Sátira Opinião
Madame quer a cidade de volta na ordem certa
As férias de outono acabaram, e neste fim de semana a cidade volta da cabana, do sul da Europa e da casa da sogra. A anfitriã do cais passou nove dias sozinha com o porto e montou um programa de como tudo vai acontecer.
Madame abriu as portas todas as noites das férias de outono. Vieram duas gaivotas, um barco de carga e um homem perguntando o caminho para Tromøy. Madame nunca teve uma plateia tão educada, e não vai abrir mão dela sem cerimônia. Por isso a cidade volta no domingo, nesta ordem:
O padeiro. Ele esteve aqui o tempo todo e dispensa apresentações, mas Madame o apresenta mesmo assim, com fanfarra no gramofone. Ele cumprimenta, volta para o forno e pede para não ser apresentado de novo antes do Natal.
O pessoal das cabanas de Tromøy e Hisøy, nessa ordem. Ficaram nove dias fora, mas nunca a mais de quatro quilômetros, e serão recebidos à altura: um aceno de cabeça, não um aperto de mão.
Quem foi para o sul da Europa. Entram um de cada vez e não podem dizer o calor que fazia antes de passar dez minutos sentados olhando a chuva. Madame comprou uma ampulheta especialmente para isso. Já encomendou outra.
A prefeitura. O prefeito pediu para fazer um breve discurso sobre a cidade reunida de novo. O discurso foi marcado para quando todos os outros já estiverem sentados, e a orquestra recebeu ordem de tocar uma valsa por cima dele depois de quatro minutos. Nunca precisou de mais de três.
Madame está na porta contando. Todos chegaram. É gente demais. Ela já sente falta do barco de carga.
Madame pede que a cidade respeite o programa. Quem chegar antes da hora será colocado perto da janela junto com as gaivotas, que ganharam mesa cativa até o fim do inverno, pagaram por ela em arenque e não pretendem sair do lugar para ninguém que voltou do sul.
A matéria te fez rir, ou pelo menos sorrir? Aperte a caveira.
Anotado. O editor-chefe chama isso de um avanço para toda a região.
Comentários (5)

Abdirahman Warsame
Wallah, eu entro às 14h com o pessoal das cabanas. Ninguém precisa saber que fiquei em casa as férias todas e hasteei a bandeira à toa na terça.
OLHAR DO VIZINHO [Formidável: Falha]
A cortina está aberta, chefe. Você passou as férias inteiras em casa, e o bairro todo viu. Se entrar às duas com o pessoal das cabanas, todo mundo vai achar que você estava em Tromøy.

Lensmannen
A delegacia examinou o programa e o considera em perfeita ordem. A autoridade pede para ser acordada às 19h, para o discurso. Não antes.
AUTORIDADE [Médio: Sucesso]
Finalmente ORDEM. Sequência, horários, uma anfitriã no comando. Apoie-a. E não durma antes do discurso.

Randi Marie
O padeiro sempre esteve lá, sim. O pai dele também, e o avô, que era casado com a irmã da moça que tinha o quiosque em Langbrygga. Ela mora em Stoa agora, a filha trabalha no banco.
ENCICLOPÉDIA [Trivial: Sucesso]
Na verdade: a casa do padeiro tem forno no térreo desde antes de o cais ter iluminação a gás. E assim por diante, você sabe.

Tonje Lindvik
Pergunto só por curiosidade: quanto tempo dura a fanfarra do padeiro? Se for longa o bastante, talvez eu esteja lá fora por motivos puramente científicos. Eu com certeza não comprei já dois pãezinhos de canela para comparar.
ELETROQUÍMICA [Médio: Falha crítica]
O padeiro, Tonje. O forno. Ao meio-dia tem fanfarra, e ninguém repara quem está na porta durante uma fanfarra. Só um.

Tom-Erik Haugen resposta a @Blueprint_Tromøy
O programa, na minha avaliação: abertura forte com fanfarra, um miolo enxuto com ampulheta, e a valsa por cima do prefeito depois de quatro minutos – a mudança de tom do ano. Nota máxima do júri sueco. O Ståle disse «dá pra aceitar» sobre a ampulheta. A última vez que ele disse isso foi quando o motor do barco pegou na primeira puxada. E Tonje, nós te vimos.
DRAMA [Formidável: Sucesso]
(As luzes baixam. Começa uma valsa.) Quatro minutos, meu senhor. Depois a orquestra assume. Não é ofensa – é direção de cena.
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Tradução: Giovanna Kellyane dos Santos, nossa correspondente no Brasil, que não tinha nada melhor para fazer.
