Agderpesten NO

Sátira Opinião

Fui ao exterior e descobri o quadro de avisos

Três semanas em feiras no exterior deram ao chefe da loja de esportes do centro uma grande ideia: um quadro na parede onde as pessoas escrevem coisas e os colegas veem. O mensageiro ficou responsável pelas tachinhas.

Por Olav Knekke · terça-feira, 6 de outubro de 2026 às 13h12

Desenho: Olav Knekke prende um bilhete num grande quadro de avisos com três colunas na porta do estoque, enquanto um mensageiro pequeno segura uma caixa de tachinhas. Atrás deles, um homem mais velho levanta um calendário e encontra um quadro mais antigo com um único bilhete amarelado. Pela vitrine, o padeiro lê o quadro com o nariz no vidro.
O quadro na porta do estoque, terça de manhã. O mensageiro assumiu as tachinhas, e o padeiro lê junto. Ilustração: Gunnar Skravur (IA)

Passei três semanas rodando o mundo. Vi feiras de esqui, feiras de bicicleta e uma feira de estandes de feira, e a melhor coisa que vi estava pendurada na parede de uma lojinha de ferragens a caminho do aeroporto. Um quadro. As pessoas iam até ele, escreviam um bilhete, prendiam com uma tachinha e iam embora. Depois vinha outra pessoa, lia o bilhete e fazia o que estava escrito. Ninguém mandava telegrama para ninguém.

Aqui em casa a gente fazia do outro jeito. No ano passado a loja mandou 4.180 telegramas internos. O caixa telegrafa para o estoque, que fica seis metros atrás do caixa, avisando que acabou a cera de esqui. O estoque telegrafa de volta que a mensagem foi recebida. O caixa telegrafa que que bom, mas que continua acabado. O mensageiro já andou 9.000 quilômetros dentro da loja desde março, e já demos sapatos novos para ele duas vezes.

Agora o quadro está pendurado na porta do estoque. Tem três colunas: «A fazer», «Fazendo» e «Feito». Você escreve um bilhete, coloca na primeira coluna, e alguém vai passando ele para a direita. Quando o bilhete chega em «Feito», o assunto está resolvido. Testei com cuidado: o quadro não responde. Essa é a graça.

Na primeira manhã entraram 31 bilhetes. Doze eram sobre a cera de esqui. Nove eram do mensageiro, querendo saber se ainda tem emprego. Tem. Ficou responsável pelas tachinhas, e já pediu uma quarta coluna para bilhetes sobre outros bilhetes.

Meu pai, que tocava a loja antes de mim, passou hoje de manhã só para dar uma olhada. Levantou o calendário ao lado do quadro, e atrás dele havia outro quadro, com um bilhete amarelado dizendo que alguém precisava ligar sobre a cera de esqui. Disse que aquilo já estava feito, só tinha esquecido de mudar de coluna. Já mudei.

O padeiro aqui do lado fica na janela lendo o quadro pelo vidro toda manhã. Hoje apareceu em «A fazer» um bilhete com a letra dele: «O cheirinho de pão doce não é bem comum. Fale comigo.» Passei direto para «Feito». Ele não disse mais nada, então o sistema funciona.

A partir de segunda vai ter um quadro na calçada também, para os clientes. Quer esquis? Escreva «esquis» num bilhete, e a gente passa o bilhete para «Feito» quando você pagar. Bilhetes, tachinhas e caneta estão na cesta ao lado da porta, e se preferir mandar telegrama, pode mandar, mas ele vai parar no quadro, sem problema.

Comentários (13)

  1. Optikeren i Havnegaten

    4.180 telegramas em seis metros dá 697 telegramas por metro. Para comparar, eu mando duas cartas por ano, e as duas são lembretes de exame de vista. Melhor com quadro ou com telegrama? A última linha, por favor.

    CAÇADOR DE PREÇOS [Formidável: Falha]

    Três telegramas por bilhete, vezes 4.180, dividido por seis metros. Dá... muito. Continue fazendo conta, você nunca calculou nada além de lentes.

    1. Rolf Egil Syvertsen

      Aqui em Alfaz del Pi o café tem um quadro na porta onde o pessoal pendura «vende-se» e «procura-se», e nunca precisou de mensageiro. Mas aqui faz 27 graus, então os bilhetes secam mais rápido. Bom ver que Arendal alcançou 1987.

      NOSTALGIA [Fácil: Sucesso]

      Lembra do mural de cortiça da vendinha lá de casa? Precisa-se de babá, filhotes de gato para doação, uma bicicleta que ninguém buscou. Ficou lá quarenta anos e dizia mais sobre a cidade do que o jornal jamais disse.

    2. Tor-Ivar Hvetland

      A gente tem recado espetado no prego na padaria desde antes de existir calendário para esconder atrás. Meu bilhete sobre o cheirinho de pão foi para «Feito» sem nada ser feito, Olav. Isso não é sistema, é uma lixeira com tachinhas.

