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Sátira Opinião

De quem são as cartas colecionáveis, do pai ou do filho? A resposta é sim

Um pai e um filho juntaram cartas no valor de centenas de milhares de coroas, e agora alguém precisa decidir de quem é a pasta. Nosso comentarista político pesou todos os lados e colocou cada um deles numa capinha de plástico.

Por Sindre Kvåle · sábado, 3 de outubro de 2026 às 19h05

Desenho de um pai robusto de bigode e um filho adolescente puxando cada um uma ponta de um álbum grosso sobre uma mesa de jantar cheia de álbuns. Ao fundo, a mãe come em pé na bancada da cozinha.
O novo cardápio da família. O jantar é servido na bancada, as pastas na mesa. Ilustração: Gunnar Skravur (IA)

O Agderposten conta neste sábado a história de um pai e um filho que passaram alguns anos colecionando cartas de monstrinhos de bolso e que hoje têm uma coleção que vale centenas de milhares de coroas. O caso levanta uma pergunta que esta coluna não pode deixar passar: afinal, de quem é a pasta?

O lado do pai é forte. Foi ele quem pagou os primeiros pacotinhos, ele quem dirigiu até a loja e ele quem ficou no quintal segurando uma capinha de plástico sobre cada carta quando começou a chover. Quem pagou tem direito. É um princípio que conhecemos tanto do direito de propriedade quanto da conta depois da festa de fim de ano da firma.

O lado do filho é igualmente forte. Foi ele quem sabia quais cartas eram raras, ele quem disse não quando o pai quis trocar a brilhante com um colega por um cachorro-quente, e ele quem passou as noites lendo tabelas de preço em vez de fazer a lição de casa. Quem tem o conhecimento tem direito. É um princípio que conhecemos do ramo da consultoria.

Existe ainda uma terceira visão, que raramente ganha espaço no debate: a de quem na família está jantando na bancada da cozinha desde que as pastas ganharam a mesa de jantar. Essa visão também merece respeito, e uma cadeira.

Tentei pesar os argumentos uns contra os outros. Para entender melhor o caso, procurei a minha própria coleção de infância, onze cartas e um chiclete, e dividi tudo de forma justa entre mim e eu mesmo aos dez anos. Não fechou a conta. O menino de dez anos queria todas as brilhantes, e eu entendo perfeitamente.

Alguns vão dizer que as cartas devem ser vendidas e o dinheiro dividido. Outros vão dizer que nunca devem ser vendidas, porque o valor só sobe. Os dois têm razão, pelo menos até o mercado dizer outra coisa, e aí os dois terão tido razão por muito tempo.

A conclusão, portanto, só pode ser que a pasta pertence ao pai e ao filho, em partes iguais, depois que os dois discordaram disso. Esta coluna não se posiciona além disso. Ela foi colocada numa capinha de plástico e agora está dentro da pasta, entre duas cartas que nenhum dos dois aceita trocar.

Comentários (3)

  1. Gamle Tralla @Eldst_av_alle

    Oi, você que está lendo isto em vez de arrumar o sótão. A sua pasta antiga continua lá em cima. Vai dar uma olhada, que eu canto enquanto você procura: tralalá, uma carta em cada capinha.

  2. Optikeren i Havnegaten @Skarpsynt_i_Havnegaten

    Li a coluna duas vezes, e a conclusão não ficou mais nítida. Sindre, melhor com o pai ou com o filho? Calma, não existe resposta errada. Só uma embaçada.

  3. Ola Tveit @Sørlandsk_Stillhet

    Belo hobby.

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Tradução: Giovanna Kellyane dos Santos, nossa correspondente no Brasil, que não tinha nada melhor para fazer.

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