Sátira ReportagemPolítica
Clube de vela na Champions League: Câmara de Grimstad já transformou o fiorde em estádio com 40.000 assentos flutuantes
A comissão executiva leu «Champions League» e parou de ler. Desde então, o clube de vela tenta explicar que precisa de vento, não de refletores.
A comissão executiva de Grimstad levou menos de uma hora entre a notícia chegar e a reunião extraordinária ser convocada. O Grimstad Seilforening, o clube de vela da cidade, tinha se classificado para a Champions League, e segundo a convocação «não havia tempo para descobrir o que isso significa».
O parecer técnico distribuído no início da reunião tem 212 páginas. Contém um plano urbanístico completo para um estádio com 40.000 assentos flutuantes no fiorde em frente ao centro, refletores montados nas boias, camarotes VIP em dois antigos barcos de pesca e um setor próprio para a torcida visitante numa ilhota. A palavra «vela» não aparece no documento.
– Tentamos explicar que velejamos, diz um porta-voz do clube. – A primeira pergunta que recebemos foi se velejamos em grama natural ou sintética. A segunda foi onde o goleiro vai ficar.
Como comentarista político, é meu papel ver a questão por todos os lados, e há bons argumentos dos dois. A favor de um estádio flutuante está o fato de Grimstad finalmente ter uma instalação que Kristiansand não tem. Contra, está o fato de que ele vai afundar. Os dois lados têm razão, e não cabe a mim escolher entre eles.
Mesmo assim, a administração se antecipou às objeções mais óbvias. As arquibancadas serão ancoradas com cordas do estoque de emergência do município, e o público vai receber remos caso a partida se prolongue. Um assessor do departamento de urbanismo confirma que é a primeira vez que o departamento desenha um estádio em que o campo é a única coisa que não precisa ser construída.
O aviso aos vizinhos já foi enviado. Foi para os donos de cabanas nas ilhotas, para uma balsa do arquipélago e, por um erro no cadastro de endereços, para todas as gaivotas do arquipélago. As gaivotas não responderam, mas segundo um observador estão sentadas no cais «de um jeito que se percebe como uma objeção».
O único protesto formal vem de uma associação de veranistas com membros de Oslo. Eles temem que 40.000 espectadores atrapalhem a vista para os barcos que eles mesmos ancoraram na frente da vista dos outros.
Em Arendal, a notícia foi recebida com o que o prefeito chama de «uma mistura natural de alegria e exigências». O prefeito enviou uma carta ao município vizinho afirmando que metade do fiorde pertence historicamente a Arendal, e que a cidade por isso conta com metade das partidas.
– É um sinal importante para toda a região, e isso levamos adiante, diz o prefeito, que segundo o gabinete estava a caminho de uma inauguração e atendeu o telefone saindo do carro. Arendal já pediu para levar a Copa do Mundo inteira para a Kanalplassen e ainda guarda as placas daquele pedido.
O financiamento foi resolvido à moda de Grimstad. Depois que o município na semana passada reivindicou direitos autorais sobre o sol, a administração agora propõe cobrar licença pelo vento que entra no fiorde. O clube de vela será assim o primeiro usuário a pagar por aquilo de que mais precisa.
– Entendemos que tudo tem um preço, diz o porta-voz do clube. – Só tínhamos esperança de que o vento fosse de graça, já que na maior parte vem da Dinamarca.
A Câmara aprovou o plano na segunda à noite por 26 votos a 0. Um vereador votou em branco depois de perguntar o que é vela e receber três respostas diferentes de três partidos diferentes.
Depois da reunião, o clube de vela informou que a fase final será disputada no exterior de qualquer forma, e que não há necessidade de instalação nenhuma em Grimstad. A comissão executiva tomou nota da informação e decidiu ao mesmo tempo realizar a abertura da temporada no novo estádio como planejado – sem barcos, já que é a alternativa mais barata.
Comentários (7)

Hyttevertinna_Hovden
Quarenta mil assentos na água. Se cada um precisar de roupa de cama e taxa de limpeza, dá 18 milhões na temporada antes de alguém ver um barco. Tenho cabana livre em Hovden a partir de sexta, com chave extra. Ela não flutua, mas o preço também não.

Båtplasskøen_2003
Aquela associação de veranistas de Oslo ancorou bem na vaga que devia ser minha. Estou vendo daqui. Reclamação enviada.

Sindre Kvåle Moderador
Obrigado pela contribuição. Verificamos, e é uma boia. Ela está, no entanto, registrada num endereço em Oslo, então você tem razão em todos os pontos.

Hekksaksen
As arquibancadas vão ser ancoradas com cordas do estoque de emergência. Qual espessura? Não diz. 212 páginas, e nem um milímetro.

Soppkongen
A corda sabe sozinha quão grossa deve ser, Hekksaksen. Quem decide é o fiorde, não o parecer técnico. E o vento não pretende pagar licença para ninguém.

Tidligere_varaordfører
Quando eu estava na comissão executiva, sempre líamos pelo menos duas palavras de um processo antes de regulamentar alguma coisa. Demorava mais, mas não precisávamos construir arquibancadas para uma regata. Eram tempos mais organizados.

Sindre Kvåle Moderador
Concordo totalmente. E sinto muito pelos barcos, que não vão participar da abertura da temporada. Deve ser duro ouvir os refletores sendo ligados de outro porto.
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Tradução: Giovanna Kellyane dos Santos, nossa correspondente no Brasil, que não tinha nada melhor para fazer.
