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Sátira Esporte

Torcida do ØIF chega a Drammen três dias depois do jogo – o zelador do ginásio jogou a partida de novo para eles, fazendo os dois times sozinho

Centenas de moradores de Arendal saíram a pé de Pollen no domingo para ver o jogo fora de casa. Chegaram na quarta de manhã, e um homem com um balde de faxina salvou a viagem.

Por Rune «Rune» Aas · quarta-feira, 30 de setembro de 2026 às 09h05

Um zelador de jaleco e boina se atira em direção a um gol de handebol vazio com a bola na mão, enquanto torcedores com cachecóis, garrafa térmica e bandeira vibram nas arquibancadas. Um esfregão e um balde estão na lateral.
A revanche em Drammen. O zelador foi eleito o melhor em quadra pelos dois times, mas teve de dividir o prêmio consigo mesmo. Ilustração: Gunnar Skravur (IA)

O cortejo que saiu a pé de Pollen no domingo para acompanhar o jogo do ØIF, o time de handebol de Arendal, contra o Drammen chegou ao ginásio às sete e dez da manhã desta quarta. O jogo foi no domingo à noite. O time já estava em casa, em Arendal, antes de o cortejo passar por Tvedestrand.

– A gente sabia que ia ser apertado. Só não imaginava que eles iam começar sem a gente, diz o capitão, que continua carregando a bandeira e já furou dois pares de meias de lã e um mapa rodoviário.

O zelador do ginásio, que chegou cedo para passar pano no chão, encontrou umas duzentas pessoas cantando na escadaria. Depois de uma conversa rápida, destrancou a porta, acendeu as luzes e jogou a partida inteira de novo para eles – sozinho, pelos dois times, seguindo a crônica do jornal local.

– Nesse trabalho a gente aprende um pouco de tudo. Os tiros de sete metros eu bati dos dois lados, e não defendi nenhum. Não seria justo, diz o zelador.

A revanche terminou exatamente com o mesmo placar de domingo, já que o zelador seguiu a crônica à risca. A torcida vibrou a cada gol de Arendal e vaiou ritmadamente toda vez que ele trocava de lado para jogar pelo Drammen. Ele acenou educadamente de volta, das duas vezes.

Aí veio a questão da volta. Uma minoria queria ficar em Drammen até o próximo jogo fora de casa aqui, para, pelo menos uma vez, chegar cedo. A maioria venceu: o cortejo volta a pé para o próximo jogo em casa, com uma margem que o capitão define como «realista, mas apertada».

A associação de barcos lá de casa, que ainda quer o mastro de volta, mandou uma carta educada no domingo. Na segunda veio um lembrete, na terça uma cobrança registrada. Na terça à tarde a diretoria saiu a pé de Langbryggen para buscar o mastro pessoalmente. Ontem à noite estavam em Kragerø, com vinte homens, duas garrafas térmicas e um capitão próprio.

– A gente se encontra no meio do caminho em algum lugar, diz o capitão da associação de barcos. O cortejo prometeu acenar com o mastro.

Comentários (4)

  1. Dugnadsgeneralen

    Só quero lembrar que ninguém pediu autorização para usar Pollen como ponto de partida de um cortejo. Da próxima vez espero um requerimento. Em três vias, entregue antes da partida.

    1. Bjørg Terkelsen

      No meu tempo os jogos só começavam quando todo mundo tinha chegado. Dava para ir a pé até Drammen em paz. E Pollen nunca foi seu, era meio do meu pai, ele tinha um bote lá.

  2. Student_UiA

    O que esse cortejo faz se chama cultura torcedora assíncrona. Escrevi sobre isso num trabalho de semestre ano passado (Student_UiA, inédito). O zelador seria, então, o primeiro agente de sincronização conhecido de Agder.

  3. Elbil_siden_98

    Uns 440 quilômetros ida e volta sem pagar uma coroa de pedágio, sem passagem de balsa e sem um único quilowatt-hora. O cortejo tem mais autonomia que metade do estacionamento de Stoa, e recarrega com café.

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Tradução: Giovanna Kellyane dos Santos, nossa correspondente no Brasil, que não tinha nada melhor para fazer.

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