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Nova ciclovia em Homborsund só pode ser inaugurada quando o musical sobre a história do vilarejo chegar até ela – o ensaio geral está por enquanto em 1740

Nossa pequena nação inaugura na segunda-feira uma nova ciclovia com calçada, e comemora com um musical no ponto de descanso da estrada. A peça conta a história do vilarejo desde o começo, e a fita só pode ser cortada na última cena.

Por Ingolf Grimstadius · quarta-feira, 30 de setembro de 2026 às 15h08

Um homem de suéter cinza abre os braços num palco improvisado num ponto de descanso, enquanto um sanfoneiro toca. Ciclistas esperam diante de uma fita sobre a nova ciclovia, um deles com um forcado, e um diretor com uma cabeça de vaca debaixo do braço pede que esperem.
O ensaio geral na quarta à tarde. O homem de suéter é a calota de gelo e, segundo o diretor, recuou no ritmo certo. Ilustração: Gunnar Skravur (IA)

O clima está animado em Homborsund esta semana. A nova ciclovia está asfaltada, pintada e pronta, e o vilarejo escreveu seu próprio musical para a inauguração, apresentado no ponto de descanso da estrada com atores de verdade, uma sanfona e uma caixa de som emprestada.

A peça conta toda a história do vilarejo, na ordem certa. Essa foi uma exigência inegociável do autor, um professor aposentado que acha que uma estrada sem passado é só um estacionamento comprido. A última cena é a própria inauguração, em que a fita é cortada de verdade.

Na quarta-feira houve o ensaio geral. Começou pontualmente às dez, com um homem de suéter cinza atravessando devagar o ponto de descanso no papel da calota de gelo. Ao meio-dia o gelo recuou. Às três chegaram os primeiros colonos. Quando o local fechou à noite, a peça tinha chegado a 1740, e um fiscal da alfândega acabava de ganhar uma canção própria de sete estrofes.

– Enxugamos o que deu. O século XVII inteiro virou uma canção só, e pulamos três das quatro vezes em que a casinha do quintal foi mudada de lugar, diz o diretor, que ao mesmo tempo interpreta os dois práticos do porto e uma vaca.

Pelo plano, a fita será cortada na segunda-feira ao meio-dia. No ritmo do ensaio geral, o diretor calculou que a peça chega à nova ciclovia em algum momento da quinta-feira seguinte, desde que ninguém peça bis durante os construtores de navios.

Os ciclistas estão levando tudo com a calma do sul da Noruega. Vários já estacionaram as bicicletas na barreira e ganharam papéis de figurante para passar o tempo. Um trabalhador que ia para Fevik está fazendo papel de camponês desde o almoço e na quarta à tarde foi promovido a meirinho.

– Uma hora se ajeita. Nunca estive tão perto de chegar ao trabalho, diz ele.

O maior problema, porém, é a própria estrada. O último ato conta como ela foi construída, e o autor decidiu que o período de obras será encenado em tempo real. A empreiteira foi avisada de que precisa levar uma escavadeira ao palco para o que deve ser um intervalo de um ano e meio.

No Estado vizinho de Arendal as estradas ainda são inauguradas sem música, e todos sabemos no que deu. Nossa pequena nação escolhe a cultura, mesmo quando demora um pouquinho.

Comentários (6)

  1. Student_UiA

    Para constar: se a peça seguir as fontes, vêm três décadas de pesca de arenque no século XIX que ninguém teve coragem de encurtar desde então. Escrevi um trabalho sobre isso. Contem que quinta vira sexta.

  2. Student_UiA

    Vejo que ninguém me contestou, e interpreto isso como sinal de que ninguém leu meu trabalho. Está disponível. Estou esperando.

    1. Wenche Olsen

      Que ótimo que você escreveu um trabalho, querido. Reparei que o homem que faz a calota de gelo está com o mesmo suéter cinza do baile da comunidade do ano passado. Tenha um ótimo dia.

  3. Lompe_Anonym

    Se alguém fizer o papel de quiosque na peça, eu quero pedir. Pode comprar de um ator, ou tem que esperar o intervalo em 1800?

    1. Sindre Kvåle Moderador

      É um bom argumento que alguém precisa fazer o papel de quiosque, e não vejo por que ele não possa ficar aberto durante toda a obra. Nesse caso, é um programa cultural.

  4. Sindre Kvåle Moderador

    Um ano e meio não é muito tempo para uma estrada. Muitos de nós já esperaram mais por menos, e aí nem ganhamos uma canção.

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Tradução: Giovanna Kellyane dos Santos, nossa correspondente no Brasil, que não tinha nada melhor para fazer.

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