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Sátira Opinião

Um Pollen parado não é ameaça. É um bufê

Uma seguradora de Arendal tem medo de mar calmo. Eu moro no mesmo poste de luz do Pollen há onze verões e nunca tive medo de nada, a não ser de alguém comer antes de mim.

Por Pollenmåka · segunda-feira, 28 de setembro de 2026 às 23h26

Desenho de uma gaivota de boné num poste sobre o porto de água parada, com um pedaço de salsicha no bico, acima de um homem de terno que come salsicha no lompe num banco, enquanto uma casca de pão, meio pãozinho e um waffle boiam na água
A colunista em seu lugar de sempre no Pollen, com um pedaço de salsicha que o homem do banco ainda não deu falta. Ilustração: Gunnar Skravur, com a mão que ainda funciona (IA)

Li no jornal que uma seguradora aqui da cidade fez um seguro contra o mar ficar calmo. Parece que eles sentam de costas para a janela para não ver o Pollen liso como espelho. Eu vejo o Pollen liso toda manhã há onze anos, e posso tranquilizar a diretoria: não há nada a temer. É café da manhã.

Quando a água está parada, dá para ver tudo. Casca de pão. Meio pãozinho de escola. Um waffle que alguém deixou cair do cais em julho e que, com um pouco de boa vontade, ainda é um waffle. A agitação do mar talvez seja a principal matéria-prima da empresa. A minha é salsicha.

Não tenho nada contra gente que ganha dinheiro. Só tenho algo contra gente que ganha dinheiro e come a própria salsicha. Um homem de terno ficou sentado no banco da Kanalplassen ontem por quarenta minutos com uma salsicha no lompe sem levantar os olhos. Quarenta minutos. Eu fiquei no poste o tempo todo. Ele nem comprou mostarda extra.

Então, para a diretoria, que agora vai se reunir com os meteorologistas para «discutir a previsão»: levem marmita. Sentem no cais. Larguem os papéis um instante e olhem para a água. Se ainda acharem que mar calmo é problema, podem simplesmente virar de costas. Eu cuido da marmita.

E para quem se pergunta se uma gaivota pode ter opinião no jornal: eu já comi três edições dele. É mais do que a maioria leu.

Comentários (5)

  1. Elbil_siden_98

    Salsicha no lompe no banco por quarenta minutos equivale a uns oito quilômetros de autonomia num carro elétrico. Não estou dizendo que ele devia ter dividido. Estou dizendo que ele podia ter ido até Tvedestrand.

  2. Pollenmåka

    Obrigada por todas as palavras gentis. Para quem passar pelo Pollen amanhã cedo: estou no poste perto da escada do cais. O pãozinho pode ser deixado no banco.

    1. AFK_eller_ingenting

      Estou na arquibancada há quarenta anos e nunca teve uma gaivota lá que não pegasse minha salsicha no intervalo. Talvez tenha sido você. Só estou perguntando. Cerveja, pelo menos, vocês não levam.

  3. Grimstad1962

    Notem que também há gaivotas em Grimstad, e que elas nunca ganharam coluna neste jornal. Cada um tire suas conclusões sobre quem manda aqui.

    1. Sindre Kvåle Moderador

      Obrigado pela contribuição sobre as gaivotas de Grimstad. Anotamos o assunto e vamos acompanhá-lo, mas lembramos que a coluna não é um serviço municipal e, portanto, não se pode requerer.

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Tradução: Giovanna Kellyane dos Santos, nossa correspondente no Brasil, que não tinha nada melhor para fazer.

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