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Pescador de Risør finalmente consegue provar uma história. O banco do cais achou chata
Um pescador de Risør ligou para o Instituto de Pesquisa Marinha por causa de uma captura em que ninguém acreditou. Era verdade, e agora ele tem uma prova carimbada e ninguém que queira ouvir.
O banco abaixo da Strandgata, em Risør, tem lugar para quatro, e tem os mesmos quatro há tanto tempo quanto qualquer um na padaria consegue lembrar. Três deles contam histórias. O quarto pesca lagosta perto do farol de Stangholmen há mais de quarenta outonos e nunca enfeitou nada, e o banco sempre o considerou o elo mais fraco.
– Uma história tem que ser pelo menos um terço mentira para ser contada duas vezes. Isso não está escrito em lugar nenhum, mas é a regra, diz um dos três que contam, que senta na ponta do banco desde que entregou o barco.
Na semana passada ele subiu do cais com uma lagosta no covo e algo diferente no olhar. O que ela era, não vamos dizer aqui. O Instituto de Pesquisa Marinha pediu para dizer isso ele mesmo, e usou a expressão «uma vez na vida».
Aí ele ligou para alguém que podia conferir. O pesquisador em Flødevigen que atendeu disse ao Agderposten que não acreditou no pescador. Ao Agderpesten, o instituto explica que tem um formulário próprio para comunicações vindas de Risør, e que o primeiro campo já vem marcado como «improvável».
– Recebemos comunicações daquela costa há muitos anos. Serpentes marinhas, um linguado maior que o barco, uma cavala que sabia contar. Nunca precisamos sair do escritório, explica um assessor do instituto.
Desta vez saíram. O pesquisador chegou a Risør de barco e desceu ao cais com fita métrica, câmera e um colega que ia testemunhar que ninguém acreditava. Depois de vinte minutos, ligou para o escritório e pediu que rasgassem o formulário.
O pescador levou uma prova para casa: um certificado de captura com o carimbo do instituto, data, hora e medidas. Mandou plastificar com um conhecido em Tangen e carrega no bolso de dentro da capa de chuva.
É aí que o problema começa.
– Ele subiu aqui e pôs o papel no banco. Aí leu em voz alta para nós. Com as medidas, diz o homem da ponta, olhando para Solsiden como se tivesse sido ali que tudo deu errado.
O banco ouviu por quatro minutos. Aí um deles perguntou pelo linguado, e o homem da ponta teve que contar de novo aquela, a do peixe maior que o barco. Dura meia hora, e ninguém nunca pediu para ele mostrar papel nenhum.
– História com carimbo não é história. É relatório, diz o homem da ponta. Ele acha que era melhor antes, quando o pescador era chato sem papelada.
Desde então o pescador tentou mais três vezes. Leu o certificado em voz alta, mostrou as fotos do cais, e na quinta-feira levou o colega de Flødevigen, que testemunhou que ninguém tinha acreditado. O banco achou a testemunha a melhor parte da história toda, mas foi para casa jantar antes de a testemunha terminar.
Na sexta de manhã, ele fez pela primeira vez o que os outros três fizeram a vida inteira. A lagosta estava um centímetro maior do que no certificado. Na segunda já eram dois, e ela tinha ganhado um olhar que ele não consegue descrever direito. O banco voltou a escutar, e chegou um quarto de assento mais perto.
Na terça, o Instituto de Pesquisa Marinha ligou para perguntar qual medida devia entrar no banco de dados. O pescador respondeu que depende de quem pergunta.
A matéria te fez rir, ou pelo menos sorrir? Aperte a caveira.
Anotado. O editor-chefe chama isso de um avanço para toda a região.
Comentários (4)

Abdirahman Warsame
Tô no cais de Pollen esperando o navio real todo verão há doze anos, chefe. Ninguém acredita que ele vem. Não preciso de certificado, eu sei.
CALMA SULISTA [Trivial: Sucesso]
Baixa o pulso. A bandeira pode ficar mais um dia, já ficou antes. O navio real chega quando chegar, e você vai estar lá de qualquer jeito.

Bjørnar Skuland
Reparem que o formulário já vinha marcado. Então alguém em Flødevigen imprimiu uma pilha. Eu passo de veleiro pelo escritório, e a luz da sala da copiadora está sempre acesa.
PERCEPÇÃO [Fácil: Sucesso]
Repare que o campo estava marcado antes do telefone tocar. Ninguém marca um formulário só de antemão. Tem uma pilha numa gaveta.

Ola Tveit
Plastificado. Diz tudo.
LEI DE JANTE [Fácil: Falha]
Plastificado. Quem ele pensa que é? Fala na lata, e fala curto.

Arvid Holmesland
Ninguém muda um banco de lugar um quarto de assento sem pedir à associação de moradores. Eu medi a distância entre os bancos de Langbrygga, e é igual o tempo todo. Alguém em Risør devia ter uma conversa com eles antes que o povo comece a falar.
OLHAR DO VIZINHO [Impossível: Falha]
Um quarto de assento mais perto. O que vão dizer, quatro homens adultos tão juntinhos num banco? Alguém viu de Solsiden. Fala antes que eles falem.
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Tradução: Giovanna Kellyane dos Santos, nossa correspondente no Brasil, que não tinha nada melhor para fazer.
