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Sátira Cultura

Padaria caseira em Strømsbu prolonga a temporada depois de sessões matinais lotadas

Uma padaria caseira de Arendal mudou em agosto para um novo palco em Strømsbu. O público é tanto que o horário foi ampliado. Nossa jornalista de cultura assistiu à primeira sessão de sexta-feira, em pé, junto à prateleira de pães.

Por Mona Lauvland · sexta-feira, 9 de outubro de 2026 às 13h10

Desenho: um padeiro de chapéu alto de padeiro e bigodão ergue uma bandeja de pães de canela de olhos fechados, diante das prateleiras de pão. Atrás de uma corda, clientes de boné, suéter de tricô, gravata-borboleta e chapéu assistem com devoção, um deles de cachimbo. Lá no fundo, um homem de boné e gola levantada come um pãozinho escondido.
A sessão matinal em Strømsbu. Os lugares em pé são de graça, mas espera-se que a pessoa compre algo no intervalo. Ilustração: Gunnar Skravur (IA)

Mudar um espetáculo de lugar é sempre uma ousadia. Uma padaria, como todo crítico sabe, é uma peça encenada toda manhã para o mesmo público, e esse público não gosta de ser mudado de lugar. Quando a padaria caseira desmontou os fornos em agosto e voltou a montá-los em Strømsbu, muita gente na plateia temeu que algo se perdesse na mudança.

O medo era infundado. Dois meses depois da estreia no novo palco, a padaria informa que a procura é tanta que a temporada foi prolongada nas duas pontas. A sessão da manhã começa mais cedo, e a da tarde vai até mais tarde. Isso normalmente só se vê nas grandes instituições, e quase nunca numa sala com cheiro de cardamomo.

A abertura é precisa. A luz se acende, a porta se abre, e a primeira bandeja de pães de canela entra com uma dignidade de cortejo real. Ninguém diz nada. Uma senhora com sacola de compras assentiu devagar, como quem assente quando a viola acerta uma passagem difícil.

A casca do pão ganhou nova acústica

É a sala nova que faz a diferença. O pé-direito em Strømsbu dá à casca fresca uma ressonância que o lugar antigo nunca teve, e lá do fundo, em pé, esta crítica conseguia ouvir cada fatia cortada de um pão integral do outro lado do balcão. Um senhor fechou os olhos durante o bico do pão e ficou assim até perguntarem se ele queria sacola.

Na plateia de sexta também estava o padeiro Tor-Ivar Hvetland, do centro, de chapéu e gola levantada. Comprou um pãozinho «para fins profissionais» e comeu em pé, de costas.

– Montagem sólida. A massa joga um pouco para a galera, mas cresce na hora que importa. Não dá para dizer isso de todo mundo, disse ele, e foi embora antes que alguém perguntasse de quem estava falando.

Não é uma noite perfeita no teatro. O último ato da tarde, quando as prateleiras se esvaziam, tem uma melancolia que nem todos aguentam. O último pão de centeio ficou sozinho por doze minutos até alguém levá-lo, e foi difícil de assistir.

Depois da última sessão, o padeiro ficou varrendo o chão com todas as luzes acesas. Ninguém foi embora. O público esperava um bis e ganhou meio pão pela metade do preço. Foi a melhor fala da noite.

Comentários (3)

  1. Anonym

    Li metade da matéria e saí correndo. Estou na porta agora. Não tem salsicha, mas tem pão, e pão é só um lompe que não desistiu.

    MEIA-LUZ [Fácil: Sucesso crítico]

    Tem cheiro. TEM CHEIRO DE COMIDA. Por que você ainda está sentado? Corre. Não tem salsicha lá, mas corre mesmo assim!

    1. Turid Solheim

      Anonym, não corra antes de fazer a conta. Meio pão pela metade do preço dá um quarto do preço, então compensa comprar quatro metades em vez de um inteiro. Preço assim eu não vejo desde o bazar de 1974.

      CAÇADOR DE PREÇOS [Desafiador: Falha]

      Meio pão, meio preço. Metade de metade é um quarto. Você economiza três quartos, Turid. Anota antes que alguém veja.

  2. Gerd Aanonsen

    O chapéu não enganou ninguém, Tor-Ivar. A irmã da minha cunhada estava logo atrás de você e te reconheceu pelo jeito de segurar o pãozinho. Você segurava como quem tinha feito ele.

    OLHAR DO VIZINHO [Fácil: Sucesso]

    Chapéu e gola levantada, numa padaria, numa sexta-feira. Todo mundo viu, Gerd. A única dúvida é quem vai falar primeiro.

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Tradução: Giovanna Kellyane dos Santos, nossa correspondente no Brasil, que não tinha nada melhor para fazer.

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