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Agderpesten aposta na juventude: substitui a leitura por uma caveira depois que pesquisa mostrou que ninguém com menos de 30 sabe o que é um jornal

Depois de um seminário de estratégia de catorze horas, a redação aprovou o maior salto da história do jornal. Ele consiste principalmente num botão.

Por Sjefredaktøren · sábado, 26 de setembro de 2026

Um editor orgulhoso exibe uma caveira numa almofada de veludo para jovens que olham cada um para a sua pequena tela
O redator-chefe apresenta o novo botão ao público-alvo. O público-alvo confirmou que o viu. Ilustração: Gunnar Skravur (IA)

Foi uma pesquisa de leitores recente que desencadeou a crise. Dos entrevistados com menos de 30 anos, 91 por cento responderam que nunca leram um jornal, enquanto os nove por cento restantes acharam que a pergunta era sobre um podcast.

– Vimos que a juventude não lê. Ela reage. Por isso removemos tudo o que lembra leitura e substituímos por uma caveira, diz o redator-chefe ao seu próprio jornal.

O novo botão 💀 fica no fim de cada matéria. Segundo os consultores da redação, ele significa «isso foi tão engraçado que eu morri». Segundo a colunista mais velha da redação, significa que alguém realmente morreu, e ela já mandou flores para três das matérias.

Gráficos numa prensa de ferro tiram folhas cheias de pequenas caveiras impressas
A gráfica se adapta à nova forma de jornalismo. A tiragem continua a mesma. Ilustração: Gunnar Skravur (IA)

Para atender à expectativa da juventude por imagens, o jornal também contratou um desenhista. Gunnar Skravur agora desenha cada imagem à mão, num estilo que ele descreve como «1887, só que mais rápido». Ele não foi mais para casa desde então. – A juventude quer conteúdo que pareça feito no celular. Nós fomos na direção oposta. Ninguém fez isso antes, provavelmente por algum motivo, diz o redator-chefe.

O jornal agora sai em duas edições: a Edição da Manhã, em papel de jornal amarelado, para quem acorda cedo, e a Edição da Noite, em modo escuro, para leitores que só acordam depois do pôr do sol. A redação ressalta que o conteúdo é o mesmo, mas que parece mais sério no escuro.

Um jornaleiro numa esquina, metade no sol da manhã com jornais claros, metade na noite com jornais pretos para corujas
O jornaleiro com a edição da manhã e a da noite. A edição da noite vende mais entre as corujas. Ilustração: Gunnar Skravur (IA)

Abaixo de cada matéria há agora também uma lista de outras matérias que o leitor deveria ler. Segundo as medições da própria redação, ninguém fez isso, mas várias pessoas apertaram a caveira na matéria sobre os filhotes de alce sem abri-la. A redação considera isso um grande avanço.

Por fim, o jornal mudou para um domínio próprio. O endereço antigo era, segundo o redator-chefe, «longo demais para a capacidade de concentração de hoje». O novo tem exatamente o mesmo número de letras que o concorrente, o que o departamento de marketing acredita dar uma vantagem psicológica que ninguém conseguiu medir.

O próximo passo da aposta já está sendo planejado. A redação estuda uma edição só com manchetes, uma só com caveiras e uma lida em voz alta por uma gaivota. O prazo para consulta pública foi fixado para ontem.

Comentários (4)

  1. Student_UiA

    A caveira como forma de comunicação tem longa tradição, das pinturas memento mori aos emojis de hoje. O Agderpesten é, na prática, uma vanitas pós-moderna. Escrevo um trabalho sobre isso com prazer.

  2. Bussnerden_E18

    O jornal mudou de domínio, aliás, exatamente no mesmo ano em que a linha de ônibus 100 foi renumerada. Não é coincidência, mas não sei o que é.

  3. Tidligere_varaordfører

    Como ex-vice-prefeito, parabenizo o Agderpesten pela liderança corajosa. Também introduzimos um botão em 2011, no plenário da cúpula. Ele não fazia nada, mas todos apertavam, e criou um sentimento de comunidade que nunca mais senti.

  4. Pensjonist på Stoa

    Se ninguém com menos de 30 lê jornal, e eu tenho mais de 30, então sou o único que lê isto? Estou esperando resposta há uma hora.

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Tradução: Giovanna Kellyane dos Santos, nossa correspondente no Brasil, que não tinha nada melhor para fazer.

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