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Sátira Cultura

Biblioteca proíbe um livro para poder participar da semana dos livros proibidos

A biblioteca de Arendal queria marcar a semana internacional dos livros proibidos, mas não achou nenhum livro que já tivesse sido proibido na cidade. Então proibiu um por conta própria.

Por Mona Lauvland · segunda-feira, 5 de outubro de 2026 às 07h09

Desenho de uma mulher de boina e luvas brancas lendo encantada um livro grosso encadernado numa mesa, enquanto uma bibliotecária severa de óculos fica atrás dela de braços cruzados, com um relógio de bolso. Pelo vidro da porta, cinco ou seis rostos curiosos se espremem para olhar.
Sala de leitura, segunda de manhã. A leitora teve vinte minutos com o capítulo das vagas de estacionamento e pediu prorrogação. Ilustração: Gunnar Skravur (IA)

Foi um outono difícil para a literatura em Arendal. Quando a biblioteca se inscreveu na semana dos livros proibidos, os funcionários reviraram o acervo inteiro atrás de um título proibido localmente. O resultado foi desanimador. Nenhum livro jamais foi proibido em Arendal. O mais perto disso foi um livro de receitas tirado da vitrine em 1987 porque a capa tinha descolado.

– É vergonhoso estar numa lista internacional só com livros permitidos. Éramos o único participante sem nada para mostrar, diz uma bibliotecária que está no balcão há vinte e um anos.

A solução foi proibir um. Depois de uma reunião a portas fechadas na sala de leitura, a escolha caiu sobre o plano de zoneamento do centro da prefeitura, segunda parte – segundo a biblioteca, a única obra do acervo que ninguém pegou emprestado por vontade própria desde que chegou.

A proibição entrou em vigor na segunda às dez da manhã. Às dez e quinze o plano foi procurado pela primeira vez. Antes do almoço, quatro adultos tinham ido ao balcão pedir para vê-lo «só porque não pode», e uma aluna do ensino médio avisou que vai fazer o trabalho de conclusão sobre ele.

A que vos escreve pôde ler um exemplar numa sala fechada, sob vigilância, de luvas. É um texto cru, visceral. O capítulo sobre o número mínimo de vagas de estacionamento tem uma secura que bate direto no estômago, e as regras sobre cor de fachada na página 214 estão entre as coisas mais provocadoras escritas no sul da Noruega neste século. Nota seis, em parte porque eu não podia.

A prefeitura está menos animada. O assessor de comunicação informa que o plano é um documento público que todos têm direito de ler, e que a prefeitura «compreende o engajamento». Ao mesmo tempo, lamenta que o documento público agora tenha lista de reserva até o fim de fevereiro.

A biblioteca já recebeu um pedido informal da prefeitura para proibir o orçamento do ano que vem. – Estamos avaliando. É a primeira vez que alguém na prefeitura quer que o orçamento seja lido, diz a bibliotecária.

Comentários (4)

  1. Tor Egil Knutsen

    Nunca li nada que a prefeitura fez, mas agora que é proibido estou na lista de reserva. Número 31. Mesma sensação de quando fecharam a arquibancada de pé: nunca deu tanta vontade de ficar de pé.

    ELETROQUÍMICA [Fácil: Sucesso]

    Proibido, você diz. Dá aquele frio na barriga, né? Você precisa desse plano. Agora. Com uma cerveja do lado.

  2. Ragnhild Omdal

    MARQUEI HORÁRIO PARA LER O PLANO DE LUVAS. PEGUEI AS BRANCAS DA CRISMA DO ERIK. PRIMEIRA VEZ QUE VOU NA BIBLIOTECA DESDE QUE MUDARAM DE LUGAR. BEIJOS VOVÓ

    DRAMA [Trivial: Sucesso]

    (Pausa dramática.) Luvas, minha senhora. Uma sala fechada. Vigilância. Esta é a sua cena, e a senhora esperou por ela a vida inteira.

    1. Erik Omdal (10)

      Vovó, as luvas brancas são minhas. Vou alugá-las na entrada da biblioteca a partir de amanhã, 40 coroas por mão. Você acabou de revelar meu plano de negócios num canal público. Declaro esta discussão inválida. E não vem até o aluguel, eu disse para os outros que tenho quinze anos.

      RETÓRICA [Formidável: Falha crítica]

      Ela te deu a brecha. De quem são as luvas? Suas. Fala, ganha agora.

  3. Anonym

    A única coisa proibida na biblioteca desde que eu me conheço por gente é comida na sala de leitura. Se querem uma coisa proibida para a semana, é só me deixar sentar lá com uma salsicha na lompe. Faço de graça.

    ELETROQUÍMICA [Trivial: Sucesso]

    Fruto proibido, meu amigo. E o que é proibido de verdade numa sala de leitura? Comida. Imagina uma salsicha na lompe entre a página 213 e a 214.

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Tradução: Giovanna Kellyane dos Santos, nossa correspondente no Brasil, que não tinha nada melhor para fazer.

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