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A pesca da lagosta começa amanhã às oito – o Delegado esticou uma linha de largada no estreito de Tromøysundet e instituiu photochart

Vários milhares de pescadores amadores se inscreveram na temporada de lagosta deste ano. Para que todos tenham as mesmas condições, a largada este ano é como num páreo de turfe, e os barquinhos já estão posicionados atrás da linha.

Por Agderpestens nyhetsdesk · quarta-feira, 30 de setembro de 2026 às 13h07

Desenho de um estreito cheio de barquinhos com armadilhas de lagosta, todos com a proa virada para uma corda sobre a água. O Delegado está num barco a remo diante da corda, com um apito na boca e uma bicicleta no barco, enquanto um carteiro atravessa por cima dos barcos.
O grid de largada em Tromøysundet na tarde de quarta. O homem do caiaque está logo fora do quadro e reclamou do enquadramento. Ilustração: Gunnar Skravur (IA)

Às 8h desta quinta-feira começa a temporada de pesca da lagosta. Já na manhã de quarta, os primeiros barquinhos estavam com a proa encostada numa corda branca que o Delegado esticou de um lado a outro do estreito de Tromøysundet, de um cabeço de amarração em Tromøy até um poste de luz em Hisøy. Na hora do almoço os barcos estavam tão colados que um carteiro atravessou o estreito a pé, pisando de borda em borda, com a mochila nas costas.

– Ninguém passa da corda antes do apito. Quem tentar leva uma advertência verbal e tem que largar de novo lá de Merdø, diz o Delegado. Ele está num barco a remo no meio do grid de largada desde segunda-feira, com o apito na boca e a bicicleta amarrada em cima do banco.

Vários milhares de pescadores amadores se inscreveram este ano. Por isso o Delegado dividiu o pelotão em baterias por comprimento do barco, cavalos de potência e quantos anos a pessoa tem vaga fixa no mesmo píer. A última bateria é formada por um homem de caiaque que reclamou da divisão.

O esquema de largada surgiu depois que uma pesquisadora da estação de pesquisa marinha de Flødevigen pediu aos pescadores de lagosta que pensassem bem. Milhares se perdem todo ano, diz ela, e a parte dos pescadores amadores nessa conta precisa aparecer com mais clareza.

Apareceu. Na Kanalplassen agora há um quadro de três metros, onde dois voluntários da associação de moradores anotam o placar a giz, como numa noite de apuração de eleição. Na tarde de quarta o quadro mostrava zero lagostas, 3.412 armadilhas e 5.800 pescadores. Os números são lidos no alto-falante a cada quinze minutos, e toda vez o povo aplaude.

– O que estamos vendo agora é que há mais armadilhas do que lagostas no estreito. Há mais pescadores do que armadilhas. E desde as dez da manhã há mais espectadores do que pescadores, diz a pesquisadora, que está ao lado do quadro desde cedo com um café que esfriou faz tempo. – A lagosta é a única nessa história toda que não se inscreveu em nada.

Desenho de um grande quadro-negro numa praça, onde dois voluntários idosos em escadinhas marcam traços a giz. Uma multidão aplaude, um homem segura um megafone e uma mulher observa ao lado com uma xícara.
O placar na Kanalplassen às 15h. O público aplaudiu também quando um dos voluntários deixou o giz cair. Ilustração: Gunnar Skravur (IA)

O público trouxe cadeiras de praia, garrafas térmicas e binóculos. Uma aposentada em Tyholmen alugou a varanda para um grupo de pesca de Froland pelo resto da semana, e no estreito um rapaz de Hisøy vende lugares no próprio botinho para quem quer ver a largada da água. O botinho está lotado até 2028.

O Prefeito pediu para abrir a temporada. Isso gerou um certo atrito, porque o Delegado acha que largada com apito não precisa de fita.

– A pesca da lagosta é um sinal importante para toda a região, e uma temporada tem que ser aberta como se deve, diz o Prefeito. Ele ganhou permissão para cortar a corda no instante em que o apito soar, e passou a quarta inteira ensaiando no cais de Pollen com uma tesoura grande e solene e um rolo de barbante.

O Delegado não está convencido.

– A corda é a linha de largada. Se cortarem, não existe linha, e aí, em princípio, ninguém pode queimar a largada. É uma situação insustentável para a ordem no estreito, diz ele. No ano passado passaram quatro minutos entre o apito e a primeira armadilha tocar a água, porque os barcos estavam tão juntos que ninguém conseguia passá-la por cima da borda.

Desenho de um Prefeito sorridente, de colar de cerimônia, num cais cortando um barbante segurado por dois meninos, com pedaços cortados aos seus pés. O Delegado está num barco a remo atrás dele, de braços cruzados e com cara de desaprovação.
O Prefeito ensaia no cais de Pollen. Depois de três horas, já inaugurou uns quatro metros de barbante. Ilustração: Gunnar Skravur (IA)

Um photochart vai decidir quem pega a primeira lagosta do ano. A administração regional desencavou uma câmera de tripé do depósito da antiga estação de práticos da Guarda Costeira. Ela precisa de onze segundos de exposição, e o pescador vencedor tem que segurar a lagosta completamente parada.

Para onde vão as armadilhas depois é outra questão. Um mergulhador da administração do porto percorreu o fundo do estreito na quarta e informa que já dá para ir de Tromøy a Hisøy andando sobre armadilhas velhas, sem encostar na areia uma única vez.

O Delegado não vai pescar. Ele participa da temporada de lagosta há quarenta anos sem pegar uma única lagosta, porque todo ano fica na linha de largada vigiando os outros.

– A pesca não é o ponto. O ponto é que tudo aconteça na ordem certa, diz o Delegado, e sopra o apito de leve, só para testar.

Comentários (6)

  1. MORMOR_PÅ_NETT

    OI GENTE. PRECISAMOS FAZER UM MUTIRÃO PRA TIRAR TODAS AS ARMADILHAS DO FUNDO DEPOIS. EU LEVO CAFÉ MAS NÃO SEI MERGULHAR. ALGUÉM TEM UMA LISTA? BEIJOS VOVÓ

    1. Arendal4ever

      Nada de mutirão antes de sabermos quem forneceu a corda. Uma ponta está presa em Hisøy, e todo mundo sabe para que lado Hisøy olha.

  2. Hyttevertinna_Lyngør

    Deixei um colete salva-vidas extra no cais, mas não sei para quem é. Para o carteiro pulando de borda em borda, para o Prefeito com a tesoura, ou para aquela única lagosta que amanhã às oito vai ter 5.800 pessoas bem em cima da cabeça.

    1. Kvadraturkongen

      Na capital da região a lagosta chega já cozida no prato, no cais do peixe, às onze. Sem fita, sem apito, sem colete salva-vidas. É isso que chamamos de desenvolvimento.

  3. Seilern_Tromøy

    Sudoeste força 4 amanhã cedo. Tempo perfeito pra velejar. Não vou pescar lagosta, só pra constar.

  4. Amatørteatersjefen

    Apito, fita, tesoura, câmera de tripé e plateia nas varandas. Isso não é pesca de lagosta, é o segundo ato. Já garanti os direitos, e o papel da corda.

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Tradução: Giovanna Kellyane dos Santos, nossa correspondente no Brasil, que não tinha nada melhor para fazer.

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