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Conglomerado britânico bilionário compra um buraco em Froland: – Ele fica maior a cada dia

Uma pedreira em Froland vendeu a maioria das ações para um conglomerado britânico bilionário. Os compradores levaram o que ninguém no vilarejo jamais tinha conseguido vender: o próprio buraco, que agora é considerado o ativo que mais cresce na região.

Por Torunn Vik-Hansen · sexta-feira, 2 de outubro de 2026 às 07h07

Três homens de sobretudo cinza e chapéu-coco estão na beirada de uma grande pedreira medindo o ar sobre o buraco com uma fita métrica, enquanto operários com cavalo e carroça aparecem lá embaixo.
A visita técnica de quarta-feira. A delegação encontrou 400 metros de buraco e pediu para receber isso por escrito. Ilustração: Gunnar Skravur (IA)

Não é todo dia que uma empresa de Froland chama atenção em Londres. Mas depois de anos de crescimento e grandes contratos europeus, a maioria de uma pedreira local de pedra e lajes foi vendida a um conglomerado britânico bilionário e a uma empresa de investimentos. Esta repórter leu o prospecto, e está claro pelo que os britânicos pagaram. Não pela pedra. A pedra é embarcada em Eydehavn. O que eles compraram foi o que sobra.

– A pedra é uma receita única. O buraco é um ativo que cresce todo santo dia útil, diz um consultor de investimentos dos compradores, que veio de avião para ver a aquisição e continua na beirada com o nariz apontado para baixo.

Segundo o prospecto, o buraco teve um crescimento anual de oito a doze por cento desde que foi aberto. É melhor que o fundo do petróleo, melhor que imóvel em Tyholmen e melhor que qualquer outra coisa em Froland, inclusive a população. Cada tonelada que sai deixa o ativo do mesmo tamanho maior, e nenhum concorrente descobriu como copiar isso sem cavar.

A editoria de economia já cobriu muitas aquisições, mas raramente uma em que comprador e vendedor concordam tanto sobre onde está o valor. Os vendedores sempre acharam que era a pedra. Os compradores acham que é o buraco. Os dois lados estão satisfeitos, e é difícil ver isso como outra coisa que um ganha-ganha perfeito, em que um ganha pedra e o outro ganha falta de pedra.

A delegação de Londres fez uma visita técnica na quarta-feira. Chegaram com três sobretudos cinza idênticos, mediram o buraco com uma fita métrica comum e pediram para ver a contabilidade do ar. Um deles perguntou se dava para descer até o ativo para tomar chá. Dava, mas levava quarenta e cinco minutos para cada lado, e o chá chegou frio.

Três homens de sobretudo cinza e chapéu-coco tomam chá com cara abatida numa pedra coberta por toalha branca no fundo de uma pedreira, enquanto uma trilha em zigue-zague sobe pela parede de rocha e operários passam.
O chá foi servido dentro do ativo. Chegou frio, mas agora é contabilizado como parte do valor. Ilustração: Gunnar Skravur (IA)

– Não estamos acostumados com valor abaixo do nível do chão. Em Londres ele costuma ficar no décimo segundo andar, disse um dos delegados a um funcionário local, que respondeu que aqui fica mais ou menos na mesma altura, só que para baixo.

Lá na vendinha do vilarejo, a notícia trouxe calma. Vários fregueses fiéis dizem que o buraco sempre esteve ali e que já era hora de alguém enxergar o valor dele. Um homem perto da máquina de café contou que ele mesmo já vendeu um buraco, na parede de um celeiro, mas recebeu só 200 coroas e um obrigado.

A prefeitura de Froland acompanha o caso de perto. O IPTU da pedreira é calculado pelo valor do terreno, e agora que o valor está no que não está lá, a prefeitura vai estudar se também pode cobrar por metro cúbico do que sumiu. Isso daria a Froland uma receita que cresce na mesma medida em que desaparece, o que vários vereadores descrevem como o primeiro orçamento sustentável que o município já teve.

Em Arendal, o caso é acompanhado com sentimentos mais confusos. Arendal e Froland passaram o outono brigando sobre quem paga os serviços compartilhados, e um assessor de Froland teria sugerido acertar a conta em buraco. A prefeitura de Arendal não respondeu, mas segundo fontes pediu uma avaliação.

O conglomerado já apresentou uma estratégia para os próximos dez anos. A aposta principal é o que os britânicos chamam de «expansão vertical»: o buraco vai crescer para baixo em vez de para os lados, para Froland nem perceber. Um analista calculou que, no ritmo atual, o buraco será o maior ativo de Agder até 2070, e que aí vai dar para ver Kristiansand lá do fundo, mas não o contrário.

O consultor de investimentos continua na beirada quando vamos embora. Ganhou um café da vendinha e um cobertor de um dos funcionários, e se recusa a deixar o ativo antes de vê-lo crescer com os próprios olhos. Está esperando a detonação das duas da tarde, que vai deixá-lo dois metros cúbicos mais rico.

Um homem alto de sobretudo cinza e chapéu-coco está sentado numa cadeira dobrável na beira de uma pedreira, enrolado num cobertor de lã, com uma caneca de café e um relógio de bolso, enquanto um operário de boina está atrás dele e olha desconfiado.
O consultor espera a detonação das duas da tarde. Pediu para ser acordado se o ativo crescer durante a noite. Ilustração: Gunnar Skravur (IA)

– É uma sensação muito especial, diz ele. – Compramos uma coisa que não existe, e ela já vale mais do que ontem.

Comentários (4)

  1. Rolf Egil Syvertsen @Hilsen_fra_Spania

    Na Espanha vendem buraco a 14 euros o metro quadrado, já cavado, com piscina dentro. Aqui você cava sozinho e ainda paga imposto. Calcula aí quanto dá em coroas, que eu não trouxe a calculadora.

  2. Navnet er kjent for redaksjonen @Kilden_min

    Posso confirmar que o buraco já tinha preço bem antes da venda. O pessoal da prefeitura passou anos parado na beirada balançando a cabeça. Ninguém balança a cabeça assim para um buraco sem saber quanto ele vale.

  3. Navnet er kjent for redaksjonen @Kilden_min

    E quem vocês acham que está do outro lado da empresa de Londres? Não estou dizendo Grimstad. Mas também não estou dizendo não-Grimstad.

  4. Tor-Ivar Hvetland @Bakermester_4G

    Meu bisavô fazia o pão de quem trabalhava na pedreira. Naquele tempo quem tinha valor era a pedra, e o buraco vinha de brinde com um pão doce. Ainda tenho o recibo em algum lugar. Pode ser que seja de um bolo.

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Tradução: Giovanna Kellyane dos Santos, nossa correspondente no Brasil, que não tinha nada melhor para fazer.

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