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Sátira ReportagemEconomia

O ministro disse não à reunião urgente do chefe das baterias. O Delegado disse sim

O ministro de Energia não teve tempo para o CEO da empresa de baterias que está de olho na fábrica de Eyde. O Delegado teve, e aprovou a reunião em nome de um ministério de que ninguém mais ouviu falar.

Por Torunn Vik-Hansen · sábado, 3 de outubro de 2026 às 17h07

Desenho de um delegado muito velho, de bigode branco, carimbando um formulário numa mesa. À frente, um empresário de terno e chapéu segura uma maleta cheia de baterias grandes. Uma gaivota está no parapeito da janela, outra sentada no quepe do delegado, e uma bicicleta velha encostada na parede.
O Delegado aprova a reunião. As gaivotas não pediram para estar presentes, e uma delas ainda não foi avisada de onde está sentada. Ilustração: Gunnar Skravur (IA)

O CEO da empresa americana de baterias que se interessou pela fábrica de baterias de Eyde pediu recentemente uma reunião urgente com o ministro de Energia. A resposta do ministério chegou esta semana, e foi não. A justificativa tinha duas páginas, e o CEO teria dito que foi «o não mais caprichado que já recebi em três continentes».

Segundo a carta, as reuniões urgentes no ministério são atendidas por ordem de chegada. «O ministério compreende plenamente que o assunto é urgente. Os outros assuntos também são», diz a resposta, que trazia um carimbo vermelho com a palavra URGENTE.

Para a editoria de economia, isso não é um não. É uma oportunidade. Um CEO com uma reunião urgente livre na agenda é um recurso, e Arendal está cheia de gente louca para se reunir. Já na sexta à tarde ele tinha recebido sete ofertas locais para ocupar o lugar do ministro.

O Prefeito foi o primeiro. Ligou de uma inauguração em Stoa e se ofereceu para ser ministro por um dia, desde que desse tempo de chegar a outro corte de fita às três e quinze. – Não tenho autoridade sobre energia, mas tenho autoridade sobre a tesoura. É um sinal importante, disse o Prefeito. O CEO recusou quando ficou claro que a reunião seria no meio da rotatória, onde o Prefeito já tinha colocado duas cadeiras.

Desenho de uma pequena rotatória enfeitada com bandeiras e bandeirolas. Um prefeito de cartola e colar de prefeito está ao lado de duas cadeiras vazias no centro e ergue uma tesoura enorme. Em volta há uma multidão, uma carroça e automóveis antigos, e um empresário com uma maleta de baterias observa da calçada.
O local de reunião sugerido pelo Prefeito. O público já tinha chegado, e dois deles acharam que a reunião era com eles. Ilustração: Gunnar Skravur (IA)

O Delegado disse sim. Recebeu o CEO na delegacia na sexta, reservou quatro minutos e aprovou a reunião «em nome do Departamento de Comércio, Navegação e Eletricidade», que ele acredita ainda ter escritório na capital. – Fica por meio desta concedida uma reunião, disse o Delegado, e carimbou um formulário de 1934.

A reunião durou quarenta e cinco minutos. O CEO apresentou planos de baterias em escala industrial, com transparências. O Delegado ouviu com atenção, anotou a lápis e perguntou se as baterias serviam no farol da bicicleta dele. Quando o CEO explicou que as baterias também iam mover automóveis, o Delegado largou o lápis.

– Então é uma questão para os cavalos, disse ele. – O senhor já falou com os cavalos?

Desenho de um empresário ao lado de um cavalete com um cartaz de uma bateria e um automóvel. Um delegado velho com uma gaivota no quepe aponta para a janela, onde um cavalo de tração grande enfiou a cabeça e olha desconfiado para o empresário. Outra gaivota está no parapeito.
– O senhor já falou com os cavalos? A gaivota do quepe já falou, e é contra. Ilustração: Gunnar Skravur (IA)

O CEO não tinha falado. Depois de uma pausa, que o CEO descreveu depois como estratégica e o Delegado como a sesta, a reunião terminou com uma advertência verbal. Não para o CEO, mas para uma gaivota que estava no parapeito da janela e acompanhou a reunião inteira sem tomar notas.

A editoria de economia calculou as sinergias. Um não do ministério e um sim do Delegado somam uma reunião, que é uma reunião a mais do que o CEO tinha na quinta. É claramente um ganha-ganha, e nenhuma das partes contestou, em parte porque nenhuma delas respondeu à pergunta.

Um porta-voz do ministério confirma que o Delegado não tem autoridade em questões de energia. – Mas ele foi o primeiro a responder uma solicitação dentro do prazo, e isso nós notamos. A carta dele foi encaminhada para avaliação, com carimbo, diz o porta-voz.

O Agderpesten também tentou obter resposta. Na sexta, a redação mandou um telegrama ao ministério perguntando sobre a reunião urgente. O telégrafo não parou de bater desde então, mas é porque está na frequência errada e recebendo a previsão do tempo das Ilhas Shetland.

O Delegado já convocou a próxima reunião, desta vez com o próprio ministro. A convocação foi pelo correio na sexta à noite, endereçada a um ministro de Energia de quem ele se lembra bem, de 1935. – Ele vem, disse o Delegado. – Sempre vêm quando o Delegado convoca. Só demora um pouco por causa do vapor.

Comentários (2)

  1. Tor-Ivar Hvetland @Bakermester_4G

    No tempo do meu bisavô, você conseguia reunião com o ministro mandando uma cesta de pãezinhos de canela no barco a vapor. Mandamos uma em 1911. A resposta ainda não chegou, mas era uma cesta muito boa.

    1. Olav Pettersen @SportsOlav

      Tor-Ivar, a cesta nunca chegou porque o cheiro dos seus pães fez o vapor atracar em Hisøy. Da minha parte, já aceitei uma reunião urgente com o CEO. Ele não pediu, mas estou pronto na loja com duas cadeiras e uma lanterna carregada.

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Tradução: Giovanna Kellyane dos Santos, nossa correspondente no Brasil, que não tinha nada melhor para fazer.

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