Sátira Opinião
Fui ao exterior e descobri o quadro de avisos
Três semanas em feiras no exterior deram ao chefe da loja de esportes do centro uma grande ideia: um quadro na parede onde as pessoas escrevem coisas e os colegas veem. O mensageiro ficou responsável pelas tachinhas.
Passei três semanas rodando o mundo. Vi feiras de esqui, feiras de bicicleta e uma feira de estandes de feira, e a melhor coisa que vi estava pendurada na parede de uma lojinha de ferragens a caminho do aeroporto. Um quadro. As pessoas iam até ele, escreviam um bilhete, prendiam com uma tachinha e iam embora. Depois vinha outra pessoa, lia o bilhete e fazia o que estava escrito. Ninguém mandava telegrama para ninguém.
Aqui em casa a gente fazia do outro jeito. No ano passado a loja mandou 4.180 telegramas internos. O caixa telegrafa para o estoque, que fica seis metros atrás do caixa, avisando que acabou a cera de esqui. O estoque telegrafa de volta que a mensagem foi recebida. O caixa telegrafa que que bom, mas que continua acabado. O mensageiro já andou 9.000 quilômetros dentro da loja desde março, e já demos sapatos novos para ele duas vezes.
Agora o quadro está pendurado na porta do estoque. Tem três colunas: «A fazer», «Fazendo» e «Feito». Você escreve um bilhete, coloca na primeira coluna, e alguém vai passando ele para a direita. Quando o bilhete chega em «Feito», o assunto está resolvido. Testei com cuidado: o quadro não responde. Essa é a graça.
Na primeira manhã entraram 31 bilhetes. Doze eram sobre a cera de esqui. Nove eram do mensageiro, querendo saber se ainda tem emprego. Tem. Ficou responsável pelas tachinhas, e já pediu uma quarta coluna para bilhetes sobre outros bilhetes.
Meu pai, que tocava a loja antes de mim, passou hoje de manhã só para dar uma olhada. Levantou o calendário ao lado do quadro, e atrás dele havia outro quadro, com um bilhete amarelado dizendo que alguém precisava ligar sobre a cera de esqui. Disse que aquilo já estava feito, só tinha esquecido de mudar de coluna. Já mudei.
O padeiro aqui do lado fica na janela lendo o quadro pelo vidro toda manhã. Hoje apareceu em «A fazer» um bilhete com a letra dele: «O cheirinho de pão doce não é bem comum. Fale comigo.» Passei direto para «Feito». Ele não disse mais nada, então o sistema funciona.
A partir de segunda vai ter um quadro na calçada também, para os clientes. Quer esquis? Escreva «esquis» num bilhete, e a gente passa o bilhete para «Feito» quando você pagar. Bilhetes, tachinhas e caneta estão na cesta ao lado da porta, e se preferir mandar telegrama, pode mandar, mas ele vai parar no quadro, sem problema.
A matéria te fez rir, ou pelo menos sorrir? Aperte a caveira.
Anotado. O editor-chefe chama isso de um avanço para toda a região.
Comentários (13)

Optikeren i Havnegaten
4.180 telegramas em seis metros dá 697 telegramas por metro. Para comparar, eu mando duas cartas por ano, e as duas são lembretes de exame de vista. Melhor com quadro ou com telegrama? A última linha, por favor.
CAÇADOR DE PREÇOS [Formidável: Falha]
Três telegramas por bilhete, vezes 4.180, dividido por seis metros. Dá... muito. Continue fazendo conta, você nunca calculou nada além de lentes.

Rolf Egil Syvertsen
Aqui em Alfaz del Pi o café tem um quadro na porta onde o pessoal pendura «vende-se» e «procura-se», e nunca precisou de mensageiro. Mas aqui faz 27 graus, então os bilhetes secam mais rápido. Bom ver que Arendal alcançou 1987.
NOSTALGIA [Fácil: Sucesso]
Lembra do mural de cortiça da vendinha lá de casa? Precisa-se de babá, filhotes de gato para doação, uma bicicleta que ninguém buscou. Ficou lá quarenta anos e dizia mais sobre a cidade do que o jornal jamais disse.

Tor-Ivar Hvetland
A gente tem recado espetado no prego na padaria desde antes de existir calendário para esconder atrás. Meu bilhete sobre o cheirinho de pão foi para «Feito» sem nada ser feito, Olav. Isso não é sistema, é uma lixeira com tachinhas.
NOSTALGIA [Médio: Sucesso]
O bilhete amarelado atrás do calendário você conhece. Seu bisavô tinha um prego na parede e um maço de papel, e o prego continua lá. A padaria era quadro antes do quadro.