      NOSTALGIA [Médio: Sucesso]

      O bilhete amarelado atrás do calendário você conhece. Seu bisavô tinha um prego na parede e um maço de papel, e o prego continua lá. A padaria era quadro antes do quadro.

      1. Navnet er kjent for redaksjonen

        Um bilhete que vai para «Feito» sem nada ser feito é um truque conhecido em certos andares que não posso citar. É assim que começa. Não digo mais nada.

        MEIA-LUZ [Desafiador: Sucesso]

        Ele tem razão. O bilhete foi mudado. Alguém viu. Alguém agora sabe. Quem sabe? Cuidado.

      2. Olav Knekke

        Tor-Ivar, economizamos 8.360 coroas do ano passado numa manhã só, e os bilhetes são escritos no verso dos telegramas velhos, então saem de graça. Seu bilhete foi para «Feito» porque está resolvido: a partir de hoje revendemos o cheirinho de pão para os nossos clientes. Você leva dez por cento.

        CAÇADOR DE PREÇOS [Trivial: Sucesso crítico]

        4.180 telegramas a 2 coroas cada são 8.360 coroas no ano passado. Um quadro custa 300. Os bilhetes não custam nada, porque são o verso dos telegramas velhos. Esse é o número que você estava esperando.

  2. Navnet er kjent for redaksjonen

    Posso informar que um certo prédio municipal tem um quadro desses desde a primavera, com quatro colunas. A quarta não tem nome, e é lá que vão parar os bilhetes sobre vocês. É tudo o que posso dizer, e a rigor um pouco mais.

    AUTORIDADE [Desafiador: Falha]

    Você É a fonte. ASSUMA O CONTROLE. Diga o que sabe. AGORA.

    1. Glenn Ove Hansen

      Vende-se: quadro de cortiça, quatro colunas, uma delas sem nome. 200 coroas, ou troca por uma caixa de tachinhas. Os bilhetes pendurados vão junto. Liga, que telegrama eu não mando.

      PERCEPÇÃO [Fácil: Falha]

      Note que ele fala em quatro colunas. Quatro colunas é muito espaço. Muito espaço pode ser vendido.

  3. Rolf Kvernhus

    O padeiro lê o quadro pela janela TODA manhã. Quem pendurou o quadro bem na linha de visão dele? Quem entrega as tachinhas? O mensageiro, que andou 9.000 quilômetros sem ir a lugar nenhum. Coincidência? Confira as solas do sapato dele.

    OLHAR DO VIZINHO [Fácil: Falha]

    O padeiro fica lendo pelo vidro. O que você acha que as pessoas na calçada veem? Veem um homem lendo. E quem lê por ele?

    1. Optikeren i Havnegaten

      Rolf, um quadro que não pode responder também não pode mentir. Então tudo o que está nele é verdade. Se alguém pendurar um bilhete sobre as gaivotas, temos uma fonte. Leia a última linha do quadro antes de continuarmos.

      LÓGICA [Médio: Falha]

      Portanto: o quadro não pode responder. Logo: não pode mentir. Por conseguinte: tudo o que está pendurado nele é verdade – inclusive a teoria das gaivotas.

  4. Gerd Aanonsen

    O bilhete atrás do calendário com certeza foi escrito pelo meu primo Arvid, que trabalhou lá meio ano e telefonava para tudo. Ele é irmão daquela que foi casada com o rapaz do estoque. Não conferi, mas deve ser isso.

    NOSTALGIA [Trivial: Falha]

    Um bilhete amarelado atrás de um calendário! Toda casa era assim antigamente, e todo bilhete era de algum parente seu.

    1. Stian Fjeld-Mørch

      Gerd, sua genealogia cabe num arquivo, não num quadro de avisos de subúrbio. Aqui na metrópole do Sul temos quadros há cem anos, com moldura.

      AUTORIDADE [Fácil: Sucesso]

      Ela fala de parentes. Interrompa. Ponha as coisas no lugar. O comando é seu.

    2. Stian Fjeld-Mørch

      E o primo Arvid, Gerd, ele é mesmo da cidade? Ninguém criado em Kristiansand ligaria por causa de cera de esqui. A gente tem cera de esqui no estoque.

      RADAR DE FORASTEIRO [Fácil: Sucesso]

      Arvid? De onde ele é? Trabalhou meio ano num estoque em Arendal. Não é daqui, então.

  5. Gerd Aanonsen

    O quadro precisa de uma escala: um responsável da semana pelas tachinhas, um para mudar os bilhetes e um que traz café para quem muda. Eu me inscrevo no café. Meu sobrinho cuida das tachinhas.

    ESPÍRITO DE MUTIRÃO [Trivial: Sucesso]

    Uma coluna para bilhetes sobre outros bilhetes precisa de um responsável, uma escala e alguém que traga café. Inscreva-se primeiro, que os outros vêm atrás.

Os comentários são moderados automaticamente.

Tradução: Giovanna Kellyane dos Santos, nossa correspondente no Brasil, que não tinha nada melhor para fazer.

← Voltar à capa