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Arendal Fotball pode perder quinze jogadores e procura novo técnico – a vaga exige que o candidato traga o próprio time

O clube está sem técnico e, em breve, sem um time inteiro. A diretoria achou uma solução só para as duas coisas, e a arquibancada nunca esteve tão cheia numa terça-feira.

Por Rune «Rune» Aas · terça-feira, 29 de setembro de 2026 às 21h07

Um diretor careca, sentado a uma mesinha, entrevista um candidato a técnico de boina, enquanto um time inteiro de futebol com uniformes antigos se espreme na porta atrás deles.
A entrevista durou vinte minutos. Contar o time na porta levou quarenta. Ilustração: Gunnar Skravur (IA)

O Arendal Fotball, o time da cidade na segunda divisão, procura há semanas um novo técnico. Ao mesmo tempo, os contratos de quinze jogadores estão terminando, e alguém no clube fez as contas: são quatro a mais do que o necessário para montar um time. A diretoria decidiu tapar os dois buracos com o mesmo esparadrapo.

O anúncio da vaga, pregado no mural da sede na terça de manhã, procura um técnico «com boas referências, licença de treinador e no mínimo onze jogadores». Goleiro é desejável, mas não obrigatório. Banco de reservas conta ponto.

– Muitos técnicos chegam aqui com uma filosofia. A gente prefere que cheguem com um zagueiro, diz um membro da diretoria, encarregado de contar os candidatos e o que eles trouxeram.

O clube faz questão de dizer que os jogadores que podem sair ainda não saíram. Estão no que a diretoria chama de «fase de esclarecimento», o que na prática significa treinar com a mochila nas costas. No treino de terça, três deles foram vistos fazendo tiros na direção do estacionamento, e um só voltou depois de abastecer o carro.

O primeiro candidato chegou antes do almoço, numa van vinda de Froland, um município vizinho no interior. Trouxe um time inteiro de veteranos, que aqueceu no estacionamento enquanto ele fazia a entrevista. A média de idade é 54 anos.

– Talvez não tenham mais velocidade. Mas nunca perderam uma discussão no vestiário, e é lá que o jogo se decide, disse o candidato, enquanto um dos seus jogadores alongava apoiado num mastro de bandeira.

Quatro jogadores idosos aquecem num terreno de cascalho entre carros antigos e um ônibus; um alonga a perna num mastro, outro corre com cachimbo na boca, enquanto um diretor careca observa da janela.
Os veteranos de Froland aquecem no estacionamento. O cachimbo foi convocado. Ilustração: Gunnar Skravur (IA)

O segundo veio de Vegårshei com onze jogadores, todos parentes entre si. O time pode jogar a qualquer hora, com uma condição: as vacas já têm que estar ordenhadas. A diretoria anotou isso como «uma solução flexível com horário fixo».

O terceiro veio de Kristiansand, a cidade grande da região, e trouxe só uma prancheta tática. Segundo ele, os jogadores estavam «logo ali na esquina», e ele pediu para começar a entrevista sem eles. Pediram que esperasse no corredor. Os jogadores não vieram, mas ele ganhou café, e na hora de fechar era o único candidato que tinha recebido alguma coisa do clube.

Este que vos escreve acompanha o clube há muitas temporadas e nunca viu tanto jogador na sede numa terça-feira comum. A arquibancada também nunca esteve tão cheia. Estão lá três times inteiros, um goleiro que se candidatou sozinho e uma tia que veio dirigindo, esperando a vez. É, com todo o respeito, o maior público de um treino na história do clube. Que nenhum deles vá jogar é um detalhe.

– Se der certo, podemos sair disso com mais jogadores do que tínhamos. Esse é o pensamento ofensivo. O defensivo é que vamos precisar de um vestiário por técnico, diz o membro da diretoria.

No fim da tarde de terça chegou a quinta candidatura. Vinha assinada pelos quinze jogadores que estão para sair. Eles se candidatam juntos à vaga e anexaram a si mesmos como time.

– Se o clube quer ficar com a gente, vai ter que contratar a gente. Pensamos nisso há tempos, diz um dos jogadores. Perguntado sobre qual deles vai ser o técnico, ele responde que vão revezar, do mesmo jeito que revezam quem senta na frente no ônibus.

Um diretor careca segura uma carta de candidatura com muitas assinaturas, enquanto quinze jovens jogadores com mochilas levantam a mão ao mesmo tempo.
Os candidatos compareceram completos, de mochila nas costas, caso desse errado. Ilustração: Gunnar Skravur (IA)

A diretoria admite que a candidatura é forte. Cumpre a exigência com quatro jogadores de sobra, e os candidatos já conhecem bem o clube. O problema é que os quinze, se forem contratados como técnico, não podem mais ser jogadores. E aí o clube perde os quinze do mesmo jeito.

O caso será tratado na reunião da diretoria na quinta. Seja qual for o resultado, o clube conta com pelo menos um time inteiro no vestiário na próxima temporada. Só não está claro, por enquanto, de quem.

Comentários (5)

  1. Seilern_Tromøy

    Quinze saindo, três times na arquibancada. Uma hora se ajeita.

    1. Soppkongen

      Os veteranos alongaram num mastro de pinheiro. O pinheiro já sabe quem vai ficar com a vaga.

  2. MORMOR_PÅ_NETT

    OI QUERIDO. NO MEU TEMPO SÓ TINHA UM TIME E ERA O DO PAPAI. NÃO ESQUECE O GORRO NO TREINO. BEIJOS DA VOVÓ

  3. JervTilJegDør

    Três times na arquibancada e nenhuma lanchonete. Tô indo aí agora com garrafa térmica e um saco de pão doce. Talvez chore um pouco no carro.

    1. AFK_eller_ingenting

      Torcedor do Jerv com pão doce na nossa arquibancada. Tá bom. Traz o suficiente pra quinze, eles treinam com a mochila nas costas há três semanas sem pausa pro lanche.

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Tradução: Giovanna Kellyane dos Santos, nossa correspondente no Brasil, que não tinha nada melhor para fazer.

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