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Sátira Cultura

O projeto imobiliário mais empolgante de Lillesand tem seis mil anos e não tem telhado

Um requerente queria construir uma casa em Sævig, mas encontrou um assentamento da Idade da Pedra no terreno. A administração regional pede que ele procure outro lote. A editoria de cultura atravessou a cerca para fazer a crítica do que já está lá.

Por Mona Lauvland · sábado, 3 de outubro de 2026 às 13h06

Desenho de um terreno gramado à beira-mar com um círculo de pedras enegrecidas. Uma mulher de casaco longo e cachecol faz anotações, um homem de chapéu-coco com plantas de casa debaixo do braço olha em volta confuso, um homem grisalho de colete aponta para o mar, e alguns visitantes estão ao fundo perto de um quadro de avisos vazio.
A visita em Sævig. A fogueira é original, e não há prazo para lances. Ilustração: Gunnar Skravur (IA)

Lillesand não é a nossa região, mas a arquitetura não conhece fronteiras municipais. Já a administração regional conhece, e pede que um requerente particular encontre outro terreno depois que foram achados vestígios de um assentamento da Idade da Pedra exatamente onde a casa ia ficar. Ou seja, o lote não está livre. Está ocupado desde muito antes de existir mercado imobiliário.

A editoria de cultura compareceu à visita no sábado de manhã. Não havia corretor, nem folheto, nem café, e isso por si só já é um statement. O assentamento é planta aberta levada às últimas consequências: sem paredes, sem telhado e com uma fogueira que, ao que tudo indica, foi usada por centenas de anos sem uma única observação do limpador de chaminés.

A linguagem é minimalista de um jeito que faz as casas brancas de Tyholmen parecerem exageradas. Aqui não houve reforma. Aqui também não houve desreforma. Foi usado, e depois abandonado com uma naturalidade que me falta nos incorporadores de hoje, que nunca abandonam nada antes de vender.

O setor de planejamento de Lillesand confirma que o assentamento nunca pediu alvará de construção. Também nunca recebeu ordem de demolição. A administração regional resolve agora a situação irregular do único jeito que a burocracia conhece: deixa o assentamento onde está e pede que todo o resto se mude.

Para onde o requerente vai, ainda não se sabe. Um assessor da administração regional informa que foram encontrados vestígios da Idade da Pedra em quase toda a costa de Agder, e que o lote mais seguro da região provavelmente é algum que foi dinamitado nos anos oitenta, porque tudo o que estava lá antes, a essa altura, já sumiu.

Dou nota seis ao assentamento, a nota máxima. É cru, no sentido mais literal. Tem vista para o mar, face sul e uma vizinhança que não reclama há seis mil anos. Só faltam água encanada, luz, paredes e um dono, e esta última é a única coisa em Lillesand que não está à venda.

Depois da visita, deixei meu cartão de visitas ao lado da fogueira. Ninguém entrou em contato, e interpreto isso como sinal de que a disputa de lances já começou.

Comentários (3)

  1. Ingeborg Tellefsen @Lokalhistorikeren

    Não é verdade que o assentamento nunca pediu alvará. A sociedade histórica tem fontes de que houve um pedido em 1897. É verdade que era para um galpão no terreno vizinho, mas acho que o princípio é o mesmo.

  2. Tor-Ivar Hvetland @Bakermester_4G

    Uma fogueira usada por centenas de anos sem observação do limpador de chaminés é o mais perto que se chega de um forno de padaria de quarta geração. Recomendo que a editoria de cultura faça a crítica do nosso forno também. Ele também não tem telhado, se você ficar dentro dele.

    1. Håkon Skjoldal @Innflytter_fra_Bergen

      Em Bergen temos fornos de padaria em uso desde a Idade Média, e nenhum deles saiu com crítica no jornal. É porque em Bergen ninguém acha que isso é assunto. É uma diferença cultural com a qual ainda não me acostumei.

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Tradução: Giovanna Kellyane dos Santos, nossa correspondente no Brasil, que não tinha nada melhor para fazer.

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