Havnegaten na terça com três páginas de perguntas sobre estratégia, crescimento e cadeias de valor. O oculista me recebeu na porta, olhou meu rosto por mais ou menos meio segundo e apontou para a cadeira.

– Senta. A gente faz a entrevista daqui, disse o oculista, e baixou na frente do meu rosto um aparelho com mais lentes do que a rede tem lojas.

A primeira pergunta foi sobre a justificativa estratégica do rompimento. – Melhor com a um ou com a dois? respondeu o oculista. Eu disse dois. Foi anotado. A estratégia não foi detalhada.

Aí perguntei como a loja vai garantir ganhos de escala sem a rede. – Um ou dois? Eu disse um, porque o dois estava borrado. – Então estamos de acordo, disse o oculista. Reli minhas anotações muitas vezes desde então e ainda não sei sobre o que concordamos, mas pareceu um ganha-ganha.

A loja pensa em novas parcerias, uma aquisição, talvez abrir capital na bolsa? O oculista respondeu que o futuro, como tudo, fica mais nítido quando a gente não chega perto demais. Depois me pediram para ler a última linha da tabela. Lá estava escrito, até onde esta que vos escreve conseguia ver, «REDE FORA DE QUESTÃO». O oculista diz que está escrito outra coisa completamente diferente, e que é justamente por isso que precisamos falar sobre os meus óculos.

A rede informa num comunicado à imprensa que o rompimento acontece em pleno acordo e vai fortalecer as duas partes. Esta que vos escreve não tem motivo nenhum para duvidar, e registra que agora as duas partes têm uma loja a menos para discordar.

A entrevista durou quarenta e cinco minutos. Nunca saí de uma entrevista com menos respostas e enxergando melhor. A loja não tem planos de entrar em nada, mas recebe clientes novos com prazer, inclusive da editoria de economia. A próxima consulta está marcada para fevereiro. Aí vamos ver os números do trimestre, diz o oculista, ou a que distância do rosto eu seguro eles.

Comentários (3)

  1. Wenche Olsen (72) @Over_hekken

    Que coragem. Queria que mais gente tivesse peito de seguir carreira solo depois de vinte anos. Não por nenhum motivo especial, mas meu marido usa a mesma armação desde 2006, e eu comecei a me perguntar se o problema são os óculos ou ele.

  2. Ola Tveit @Sørlandsk_Stillhet

    Vai se ajeitar. Eu não vi isso chegando, mas raramente vejo alguma coisa sem os óculos, que estão no carro, que está em Stoa, em algum lugar atrás da padaria, acho, ou do lado do branco.

  3. Ordføreren @Saksa_i_innerlomma

    Em nome do município, parabenizo a rede pela nova loja na Havnegaten. Passo lá com prazer para cortar a fita.

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Tradução: Giovanna Kellyane dos Santos, nossa correspondente no Brasil, que não tinha nada melhor para fazer.

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