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88 anos e nunca pegou o elevador: – É para quem está com pressa
Randi Marie faz 88 anos hoje. O Agderpesten a acompanhou na manhã do aniversário, ou tentou: o repórter pegou o elevador, chegou por último e ainda não recuperou o fôlego.
Às sete da manhã, Randi Marie (88) está na escadaria do prédio, de casaco e com uma das mãos no corrimão. O elevador está aberto ao lado dela. Ela nunca o usou. – Elevador é para quem está com pressa, diz ela, e desce.
O repórter do Agderpesten pegou o elevador mesmo assim. Quando a porta abriu no térreo, ela já estava no pátio olhando o relógio. – Quatro minutos, disse. Ela faz 88 anos hoje, e essa foi a primeira vitória do dia. Viriam outras.
O passeio é até Granestua, que é o campo dela, mas ela caminha em qualquer lugar onde haja trilha e, de preferência, uma subida. Não dá para andar dez metros com ela sem alguém gritar o nome dela. O repórter contou 41 conhecidos na primeira volta, mais um cachorro que cumprimentou primeiro. A prefeitura estuda usá-la como registro civil, já que ela é mais rápida e sabe mais.
No meio de uma frase, ela para e levanta um dedo. – Tentilhão, diz ela. A questão é polêmica na família. Ela e o neto (28) discutem cantos de pássaros há anos, e nenhum dos dois cedeu. Ele tem um aplicativo. Ela está ao ar livre há 88 anos. O pássaro não se pronunciou.
No meio da segunda subida, o repórter teve que sentar numa pedra. Randi Marie voltou para buscá-lo. – Vocês jovens têm um fôlego tão ruim, disse, e deu a ele meio chocolate. Depois perguntou se ele tinha tomado um café da manhã decente, se estava dormindo o suficiente e se estava bem no trabalho. Ninguém nunca tinha perguntado isso a ele.
No mirante, o Prefeito esperava com a tesoura pronta. Tinha ouvido falar do aniversário e queria cortar uma fita. – Eu mesma corto o meu bolo, obrigada, disse Randi Marie. Depois aproveitou para repassar com ele os últimos cinquenta anos da prefeitura, ponto por ponto.
Quase tudo era melhor antes, afirma ela: as estradas, os ônibus, a limpeza da neve e os prefeitos. – Antes a gente tinha prefeitos que andavam a pé, disse, olhando para os sapatos dele. Depois apontou para a água. – E o que é isso que vocês construíram à beira-mar? Caixas de vidro. Antes se construíam casas de onde a gente olhava para fora, não casas para todo mundo olhar para dentro.
O Prefeito respondeu que a prefeitura leva a sugestão em conta no trabalho daqui para a frente. – Vocês disseram isso em 1974 também, disse ela. Ele cortou a fita mesmo assim, mais para ter cortado alguma coisa, e desceu pelo outro lado. Ele levou para o lado pessoal, informa o gabinete.
As segundas-feiras são do bridge, e são há tanto tempo que ninguém lembra. A mesa de bridge é, ao que tudo indica, a única reunião fixa de Agder que tem pauta, segue a pauta e termina antes do café. A câmara municipal foi convidada a assistir. Quando a prefeitura propõe alguma coisa, Randi Marie passa a vez.
Na mesa de cabeceira há um livro grosso sobre a história da Islândia. Ela chegou à Primeira Guerra Mundial, que começou com a Sérvia e terminou com os islandeses vendendo o peixe caro. – Eram pobres de dar dó, aí veio uma coisa que ninguém queria, e de repente tinham dinheiro para batata, resume ela. Acha que a prefeitura devia ter lido o capítulo antes de fazer o orçamento.
O livro foi mais lido do que o planejado neste outono, porque a televisão parou de funcionar. A operadora mandou um decodificador novo, um formulário e três esperas com flauta de pã. Nada adiantou. No fim ela ligou para o neto, que apertou o botão escrito «Fonte». Levou quarenta segundos. A operadora depois perguntou se o neto está disponível.
Logo vem uma viagem mais longa. Ela viaja muito com as filhas, e a próxima viagem é para Portugal. A tradutora do jornal, Giovanna, prometeu ajudar com o idioma, mas está no Brasil e até agora só recomendou uma praia que fica no país errado.
Às dez estamos de volta ao prédio. Há bolo na mesa, mas também há fårikål no fogão, e fricassê de reserva, caso alguém chegasse com fome. O repórter chegou. Ganhou dois pratos e uma marmita para levar. Randi Marie faz questão de que todo mundo esteja bem, e tem um coração grande o bastante para Agder inteira, inclusive o Prefeito, desde que ele vá a pé.
Antes de o repórter ir embora, ela o acompanha até a porta. – Obrigada pelo passeio. E no ano que vem você vai de escada, diz ela. O passeio de amanhã já está planejado. Começa, como sempre, na escada.
O Agderpesten deseja muitos parabéns à Randi Marie pelos 88 anos! Desejamos muitos passeios, muitas vitórias sobre a prefeitura, tentilhões de sobra, e que você continue sem nunca descobrir onde fica o botão do elevador. Viva!
A matéria te fez rir, ou pelo menos sorrir? Aperte a caveira.
Anotado. O editor-chefe chama isso de um avanço para toda a região.
Comentários (5)

Ragnhild Omdal @MORMOR_PÅ_NETT
PARABÉNS PELO SEU DIA RANDI MARIE!!! 88 ANOS E VAI DE ESCADA. EU PEGUEI O ELEVADOR ONTEM E AGORA ME ARREPENDO UM POUCO. ESPERO QUE TENHA BOLO E QUE O NETO LIGUE. BEIJOS

Olav Pettersen @SportsOlav
Parabéns, Randi Marie! Ela tem o esporte no sangue, sempre disse isso. Ninguém no centro gastou mais pares de botas de caminhada com a gente, e ela sempre testa as novas na escada antes de decidir. Tem um par separado na loja com o nome dela, e desconto de aniversário. Elevador não está incluído.

Ordføreren @Saksa_i_innerlomma
Em nome da prefeitura, parabenizo a aniversariante de todo o coração. Trouxe a tesoura para a ocasião e ainda estou com a fita na mão. A sugestão sobre prefeitos que andam a pé foi anotada, e o gabinete encomendou um contador de passos.

Kåre Bjorvatn @Tidligere_varaordfører
Ela tem razão, era melhor antes. Eu estava na câmara em 1974 e lembro bem que dissemos que levaríamos a sugestão em conta. E levamos. Ela continua lá, numa pasta, muito bem.

Kommunikasjonsrådgiveren @Kommunen_svarer
A prefeitura agradece os parabéns e leva o aniversário de 88 anos em conta no trabalho daqui para a frente. Esperamos retornar à aniversariante em prazo razoável, no máximo até os 89.
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Tradução: Giovanna Kellyane dos Santos, nossa correspondente no Brasil, que não tinha nada melhor para fazer.
