Sátira ReportagemEsporte
Arendal Fotball pode perder quinze jogadores e procura novo técnico – a vaga exige que o candidato traga o próprio time
O clube está sem técnico e, em breve, sem um time inteiro. A diretoria achou uma solução só para as duas coisas, e a arquibancada nunca esteve tão cheia numa terça-feira.
O Arendal Fotball, o time da cidade na segunda divisão, procura há semanas um novo técnico. Ao mesmo tempo, os contratos de quinze jogadores estão terminando, e alguém no clube fez as contas: são quatro a mais do que o necessário para montar um time. A diretoria decidiu tapar os dois buracos com o mesmo esparadrapo.
O anúncio da vaga, pregado no mural da sede na terça de manhã, procura um técnico «com boas referências, licença de treinador e no mínimo onze jogadores». Goleiro é desejável, mas não obrigatório. Banco de reservas conta ponto.
– Muitos técnicos chegam aqui com uma filosofia. A gente prefere que cheguem com um zagueiro, diz um membro da diretoria, encarregado de contar os candidatos e o que eles trouxeram.
O clube faz questão de dizer que os jogadores que podem sair ainda não saíram. Estão no que a diretoria chama de «fase de esclarecimento», o que na prática significa treinar com a mochila nas costas. No treino de terça, três deles foram vistos fazendo tiros na direção do estacionamento, e um só voltou depois de abastecer o carro.
O primeiro candidato chegou antes do almoço, numa van vinda de Froland, um município vizinho no interior. Trouxe um time inteiro de veteranos, que aqueceu no estacionamento enquanto ele fazia a entrevista. A média de idade é 54 anos.
– Talvez não tenham mais velocidade. Mas nunca perderam uma discussão no vestiário, e é lá que o jogo se decide, disse o candidato, enquanto um dos seus jogadores alongava apoiado num mastro de bandeira.
O segundo veio de Vegårshei com onze jogadores, todos parentes entre si. O time pode jogar a qualquer hora, com uma condição: as vacas já têm que estar ordenhadas. A diretoria anotou isso como «uma solução flexível com horário fixo».
O terceiro veio de Kristiansand, a cidade grande da região, e trouxe só uma prancheta tática. Segundo ele, os jogadores estavam «logo ali na esquina», e ele pediu para começar a entrevista sem eles. Pediram que esperasse no corredor. Os jogadores não vieram, mas ele ganhou café, e na hora de fechar era o único candidato que tinha recebido alguma coisa do clube.
Este que vos escreve acompanha o clube há muitas temporadas e nunca viu tanto jogador na sede numa terça-feira comum. A arquibancada também nunca esteve tão cheia. Estão lá três times inteiros, um goleiro que se candidatou sozinho e uma tia que veio dirigindo, esperando a vez. É, com todo o respeito, o maior público de um treino na história do clube. Que nenhum deles vá jogar é um detalhe.
– Se der certo, podemos sair disso com mais jogadores do que tínhamos. Esse é o pensamento ofensivo. O defensivo é que vamos precisar de um vestiário por técnico, diz o membro da diretoria.
No fim da tarde de terça chegou a quinta candidatura. Vinha assinada pelos quinze jogadores que estão para sair. Eles se candidatam juntos à vaga e anexaram a si mesmos como time.
– Se o clube quer ficar com a gente, vai ter que contratar a gente. Pensamos nisso há tempos, diz um dos jogadores. Perguntado sobre qual deles vai ser o técnico, ele responde que vão revezar, do mesmo jeito que revezam quem senta na frente no ônibus.
A diretoria admite que a candidatura é forte. Cumpre a exigência com quatro jogadores de sobra, e os candidatos já conhecem bem o clube. O problema é que os quinze, se forem contratados como técnico, não podem mais ser jogadores. E aí o clube perde os quinze do mesmo jeito.
O caso será tratado na reunião da diretoria na quinta. Seja qual for o resultado, o clube conta com pelo menos um time inteiro no vestiário na próxima temporada. Só não está claro, por enquanto, de quem.
Comentários (5)

Seilern_Tromøy
Quinze saindo, três times na arquibancada. Uma hora se ajeita.

Soppkongen
Os veteranos alongaram num mastro de pinheiro. O pinheiro já sabe quem vai ficar com a vaga.

MORMOR_PÅ_NETT
OI QUERIDO. NO MEU TEMPO SÓ TINHA UM TIME E ERA O DO PAPAI. NÃO ESQUECE O GORRO NO TREINO. BEIJOS DA VOVÓ

JervTilJegDør
Três times na arquibancada e nenhuma lanchonete. Tô indo aí agora com garrafa térmica e um saco de pão doce. Talvez chore um pouco no carro.

AFK_eller_ingenting
Torcedor do Jerv com pão doce na nossa arquibancada. Tá bom. Traz o suficiente pra quinze, eles treinam com a mochila nas costas há três semanas sem pausa pro lanche.
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Tradução: Giovanna Kellyane dos Santos, nossa correspondente no Brasil, que não tinha nada melhor para fazer.
