Sátira DebateOpinião
Quem sentou primeiro é dono do banco de Langbrygga?
O banco de Langbrygga tem lugar para três, mas há anos tem duas usuárias fixas e uma briga aberta pela ponta do sol. O Debate de Quinta deixa cada uma defender seu lado. Nenhuma das duas se levantou.
Na quinta passada, o debate sobre a taxa do cais terminou 1 a 1, um voto para cada lado. Passei uma semana olhando para esse número, e é difícil achar um resultado mais justo. É igualmente difícil achar um mais frustrante.
Esta semana o assunto é um banco. A prefeitura é a dona formal, mas confirmou que não senta nele desde que foi instalado. O prefeito aceitou ser o moderador e mandou uma declaração dizendo que o debate é «um sinal importante para as duas pontas do banco». Ele não quis dizer qual ponta prefere, mas está com a tesoura pronta caso alguém queira inaugurá-lo.
Tenho grande respeito pelos dois textos. Depois de lê-los, concordo com o último que li, e já foram os dois.
O debate de quinta
Quem sentou primeiro é dono do banco de Langbrygga?

A favor
Bjørg Terkelsen
Sim. Eu sento naquele banco toda manhã desde que o antigo foi levado pela tempestade, e o antigo também era meu. Quando instalaram, custou 1.400 coroas e cheirava a piche. Agora cheira à prefeitura que pintou sem perguntar. Conheço cada tábua. A terceira da esquerda cede. É minha.
A almofada que eu trouxe em 1994 está lá há trinta anos. Já tem usucapião. Perguntei a um jurista aposentado em Stoa, ele disse que não funciona assim, e depois disse que talvez funcione. Fico com a segunda resposta.
Réplica: A Wenche diz que o banco é de todos. Disse o mesmo da minha vaga de estacionamento, e agora tem um trailer de Grimstad parado lá.

Contra
Wenche Olsen
Não, querida. Um banco é de todos, principalmente de quem não coloca uma almofada na ponta do sol às seis da manhã para guardar lugar. Eu sento no mesmo banco desde 1980, só um pouco mais para a sombra, porque alguém precisava de espaço para a bolsa e para o mau humor.
Usucapião exige que a pessoa tenha sentado de boa-fé. Conheço a Bjørg há quarenta e cinco anos, e ela não fez nada de boa-fé nesse tempo todo. Aliás, a almofada é minha. Esqueci lá em 1994.
Réplica: A Bjørg conhece cada tábua. Que bom. Ela também conhecia a minha cerca viva, até ela ficar meio metro mais curta do lado dela.
Quem venceu?
Os comentaristas votaram: 8–5
- Bjørg Terkelsen (8) Bjørg Terkelsen (71), Terje Moland, Tom-Erik Haugen, Reidar Stoveland, Caspar Wilhelmsen-Lie, Anonym, Håkon Skjoldal, Gerd Aanonsen
- Wenche Olsen (5) Wenche Olsen (72), Liv Heggland, Rolf Egil Syvertsen, Torbjørn Knekke, Randi Marie
- Em branco: Høsten, Arnold Bergsland
A matéria te fez rir, ou pelo menos sorrir? Aperte a caveira.
Anotado. O editor-chefe chama isso de um avanço para toda a região.
O debate (6)
A favorBjørg Terkelsen1 intervenções
vs.
ContraWenche Olsen0 intervenções
5 da plateia

Tom-Erik Haugen votou em Bjørg Terkelsen
O Ståle e eu passamos pelo banco ontem. O Ståle disse «hm», e isso quer dizer que devemos deixá-las sentadas até a primavera e ver se se resolve sozinho. As duas pontas levam twelve points. Votei na Bjørg, porque a almofada está lá há mais tempo, e tem estilo.
CALMA SULISTA [Impossível: Falha]
Calma, Tom-Erik. Duas senhoras num banco há trinta anos. Já se resolveu antes, e vai se resolver agora.

Torbjørn Knekke votou em Wenche Olsen
Tom-Erik, fiz umas contas. O banco custou 1.400, e com a inflação hoje vale umas 38.000. Por esse preço ninguém deveria ser dono sozinho. Eu dividiria e cobraria dez coroas por hora pela ponta do sol. Votei na Wenche, ela senta na sombra e não paga nada.
CAÇADOR DE PREÇOS [Fácil: Falha]
Converta, Torbjørn. 1.400 coroas em piche naquela época. Com a inflação, hoje é um barco inteiro. Cobre pelo sol.

Arnold Bergsland resposta a @Gamlesjefen«Tom-Erik, fiz umas contas. O banco custou 1.400, …»
Torbjørn, não é assim que funciona. Um banco em terreno municipal não pode ser vendido nem alugado sem decisão da câmara. Já a almofada é bem móvel, e a disputa cabe ao conselho de conciliação. Liguei para eles e disse que é urgente. Acho que falei um pouco alto demais.
DRAMA [Impossível: Falha]
(Pausa dramática.) Meu senhor, a almofada. As duas dizem que é delas. Isto não é um banco, é um inventário. Suba ao palco e diga.

Gerd Aanonsen votou em Bjørg Terkelsen resposta a @Endelig_en_ærlig_avis«Torbjørn, não é assim que funciona. Um banco …»
Arnold, não sou de números, mas o conselho de conciliação cobra mais de mil coroas só para olhar o caso. A almofada era de uma loja na Kirkegata e custou 89 coroas. Sei porque minha prima estava no caixa. Ela não lembra quem comprou.
CAÇADOR DE PREÇOS [Fácil: Sucesso]
Conselho de conciliação, Gerd. Mais de mil coroas só para abrir o caso. A almofada custou talvez 89. Você não está acostumada com números, mas estes são fáceis.

Høsten
A terceira tábua da esquerda eu conheço há muito tempo. Ela cede porque carregou muito, e porque é de madeira. Um dia ela cede de vez, e aí as duas vão estar na mesma tábua. Estou ansioso por isso.
PAISAGEM INTERIOR [Trivial: Sucesso]
A tábua diz: Carrego as duas desde a tempestade. Cedo um pouco a cada ano. Não é fraqueza. É tempo.

Bjørg Terkelsen (71) A favor
O banco antigo não cedia, Outono. Eu sentava nele todo dia, inclusive no dia em que ele voou para o mar. Aí fiquei sentada na pedra até trazerem um novo. Isso é o que eu chamo de ser dona de alguma coisa.
NOSTALGIA [Fácil: Falha]
Lembra do banco antigo, Bjørg? O de antes da tempestade. Cheirava a piche e a mar, e nunca cedia. Nada cedia naquele tempo.
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Tradução: Giovanna Kellyane dos Santos, nossa correspondente no Brasil, que não tinha nada melhor para fazer.
