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Clube leva 40 voluntários ao jogo da seleção como agradecimento: – Ninguém viu um único gol, mas a lanchonete deu lucro

O clube queria que os voluntários, pelo menos uma vez, sentassem e assistissem a uma partida de futebol. A diretoria subestimou o que muitos anos de mutirão fazem com uma pessoa.

Por Rune «Rune» Aas · segunda-feira, 28 de setembro de 2026 às 11h06

Voluntários de avental assumiram uma lanchonete de estádio: uma distribui senhas, um serve café, outro tira pãezinhos de canela de uma bolsa térmica, enquanto um segurança confuso observa. Atrás deles, uma fileira de assentos vazios com um casaco num deles.
A lanchonete no segundo tempo. O café nunca esteve tão quente, e nenhum funcionário do estádio conseguiu voltar para trás do balcão. Ilustração: Gunnar Skravur (desenhada às 3h14, a 11ª do dia) (IA)

Era para ser um agradecimento. Depois de uma temporada de turnos na lanchonete, bazar, rifa de bolo e controle de estacionamento debaixo de neve derretida, a diretoria de um clube esportivo de Arendal decidiu levar mais de 40 voluntários para ver a seleção jogar em Oslo. Ônibus, ingressos e cachorro-quente estavam pagos. A instrução era simples: eles não deviam fazer absolutamente nada.

– Repetimos várias vezes no ônibus. Hoje vocês são convidados. Vocês vão sentar, assistir futebol e aproveitar, diz o presidente do clube, que trabalha na lanchonete desde os sete anos. – Mas já dava para ver que alguns estavam inquietos em Grimstad.

Em Porsgrunn, três dos voluntários tinham começado a recolher lixo no corredor. Em Drammen já existia uma escala para o banheiro do ônibus, e uma tesoureira do handebol tinha vendido as xícaras de café de volta aos donos por dez coroas cada, «para o caixa do clube». Subindo a E18, a rodovia da costa, o ônibus passou pela caravana do ØIF que ainda caminha até Drammen, e o motorista teve de trancar as portas para impedir que quatro passageiros descessem para distribuir água.

O plano durou uns quinze minutos após a chegada. Foi quando uma das voluntárias percebeu que a fila da lanchonete mais próxima estava maior do que ela gostaria, e foi para trás do balcão. Ninguém no estádio sabe explicar como ela entrou.

Dentro de um ônibus antigo, o motorista segura a porta fechada enquanto quatro passageiros com jarras de água se espremem contra ela. Pela janela, uma longa fila de torcedores de cachecol caminha pela estrada, e uma mulher varre o corredor.
O ônibus passa pela caravana perto de Larvik. Desde então o motorista não soltou a alavanca da porta, por precaução. Ilustração: Gunnar Skravur (IA)

– Ela estava de avental. Quando alguém está de avental, a gente não pergunta, diz um segurança do estádio nacional.

Cinco minutos depois, a lanchonete estava totalmente ocupada por gente de Arendal. Tinham introduzido desconto para pagamento em dinheiro, pãezinhos de canela caseiros tirados de uma bolsa térmica que ninguém sabia que tinha vindo, e um sistema de senhas que os seguranças descrevem como «desconfortavelmente eficiente».

O resto do grupo se espalhou pelo estádio. Seis homens assumiram o estacionamento e orientaram o trânsito com coletes refletivos que tinham usado por baixo do paletó a viagem inteira. Quatro começaram a passar o rastelo atrás dos gols no intervalo. Um casal montou uma rifa na arquibancada, com uma cesta de frutas e um casaco de inverno pouco usado como prêmio principal.

– Já tivemos muitos voluntários aqui, mas nunca nenhum que não estivesse inscrito, diz um responsável pelos eventos do estádio. – Tentamos devolver os lugares a eles. Um deles nos pediu educadamente para sair da frente, porque estávamos bloqueando a cafeteira.

Este que vos escreve esteve presente como observador e pode confirmar que houve futebol. O placar a redação não conseguiu confirmar, já que nenhum dos 40 viu o jogo. O mais perto disso foi um voluntário que ouviu a torcida vibrar da lanchonete e perguntou se aquilo significava que precisavam de mais cachorro-quente. Significava. Provavelmente foi uma grande noite para o futebol norueguês.

Os 43 lugares pagos pelo clube ficaram vazios o jogo inteiro. Em um deles havia um casaco, deixado ali para guardar lugar para uma colega que ia fazer uma pausa. A pausa nunca veio.

– Claro que estamos um pouco decepcionados. A ideia era que eles descansassem, diz o presidente do clube. – Mas é preciso dizer que a lanchonete deu lucro. E eles insistiram que esse lucro fosse para nós.

Uma longa fileira de assentos vazios na arquibancada durante um jogo de futebol, com um casaco dobrado num dos assentos. No fim da fileira, um voluntário de avental espia por uma janelinha da lanchonete com uma bandeja de salsichas.
Os lugares do clube durante o jogo. O casaco no assento 14 continua guardando lugar. Ilustração: Gunnar Skravur (IA)

Os próprios voluntários levaram a viagem a sério demais. Vários acham que foi «demais» ganhar algo de graça, e marcaram um mutirão extra em outubro para pagar o ônibus de volta. A diretoria tentou impedir. Já existe uma escala para esse também.

Comentários (4)

  1. AFK_eller_ingenting

    Estava no mesmo jogo e fiquei vinte e cinco minutos na fila por um café. Se foram vocês que inventaram as senhas, me devem um pãozinho de canela. No mínimo.

    1. Amatørteatersjefen

      As senhas foram ideia minha, AFK. Dei a cada cliente um número e uma pequena fala para levar. Ninguém aplaudiu. O pãozinho de canela você não vai ganhar.

  2. MORMOR_PÅ_NETT

    OI QUERIDO. ENTÃO VOCÊ FOI VER FUTEBOL EM OSLO SEM LIGAR PARA A VOVÓ. EU TRABALHO NA RIFA DE BOLO HÁ 31 ANOS E NUNCA FUI NUMA EXCURSÃO DE ÔNIBUS. MAS TUDO BEM. ABRAÇO VOVÓ

  3. AFK_eller_ingenting

    Um clube que vai a Oslo num passeio de graça e volta com lucro. Não fale alto. O Jerv também lê o jornal.

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Tradução: Giovanna Kellyane dos Santos, nossa correspondente no Brasil, que não tinha nada melhor para fazer.

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