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Sátira Economia

Loja que não conseguiu vender nada comemora zero reclamações

Uma rede de eletrônicos juntou na quinta-feira duas lojas em Sørlandsparken numa só loja gigante, e centenas de pessoas fizeram fila na inauguração. Pouco depois, os caixas pararam de funcionar. A diretoria nunca teve um dia tão bom.

Por Torunn Vik-Hansen · quinta-feira, 8 de outubro de 2026 às 17h07

Desenho de uma loja lotada: um vendedor de óculos redondos e bigodinho abre os braços ao lado de uma caixa registradora com a gaveta meio aberta. Atrás dele, clientes sorridentes seguram televisores por cima do balcão, um homem de roupa de trabalho enfia a cabeça numa máquina de lavar, e um casal bem-vestido sai contente com a carteira na mão.
O dia da inauguração em Sørlandsparken. Segundo a rede, é a primeira clientela da história do setor que não se arrependeu de nada. Ilustração: Gunnar Skravur (IA)

As portas abriram às dez. Às dez e quinze, a primeira televisão foi colocada no balcão; às dez e vinte, foi tirada de lá. O sistema de pagamento tinha travado, e pelo resto do dia de inauguração a loja virou um lugar onde dava pra olhar tudo, pegar em tudo e não levar nada pra casa.

A fusão entregou exatamente a sinergia que o setor tanto esperava: duas lojas que não vendem nada viraram uma.

– Analisamos os números, e eles são históricos – diz um diretor regional da rede. – Zero reclamações. Zero trocas. Ninguém voltou com uma cafeteira grande demais pra bancada. Nunca tivemos uma clientela tão satisfeita.

Segundo a rede, ao longo do dia foram exibidos 1.400 televisores, 300 aspiradores de pó e uma máquina de lavar, que um aposentado de Tvedestrand abriu e fechou durante quarenta minutos. Ele foi embora sem ela e disse na saída que foi a melhor máquina de lavar que ele nunca teve.

Setenta quilômetros para continuar com o dinheiro

Muita gente veio de Arendal. Um casal de Stoa reservou a manhã inteira, ficou quarenta e cinco minutos na fila e pôde apalpar um notebook que nunca pensou em comprar.

– Tivemos tudo o que viemos buscar – diz a esposa. – E ainda estamos com o dinheiro.

Um memorando interno, datado de quinta-feira às 14h30, propõe tornar o dia de inauguração permanente: a loja vira uma exposição, com entrada gratuita e um café onde a maquininha de cartão também não funciona. O memorando descreve o conceito como «comércio sem arrependimento». No centro de Arendal, Olav Knekke já respondeu.

– No sábado eu desligo a maquininha das dez às duas e chamo de reinauguração. Não inauguramos nada novo, mas temos uma maquininha, não tem problema nenhum.

Na quinta à noite, o sistema de pagamento voltou. A primeira transação, informa a rede, foi uma devolução: uma extensão elétrica comprada em 2019 numa das duas lojas que não existem mais.

Comentários (4)

  1. Optikeren i Havnegaten

    Depois de vinte anos numa rede, posso confirmar que o melhor dia numa loja é o dia em que ninguém compra nada errado. O casal de Stoa enxergou melhor do que muita gente na quinta.

    CALMA SULISTA [Fácil: Sucesso]

    Calma. Duas pessoas ficaram quarenta e cinco minutos na fila, olharam um computador e foram pra casa com o dinheiro. Isso não é tragédia. É um bom dia. Diga isso com calma.

    1. Randi Marie

      Vou de ônibus amanhã cedo. Um café onde o cartão não funciona é a melhor oferta de Sørlandsparken desde que abriram. O oculista tem razão, aliás. Ele é o filho daquela que tinha a loja de tecidos em Langbrygga, e ela também nunca vendeu nada no dia da inauguração.

      ELETROQUÍMICA [Formidável: Sucesso crítico]

      Psiu. O café onde a maquininha não funciona. Café de graça, Randi. Você sobe escada há oitenta anos. Merece uma xícara por conta da rede – e mais uma.

      1. Tor-Ivar Hvetland

        Randi, café de graça não é promoção. É um pedido de socorro. Café sem pão doce é água quente com ambição, e aquele café nem forno tem. Não estou preocupado. Pra provar, aumentei meu café em duas coroas.

        LEI DE JANTE [Desafiador: Falha]

        Quem eles pensam que são, com café de graça? Um café sem forno. Isso não é ameaça. Mostre que você não liga – aumente o preço.

  2. Tom-Erik Haugen

    1.400 televisores enfileirados e ninguém pôde comprar. Isso não é inauguração de loja, é uma final sem votação. Twelve points pra máquina de lavar. Encomendei pela internet a maior tela que achei hoje à noite, pra Ståle e eu vermos a inauguração em reprise. Ståle disse «hm». Quer dizer «onde é que isso vai ficar».

    ELETROQUÍMICA [Impossível: Falha]

    Mil e quatrocentas telas, Tom-Erik. Todas acesas. Você só precisa de uma – a maior – e de um cartão que funcione. Hoje. Agora.

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Tradução: Giovanna Kellyane dos Santos, nossa correspondente no Brasil, que não tinha nada melhor para fazer.

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