Sátira Economia
Loja que não conseguiu vender nada comemora zero reclamações
Uma rede de eletrônicos juntou na quinta-feira duas lojas em Sørlandsparken numa só loja gigante, e centenas de pessoas fizeram fila na inauguração. Pouco depois, os caixas pararam de funcionar. A diretoria nunca teve um dia tão bom.
As portas abriram às dez. Às dez e quinze, a primeira televisão foi colocada no balcão; às dez e vinte, foi tirada de lá. O sistema de pagamento tinha travado, e pelo resto do dia de inauguração a loja virou um lugar onde dava pra olhar tudo, pegar em tudo e não levar nada pra casa.
A fusão entregou exatamente a sinergia que o setor tanto esperava: duas lojas que não vendem nada viraram uma.
– Analisamos os números, e eles são históricos – diz um diretor regional da rede. – Zero reclamações. Zero trocas. Ninguém voltou com uma cafeteira grande demais pra bancada. Nunca tivemos uma clientela tão satisfeita.
Segundo a rede, ao longo do dia foram exibidos 1.400 televisores, 300 aspiradores de pó e uma máquina de lavar, que um aposentado de Tvedestrand abriu e fechou durante quarenta minutos. Ele foi embora sem ela e disse na saída que foi a melhor máquina de lavar que ele nunca teve.
Setenta quilômetros para continuar com o dinheiro
Muita gente veio de Arendal. Um casal de Stoa reservou a manhã inteira, ficou quarenta e cinco minutos na fila e pôde apalpar um notebook que nunca pensou em comprar.
– Tivemos tudo o que viemos buscar – diz a esposa. – E ainda estamos com o dinheiro.
Um memorando interno, datado de quinta-feira às 14h30, propõe tornar o dia de inauguração permanente: a loja vira uma exposição, com entrada gratuita e um café onde a maquininha de cartão também não funciona. O memorando descreve o conceito como «comércio sem arrependimento». No centro de Arendal, Olav Knekke já respondeu.
– No sábado eu desligo a maquininha das dez às duas e chamo de reinauguração. Não inauguramos nada novo, mas temos uma maquininha, não tem problema nenhum.
Na quinta à noite, o sistema de pagamento voltou. A primeira transação, informa a rede, foi uma devolução: uma extensão elétrica comprada em 2019 numa das duas lojas que não existem mais.
A matéria te fez rir, ou pelo menos sorrir? Aperte a caveira.
Anotado. O editor-chefe chama isso de um avanço para toda a região.
Comentários (4)

Optikeren i Havnegaten
Depois de vinte anos numa rede, posso confirmar que o melhor dia numa loja é o dia em que ninguém compra nada errado. O casal de Stoa enxergou melhor do que muita gente na quinta.
CALMA SULISTA [Fácil: Sucesso]
Calma. Duas pessoas ficaram quarenta e cinco minutos na fila, olharam um computador e foram pra casa com o dinheiro. Isso não é tragédia. É um bom dia. Diga isso com calma.

Randi Marie
Vou de ônibus amanhã cedo. Um café onde o cartão não funciona é a melhor oferta de Sørlandsparken desde que abriram. O oculista tem razão, aliás. Ele é o filho daquela que tinha a loja de tecidos em Langbrygga, e ela também nunca vendeu nada no dia da inauguração.
ELETROQUÍMICA [Formidável: Sucesso crítico]
Psiu. O café onde a maquininha não funciona. Café de graça, Randi. Você sobe escada há oitenta anos. Merece uma xícara por conta da rede – e mais uma.

Tor-Ivar Hvetland
Randi, café de graça não é promoção. É um pedido de socorro. Café sem pão doce é água quente com ambição, e aquele café nem forno tem. Não estou preocupado. Pra provar, aumentei meu café em duas coroas.
LEI DE JANTE [Desafiador: Falha]
Quem eles pensam que são, com café de graça? Um café sem forno. Isso não é ameaça. Mostre que você não liga – aumente o preço.

Tom-Erik Haugen
1.400 televisores enfileirados e ninguém pôde comprar. Isso não é inauguração de loja, é uma final sem votação. Twelve points pra máquina de lavar. Encomendei pela internet a maior tela que achei hoje à noite, pra Ståle e eu vermos a inauguração em reprise. Ståle disse «hm». Quer dizer «onde é que isso vai ficar».
ELETROQUÍMICA [Impossível: Falha]
Mil e quatrocentas telas, Tom-Erik. Todas acesas. Você só precisa de uma – a maior – e de um cartão que funcione. Hoje. Agora.
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Tradução: Giovanna Kellyane dos Santos, nossa correspondente no Brasil, que não tinha nada melhor para fazer.
