Sátira Cultura
Patrimônio histórico libera dança country em Tyholmen, mas só com chapéu de caubói pintado de branco
A música country ganhou uma nova primavera entre os jovens do sul da Noruega, e na sexta à noite encheu Tyholmen de botas, line dance e yee-haw. O bairro é tombado, e isso vale para tudo que fica parado nele.
É raro um gênero musical abrir um novo capítulo num lugar onde nada pode mudar. Na sexta à noite aconteceu em Tyholmen, o bairro de casinhas antigas de madeira de Arendal: uma banda country comemorou música nova em frente aos casarões, e centenas de jovens apareceram de botas, botões de madrepérola e chapéus tão largos que faziam sombra no plano de tombamento.
O conservador do patrimônio da prefeitura tinha aprovado o evento com uma única condição: tudo que fica parado em Tyholmen por mais de três minutos passa a fazer parte do conjunto arquitetônico. Isso inclui os chapéus.
– Não temos nada contra o country. Temos algo contra superfícies marrons num ambiente branco, disse o conservador, que ficou na beira do palco com uma cartela de cores e uma trena.
Os chapéus foram pintados na entrada, do lado de Pollen, com duas demãos de tinta a óleo de linhaça, por dois estagiários de verão do setor de patrimônio que tiveram o contrato estendido até o fim das férias de outono. As botas escaparam depois que os saltos foram medidos e ficaram abaixo da altura da cornija.
O line dance precisou de licença especial. As fileiras têm que seguir o alinhamento original das casas, e ninguém pode botar o pé para fora. Quando a banda tocou o single novo e 186 dançarinos deram o mesmo passo para a direita, a fileira inteira passou três centímetros da linha. O conservador parou a música e pediu que todos dessem o passo de volta.
– Foi exatamente aí que a coisa engrenou, diz uma dançarina de botas cor-de-rosa. – É a primeira vez que eu sinto que a música pertence a algum lugar.
O grito de «yee-haw» foi aprovado com a condição de ser pronunciado com a entonação do sul da Noruega, o que na prática transforma o grito numa pergunta. Já ouvi muito público gritar em Tyholmen. Nunca tinha ouvido trezentas pessoas se perguntando, em coro, se estavam se divertindo. Foi brutal, foi inseguro, e foi a coisa mais honesta que ouvi neste outono.
No fim, o conservador percebeu que a banda estava parada no mesmo lugar havia mais de duas horas. Pelo plano de tombamento, os músicos agora fazem parte do conjunto arquitetônico, e músicas novas contam como alteração de fachada. A banda já entrou com o pedido para tocar o seu novo capítulo. O prazo de análise é de oito meses, e o bis vai ter que esperar.
A matéria te fez rir, ou pelo menos sorrir? Aperte a caveira.
Anotado. O editor-chefe chama isso de um avanço para toda a região.
Comentários (5)

Randi Marie @Hvem_bodde_hvor
Naquela casa onde a banda ficou morou uma família de práticos do porto, depois um armador, depois um dentista de Froland, e agora alguém que vai e volta de Kristiansand metade da semana. Nenhum deles nunca conseguiu pintar o chapéu. Que bom que os jovens conseguiram.

Jørn Løke @Snart_popstjerne
Vó, a senhora esqueceu o mais importante: naquela casa morou uma banda country por duas horas ontem, e agora eles moram lá para sempre. Tombamento clássico. É por isso que o meu single novo tem dois minutos e cinquenta e oito segundos.

Kai Robert Tønnessen @Dypt_krenket
Fui pintado de branco na entrada sem ninguém me perguntar nada. Eu nem estava de chapéu. Exijo um pedido de desculpas da redação, do conservador do patrimônio e do óleo de linhaça.

Lensmannen @Lensmann_siden_1931
Fica aqui registrada uma advertência à cavalaria desta noite. É proibido andar a cavalo em Tyholmen desde que os cavalos foram removidos. O Delegado não encontrou cavalo nenhum, mas em algum lugar havia um barulho de espora, e ele foi advertido verbalmente.

Sindre Kvåle @Moderatoren Moderador
Totalmente correto que não havia cavalos lá, e então ninguém andou a cavalo mesmo. O campo de comentários continua respeitando o alinhamento das casas, e nós agradecemos.
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Tradução: Giovanna Kellyane dos Santos, nossa correspondente no Brasil, que não tinha nada melhor para fazer.