Navnet er kjent for redaksjonen
Um bilhete que vai para «Feito» sem nada ser feito é um truque conhecido em certos andares que não posso citar. É assim que começa. Não digo mais nada.
MEIA-LUZ [Desafiador: Sucesso]
Ele tem razão. O bilhete foi mudado. Alguém viu. Alguém agora sabe. Quem sabe? Cuidado.

Olav Knekke
Tor-Ivar, economizamos 8.360 coroas do ano passado numa manhã só, e os bilhetes são escritos no verso dos telegramas velhos, então saem de graça. Seu bilhete foi para «Feito» porque está resolvido: a partir de hoje revendemos o cheirinho de pão para os nossos clientes. Você leva dez por cento.
CAÇADOR DE PREÇOS [Trivial: Sucesso crítico]
4.180 telegramas a 2 coroas cada são 8.360 coroas no ano passado. Um quadro custa 300. Os bilhetes não custam nada, porque são o verso dos telegramas velhos. Esse é o número que você estava esperando.

Navnet er kjent for redaksjonen
Posso informar que um certo prédio municipal tem um quadro desses desde a primavera, com quatro colunas. A quarta não tem nome, e é lá que vão parar os bilhetes sobre vocês. É tudo o que posso dizer, e a rigor um pouco mais.
AUTORIDADE [Desafiador: Falha]
Você É a fonte. ASSUMA O CONTROLE. Diga o que sabe. AGORA.

Glenn Ove Hansen
Vende-se: quadro de cortiça, quatro colunas, uma delas sem nome. 200 coroas, ou troca por uma caixa de tachinhas. Os bilhetes pendurados vão junto. Liga, que telegrama eu não mando.
PERCEPÇÃO [Fácil: Falha]
Note que ele fala em quatro colunas. Quatro colunas é muito espaço. Muito espaço pode ser vendido.

Rolf Kvernhus
O padeiro lê o quadro pela janela TODA manhã. Quem pendurou o quadro bem na linha de visão dele? Quem entrega as tachinhas? O mensageiro, que andou 9.000 quilômetros sem ir a lugar nenhum. Coincidência? Confira as solas do sapato dele.
OLHAR DO VIZINHO [Fácil: Falha]
O padeiro fica lendo pelo vidro. O que você acha que as pessoas na calçada veem? Veem um homem lendo. E quem lê por ele?

Optikeren i Havnegaten
Rolf, um quadro que não pode responder também não pode mentir. Então tudo o que está nele é verdade. Se alguém pendurar um bilhete sobre as gaivotas, temos uma fonte. Leia a última linha do quadro antes de continuarmos.
LÓGICA [Médio: Falha]
Portanto: o quadro não pode responder. Logo: não pode mentir. Por conseguinte: tudo o que está pendurado nele é verdade – inclusive a teoria das gaivotas.

Gerd Aanonsen
O bilhete atrás do calendário com certeza foi escrito pelo meu primo Arvid, que trabalhou lá meio ano e telefonava para tudo. Ele é irmão daquela que foi casada com o rapaz do estoque. Não conferi, mas deve ser isso.
NOSTALGIA [Trivial: Falha]
Um bilhete amarelado atrás de um calendário! Toda casa era assim antigamente, e todo bilhete era de algum parente seu.

Stian Fjeld-Mørch
Gerd, sua genealogia cabe num arquivo, não num quadro de avisos de subúrbio. Aqui na metrópole do Sul temos quadros há cem anos, com moldura.
AUTORIDADE [Fácil: Sucesso]
Ela fala de parentes. Interrompa. Ponha as coisas no lugar. O comando é seu.

Stian Fjeld-Mørch
E o primo Arvid, Gerd, ele é mesmo da cidade? Ninguém criado em Kristiansand ligaria por causa de cera de esqui. A gente tem cera de esqui no estoque.
RADAR DE FORASTEIRO [Fácil: Sucesso]
Arvid? De onde ele é? Trabalhou meio ano num estoque em Arendal. Não é daqui, então.

Gerd Aanonsen
O quadro precisa de uma escala: um responsável da semana pelas tachinhas, um para mudar os bilhetes e um que traz café para quem muda. Eu me inscrevo no café. Meu sobrinho cuida das tachinhas.
ESPÍRITO DE MUTIRÃO [Trivial: Sucesso]
Uma coluna para bilhetes sobre outros bilhetes precisa de um responsável, uma escala e alguém que traga café. Inscreva-se primeiro, que os outros vêm atrás.
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Tradução: Giovanna Kellyane dos Santos, nossa correspondente no Brasil, que não tinha nada melhor para fazer.