Sátira Cultura
Hotel em Fevik agora vende ingresso para os lugares do lado de fora da janela
Um ator de TV dinamarquês lotou o salão de um hotel em Fevik na sexta, esgotado desde maio. O hotel quer investir mais nesse tipo de coisa, e começou pelo gramado.
Casa cheia quando um ator dinamarquês, conhecido como um senhor de idade numa série de TV sobre um hotel de veraneio, entrou no palco de um hotel em Fevik na sexta à noite. Para a nossa pequena nação, foi mais que um show. Foi uma visita de Estado da Dinamarca, e Grimstad recebeu como uma nação recebe: bem vestida, com antecedência e com ingresso comprado em maio.
Dezenas de pessoas estavam na lista de espera. Muitas vieram assim mesmo e ficaram no gramado do lado de fora dos janelões, sob uma chuva fina. Foi ali que o hotel descobriu o que o gerente de vendas agora chama de «um público reprimido».
– Eles riam meio segundo depois do salão, porque o som precisa atravessar o vidro. Mas riam. Isso é um mercado, diz um gerente de vendas do hotel.
Três classes do lado de fora
A partir da próxima apresentação, o hotel divide o lado de fora em três classes. Lugar na janela dá visão livre do palco e custa 390 coroas. Lugar no gramado dá o som das risadas e custa 240. Lugar no estacionamento, lá embaixo perto da estrada, dá vista para quem está no gramado e custa 95 coroas, guarda-chuva incluído.
Alguns lugares no gramado já foram vendidos para gente do Estado vizinho, que reclamou que não ouve as falas. O hotel responde que colocou um programa no gramado, plastificado, e que Arendal é muito bem-vinda para lê-lo.
– Um prédio que um dia foi um hotel de veraneio agora tem um hotel de veraneio dinamarquês dentro e um público norueguês fora. Fizemos história cultural em duas direções ao mesmo tempo, diz o gerente de vendas.
No sábado de manhã, os lugares no gramado para a próxima apresentação estavam esgotados. Catorze pessoas estão na lista de espera. Elas ganharam permissão para ficar lá embaixo no estacionamento, olhando quem está no gramado ouvindo as risadas, meio segundo depois.
A matéria te fez rir, ou pelo menos sorrir? Aperte a caveira.
Anotado. O editor-chefe chama isso de um avanço para toda a região.
Comentários (6)

Tarjei Kvipt
Lá estão no gramado, chuva e vento,
com programa plastificado na mão.
Nós ouvíamos a dança do monte, ao relento,
e ninguém nunca cobrou um tostão.DRAMA [Trivial: Sucesso]
(Chuva. Um gramado. Um programa plastificado.) Meu senhor, este é o terceiro ato, e o senhor está do lado errado do vidro.

Turid Solheim
Fiz as contas. Um guarda-chuva custa 89 coroas no posto, então o lugar no estacionamento em si sai por seis. É a opção cultural mais barata que já vi em Grimstad, mas não tem bolo.
CAÇADOR DE PREÇOS [Trivial: Sucesso]
95 coroas com guarda-chuva. Um guarda-chuva custa 89 no posto de gasolina. Então o lugar custa seis coroas. Faz a conta certa, Turid.

Kai Robert Tønnessen
Não comprei ingresso em maio porque ninguém me avisou em abril que eu devia. Exijo que o hotel peça desculpas a todos que não planejam com tanta antecedência. A reclamação número 32 ao conselho de ética da imprensa foi enviada.
LEI DE JANTE [Fácil: Falha]
Comprado em maio. Quem eles pensam que são? Quem o DINAMARQUÊS pensa que é? E quem você pensa que é, que não comprou?

Abdirahman Warsame
Mano, visita de Estado da Dinamarca é quando a Rainha da Dinamarca chega de navio, não um ator com ingresso. Já fiquei em Pollen esperando os dois. Mas respeito ao hotel, chefe.
ENCICLOPÉDIA [Trivial: Sucesso]
Na verdade: visita de Estado exige um chefe de Estado. Na verdade: o navio real já esteve em Pollen mais vezes que qualquer ator dinamarquês. Na verdade, você estava lá todas as vezes.

Ida Sørensen-Nyhus
Já escrevi sobre isso (Sørensen-Nyhus, 2025): o público do gramado não ri do espetáculo. Ri do salão rindo. É cultura de segunda mão, e é na verdade mais democrática.
LÓGICA [Médio: Sucesso]
Logo: o som atravessa o vidro. Portanto: a risada vem depois. Consequentemente: o gramado não ri do ator, ri do salão.

Ingeborg Tellefsen
Ida, cultura de segunda mão não é novidade. Já em 1897 o povo da roça ficava em Fevik do lado de fora das janelas dos veranistas ouvindo o piano. Não pagavam nada. Está na minha caixa de sapato.
NOSTALGIA [Médio: Sucesso]
Lembra dos veranistas em Fevik, de roupa branca no gramado? Até quem ficava do lado de fora naquele tempo ficava mais elegante que o povo sentado hoje.
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Tradução: Giovanna Kellyane dos Santos, nossa correspondente no Brasil, que não tinha nada melhor para fazer.
