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Sátira Política

Arendal reserva dinheiro para pequenos erros no orçamento do ano que vem, e cada secretaria poderá errar até quatro milhões

Depois que um município vizinho admitiu um pequeno erro de mais de quatro milhões de coroas, Arendal quer estar preparada. Agora os erros serão planejados, distribuídos e, de preferência, gastos até o fim do ano.

Por Sindre Kvåle · segunda-feira, 28 de setembro de 2026 às 21h05

Desenho de um escritório municipal em que um funcionário de colete distribui saquinhos de dinheiro a chefes de secretaria sentados a uma mesa comprida, enquanto outro funcionário, satisfeito, derrama tinta sobre um livro de registros aberto.
A secretaria técnica gasta os últimos erros do ano bem antes do prazo. Ilustração: Gunnar Skravur (IA)

Quando o prefeito de Evje og Hornnes, um município vizinho no interior, admitiu na segunda-feira que um «pequeno erro» havia custado ao município mais de quatro milhões de coroas, fez-se silêncio na prefeitura de Arendal. Não de choque, mas de cálculo.

– Se um erro pequeno custa quatro milhões, precisamos perguntar quanto custa um erro médio. E precisamos perguntar se isso está no orçamento. Não está, diz um assessor financeiro do município.

A diretoria municipal propõe por isso uma nova rubrica no orçamento de 2027: «Pequenos erros». Cada secretaria terá um teto de até quatro milhões de coroas para erros que ocorrerem ao longo do ano. Erros acima do teto terão de ser tratados politicamente, de preferência numa reunião em que os responsáveis tenham recebido os documentos a tempo.

O modelo já recebeu críticas de vários lados. A oposição acha o teto generoso demais, enquanto a secretaria técnica o considera irrealisticamente baixo para uma área responsável por água, ruas e estacionamento ao mesmo tempo.

– Não somos contra erros. Só queremos previsibilidade, diz um representante da oposição, que acrescentou que o próprio partido apresentou três propostas com erros de conta neste outono, «todas dentro do teto».

A maior preocupação da administração, porém, é o que acontece com os erros não utilizados. Pelas regras atuais, o dinheiro volta para o caixa na virada do ano, e vários gestores temem que as secretarias comecem a errar em dezembro só para não perder o teto.

Uma proposta de transferir os erros não utilizados para o ano seguinte foi rejeitada na segunda-feira pela comissão executiva. Mais tarde descobriu-se que a decisão foi registrada na ata errada. O custo está por enquanto estimado em 1,2 milhão, e foi lançado na rubrica correta.

Comentários (3)

  1. Båtplasskøen_2003

    Quatro milhões são cerca de 1600 anos de aluguel de vaga para um barquinho. Eu tenho três barquinhos. Dá 4800 anos, e isso sem contar o aumento da primavera.

  2. Tante_Tyholmen

    Tenho pena da secretaria que não conseguir cometer um único erro antes do Natal. Imagine ficar sentado lá entre o Natal e o Ano-Novo com quatro milhões e nada do que se arrepender.

    1. Kvadraturkongen

      Subúrbio encantador. Na nossa cidade pequenos erros se chamam orçamento de investimentos, e ele já está aprovado até 2040.

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Tradução: Giovanna Kellyane dos Santos, nossa correspondente no Brasil, que não tinha nada melhor para fazer.

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