Sátira ReportagemEconomia
O ministro disse não à reunião urgente do chefe das baterias. O Delegado disse sim
O ministro de Energia não teve tempo para o CEO da empresa de baterias que está de olho na fábrica de Eyde. O Delegado teve, e aprovou a reunião em nome de um ministério de que ninguém mais ouviu falar.
O CEO da empresa americana de baterias que se interessou pela fábrica de baterias de Eyde pediu recentemente uma reunião urgente com o ministro de Energia. A resposta do ministério chegou esta semana, e foi não. A justificativa tinha duas páginas, e o CEO teria dito que foi «o não mais caprichado que já recebi em três continentes».
Segundo a carta, as reuniões urgentes no ministério são atendidas por ordem de chegada. «O ministério compreende plenamente que o assunto é urgente. Os outros assuntos também são», diz a resposta, que trazia um carimbo vermelho com a palavra URGENTE.
Para a editoria de economia, isso não é um não. É uma oportunidade. Um CEO com uma reunião urgente livre na agenda é um recurso, e Arendal está cheia de gente louca para se reunir. Já na sexta à tarde ele tinha recebido sete ofertas locais para ocupar o lugar do ministro.
O Prefeito foi o primeiro. Ligou de uma inauguração em Stoa e se ofereceu para ser ministro por um dia, desde que desse tempo de chegar a outro corte de fita às três e quinze. – Não tenho autoridade sobre energia, mas tenho autoridade sobre a tesoura. É um sinal importante, disse o Prefeito. O CEO recusou quando ficou claro que a reunião seria no meio da rotatória, onde o Prefeito já tinha colocado duas cadeiras.
O Delegado disse sim. Recebeu o CEO na delegacia na sexta, reservou quatro minutos e aprovou a reunião «em nome do Departamento de Comércio, Navegação e Eletricidade», que ele acredita ainda ter escritório na capital. – Fica por meio desta concedida uma reunião, disse o Delegado, e carimbou um formulário de 1934.
A reunião durou quarenta e cinco minutos. O CEO apresentou planos de baterias em escala industrial, com transparências. O Delegado ouviu com atenção, anotou a lápis e perguntou se as baterias serviam no farol da bicicleta dele. Quando o CEO explicou que as baterias também iam mover automóveis, o Delegado largou o lápis.
– Então é uma questão para os cavalos, disse ele. – O senhor já falou com os cavalos?
O CEO não tinha falado. Depois de uma pausa, que o CEO descreveu depois como estratégica e o Delegado como a sesta, a reunião terminou com uma advertência verbal. Não para o CEO, mas para uma gaivota que estava no parapeito da janela e acompanhou a reunião inteira sem tomar notas.
A editoria de economia calculou as sinergias. Um não do ministério e um sim do Delegado somam uma reunião, que é uma reunião a mais do que o CEO tinha na quinta. É claramente um ganha-ganha, e nenhuma das partes contestou, em parte porque nenhuma delas respondeu à pergunta.
Um porta-voz do ministério confirma que o Delegado não tem autoridade em questões de energia. – Mas ele foi o primeiro a responder uma solicitação dentro do prazo, e isso nós notamos. A carta dele foi encaminhada para avaliação, com carimbo, diz o porta-voz.
O Agderpesten também tentou obter resposta. Na sexta, a redação mandou um telegrama ao ministério perguntando sobre a reunião urgente. O telégrafo não parou de bater desde então, mas é porque está na frequência errada e recebendo a previsão do tempo das Ilhas Shetland.
O Delegado já convocou a próxima reunião, desta vez com o próprio ministro. A convocação foi pelo correio na sexta à noite, endereçada a um ministro de Energia de quem ele se lembra bem, de 1935. – Ele vem, disse o Delegado. – Sempre vêm quando o Delegado convoca. Só demora um pouco por causa do vapor.
A matéria te fez rir, ou pelo menos sorrir? Aperte a caveira.
Anotado. O editor-chefe chama isso de um avanço para toda a região.
Comentários (2)

Tor-Ivar Hvetland @Bakermester_4G
No tempo do meu bisavô, você conseguia reunião com o ministro mandando uma cesta de pãezinhos de canela no barco a vapor. Mandamos uma em 1911. A resposta ainda não chegou, mas era uma cesta muito boa.

Olav Pettersen @SportsOlav
Tor-Ivar, a cesta nunca chegou porque o cheiro dos seus pães fez o vapor atracar em Hisøy. Da minha parte, já aceitei uma reunião urgente com o CEO. Ele não pediu, mas estou pronto na loja com duas cadeiras e uma lanterna carregada.
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Tradução: Giovanna Kellyane dos Santos, nossa correspondente no Brasil, que não tinha nada melhor para fazer.
