Sátira Notícias
Grimstad quer trocar os fogos de artifício por uma leitura deles em voz alta
Mais de 300 pessoas assinaram em poucos dias um pedido de proibição total de fogos de artifício em Grimstad. O setor de cultura já tem uma alternativa pronta: um servidor que lê os foguetes em voz alta na escadaria da prefeitura à meia-noite.
Foram férias de outono tranquilas na nossa pequena nação, e agora muita gente quer que continue assim até bem depois do Ano-Novo. Um morador tomou a iniciativa de pedir a proibição total de fogos de artifício em todo o município, e mais de 300 aderiram em poucos dias. Em Grimstad, isso é quase um plebiscito.
A proposta ainda não foi analisada. Mas um técnico do setor de cultura escreveu, por conta própria, uma alternativa para a festa de Réveillon, caso a proibição passe. O documento se chama «Fogos de artifício, lidos» e tem quatro páginas.
– À meia-noite em ponto, um servidor sobe na escadaria da prefeitura e lê: «Um foguete verde sobe sobre o Groosebekken. Ele se divide em doze. Faz bum, mas não alto.» O pessoal tem a experiência completa, só que em tom de conversa normal, diz o técnico.
Testado na sala de reunião
A leitura foi testada numa sala de reunião na sexta. Segundo a ata, três de sete disseram «uau» na hora certa, e uma pessoa tapou os ouvidos por força do hábito. Outra pediu que a bateria de 36 tiros fosse lida um pouco mais devagar, para dar tempo de imaginar todos.
Depois de cada foguete há uma pausa de quatro segundos, e depois do grand finale meio minuto, para o público poder ficar olhando a fumaça que não existe.
O Estado vizinho, Arendal, não se pronunciou. Numa noite de Réveillon limpa, dá para ver de Grimstad os fogos de Arendal no horizonte, e o técnico observa que a nossa pequena nação não pode proibir o que acontece em outro país. Só pode ler direitinho, com dois segundos de atraso.
No sábado, o setor de cultura já tinha recebido os primeiros pedidos. Uma associação de moradores de Fevik quer a leitura na própria festa de Ano-Novo, e um pai em Landvik perguntou se pode recebê-la já em dezembro, para as crianças dormirem às nove e mesmo assim terem visto tudo.
A matéria te fez rir, ou pelo menos sorrir? Aperte a caveira.
Anotado. O editor-chefe chama isso de um avanço para toda a região.
Comentários (4)

Kjell Frank
Esse documento não é novo. Estava numa pasta no porão da prefeitura em 1987, e na época tinha cinco páginas, com uma página só para bombinhas. Eu não disse nada. Talvez fosse outro documento. Ou outro porão.
ENCICLOPÉDIA [Impossível: Falha]
Na verdade, «Fogos de artifício, lidos» estava numa pasta em 1987, com cinco páginas, e foi a quinta página que derrubou tudo. Fala, Kjell. Alguém precisa saber.

Bjørnar Skuland
Kjell, esquece 1987. Diz aí que três de sete disseram «uau» na hora certa. Quem escreveu a ata não estava entre eles, porque estava escrevendo. É sempre o secretário da reunião que perde os fogos.
PERCEPÇÃO [Trivial: Sucesso crítico]
Repare: três de sete disseram «uau». Quem escreveu a ata não pode ter sido um deles. Estava escrevendo.

Halvor Jortveit
Arendal solta foguete sobre o nosso horizonte em todo Ano-Novo sem pedir licença. Se é para ler em voz alta, os foguetes de Arendal deviam ser lidos com dois segundos de punição, como a troca de bastão de 1962 devia ter sido julgada. Eu corri a terceira perna. Eu sei o que são dois segundos.
RADAR DE FORASTEIRO [Impossível: Falha]
Olha quem solta foguete sobre o teu horizonte sem mostrar passaporte, Halvor. Arendal. Todo ano. Exija que sejam lidos com punição.

Wenche Olsen (72)
Querido Halvor, você não explicou por que fica olhando os fogos de Arendal em todo Ano-Novo, se gosta tão pouco deles. Só estou perguntando. Eu me mudei de Grimstad em 1979 e não olhei para trás em nenhum Réveillon.
RETÓRICA [Médio: Sucesso]
Ele não respondeu a única coisa que importa: por que ele fica olhando os foguetes de Arendal todo santo ano? Pega ele nisso.
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Tradução: Giovanna Kellyane dos Santos, nossa correspondente no Brasil, que não tinha nada melhor para fazer.
