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Sátira Cultura

O orçamento nacional virou novela, e Arendal ficou nos bastidores

O governo apresenta o orçamento nacional na quarta, mas vem soltando tudo em capítulos há mais de uma semana. Nossa jornalista de cultura fez a crítica dos vazamentos e acompanhou o público na recepção da prefeitura, esperando a cidade ganhar uma fala.

Por Mona Lauvland · terça-feira, 6 de outubro de 2026 às 11h06

Desenho de um pequeno grupo com copos de papel olhando para uma tela na parede, onde um homem sorridente aparece numa escadaria. Ao fundo, uma mulher de chapéu segura uma pilha de folhas.
A recepção da prefeitura na segunda. O público viu todos os capítulos e ainda espera a sua própria fala. Ilustração: Gunnar Skravur. O pedido de férias está em análise (IA)

O governo apresenta o orçamento nacional na quarta. Mesmo assim, a peça está sendo exibida em capítulos há mais de uma semana: toda manhã um ministério solta uma cena para a imprensa, um bilhão aqui, uma reforma ali, e o público já viu quase tudo antes de a cortina subir. A que vos escreve nunca fez a crítica de uma obra cujo enredo já é conhecido e cuja estreia é mera formalidade. Por isso, fiz a crítica dos vazamentos.

A forma é crua, visceral. Cada capítulo é curto, chega sem aviso e termina com um ministro sorrindo numa escadaria. É folhetim no sentido clássico, como os jornais de antigamente publicavam romances em pedaços para vender o número seguinte. O fato de quem vaza e quem deveria guardar o segredo serem a mesma pessoa dá à obra uma duplicidade que raramente vi num palco de Arendal.

O público está envolvido. Na recepção da prefeitura há uma telinha que mostra cada novo vazamento. Na segunda, doze pessoas estavam diante dela, com café em copo de papel e de casaco. Esperavam uma coisa só: que Arendal ganhasse uma fala.

Não aconteceu. A cidade é a figurante silenciosa da peça, presente em todas as cenas e nunca mencionada. Li tudo com lupa. A palavra «as regiões» aparece uma vez, numa oração subordinada. Um aposentado diante da tela achou que era a gente. Outro achou que era Grimstad, e foi para casa.

– A prefeitura acompanha os vazamentos de perto e vai comentar o orçamento quando ele terminar de vazar, diz a Assessoria de Comunicação, parada atrás do público desde sexta com um comunicado pronto cujo título está em branco.

Em Kristiansand, dizem, ganharam duas falas e um monólogo curto. Isso diz mais sobre a direção do que sobre nós. Papel grande não é o mesmo que papel bom, e ninguém jamais foi a Kristiansand pelos diálogos.

Nota cinco. O grande golpe vem na quarta, quando o orçamento for apresentado e não houver mais nada para apresentar. A prefeitura reservou a primeira fila inteira mesmo assim, caso Arendal apareça no bis.

Comentários (4)

  1. Abdirahman Warsame

    Irmão, tô nem aí pro orçamento. O navio real não aparece em Pollen desde junho, e ninguém na prefeitura botou uma telinha sobre isso.

    AUTORIDADE [Trivial: Sucesso]

    Você não fica na fila por um orçamento, soldado. Você fica em POLLEN. O navio real não manda notícia há três semanas. DESCUBRA POR QUÊ.

  2. Vibeke Lund-Aasen

    A cena da escadaria é um teste aberto, Mona. Já mandei ao ministério um pedido para montar os vazamentos na casa de oração, comigo de ministro e o coral fazendo a imprensa. Estreia quinta.

    DRAMA [Médio: Falha]

    (Pausa dramática. Ela se levanta na plateia.) Senhora, um ministro sorrindo numa escadaria não é um final – é um convite. Eles querem uma montagem local. Ligue para eles.

  3. Frøydis Aasland

    Doze pessoas esperando Oslo dizer o nosso nome. Isso diz mais sobre nós do que sobre o orçamento. Só pra constar.

    LEI DE JANTE [Fácil: Sucesso]

    Doze adultos na frente de uma tela. Quem eles pensam que são? Quem essa cidade pensa que é?

  4. Gerd Aanonsen

    Eu sei quem eram quatro dos doze, e dois são meus parentes. O que foi pra casa achando que era Grimstad é um cunhado. Ele sempre foi assim.

    OLHAR DO VIZINHO [Médio: Sucesso]

    Quem estava lá, afinal? Doze pessoas. Você conhece pelo menos oito. Diga antes que alguém diga.

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Tradução: Giovanna Kellyane dos Santos, nossa correspondente no Brasil, que não tinha nada melhor para fazer.

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