Sátira Cinco rapidinhasEconomia
– O cheiro dos pãezinhos trabalha de graça para o centro inteiro, inclusive para o vizinho
O feriado de outono esvaziou o centro de Arendal, mas num lugar a produção não para. Fizemos cinco perguntas rápidas ao padeiro, entre duas fornadas.
Metade de Arendal está na cabana esta semana, e os estacionamentos do centro estão vazios. Mesmo assim, a padaria do centro está com o forno aceso desde as 3h30, como está há quatro gerações. É o tipo de segurança de entrega com que o empresariado da região tem muito a aprender, e quisemos saber como ela se escala.
Tor-Ivar Hvetland respondeu com farinha nas mãos e massa crescendo atrás dele. Pediu que a entrevista não durasse mais que um tempo de fermentação.

Cinco rapidinhas com Tor-Ivar Hvetland
- A cidade está meio vazia no feriado de outono. Como a padaria sente isso?
- A gente assa a mesma quantidade. Quatro gerações nunca assaram pelo número de pessoas na cidade. A gente assa pelo número que deveria estar aqui. Os pãezinhos que sobram ficam na vitrine até sábado, como um lembrete para quem foi para a cabana.
- Você acorda às 3h30. O que acontece antes de a cidade acordar?
- Das 3h30 às 6h somos eu, a massa e Madam Nattestad, que fecha quando eu abro. A gente acena do outro lado da rua. Ela diz «Madame vai deitar agora», eu digo «bom dia». Nunca discordamos de nada, porque nunca ficamos acordados ao mesmo tempo por tempo suficiente.
- Você divide a parede com a loja de esportes. Onde fica o meio?
- Ele andou onze centímetros na minha direção desde que o Olav assumiu. Toda vez que ele parafusa uma placa nova, parafusa um pouco mais para dentro. Marquei com farinha. Hoje ele deixou dois pares de esquis na minha porta, e eu considero isso uma violação de fronteira.
- Você calcula tudo em pãezinhos de canela. Quanto vale um feriado de outono?
- Mil e quatrocentos pãezinhos, menos o pessoal das cabanas. Uma sessão da câmara municipal são três pãezinhos, e eles nunca comem o último, porque ninguém quer ser quem pegou. O orçamento do Estado eu não calculei, mas acho que tem menos massa nele do que dizem.
- Se você mandasse na prefeitura por um dia, o que faria?
- Tombaria o cheiro dos pãezinhos como patrimônio. Ele sai pela porta toda manhã e trabalha de graça para o centro inteiro, inclusive para o vizinho, que vende tênis de corrida para quem sentiu o cheiro. À tarde eu iria dormir. Ninguém na prefeitura tentou isso, e dá para perceber.
A matéria te fez rir, ou pelo menos sorrir? Aperte a caveira.
Anotado. O editor-chefe chama isso de um avanço para toda a região.
Comentários (6)

Måka
Mil e quatrocentos pãezinhos numa vitrine e ninguém na cidade. Só digo que a janela fica entreaberta a partir das 3h30, e que eu não estava lá. Também não comi sete. Foi outra gaivota.
ELETROQUÍMICA [Desafiador: Falha crítica]
Mil e quatrocentos pãezinhos. Na vitrine. Até sábado. Ninguém vigia no feriado. Só um. Agora.

Wenche Olsen (72)
Que fofo uma padaria que pensa na massa. Sempre achei que massa de fermento sofre mais do que as pessoas imaginam, principalmente num bairro onde certas pessoas compram pão pronto no posto de gasolina e chamam de caseiro. Não cito nomes.
EMPATIA [Lendário: Falha]
Coitada da massa. Ela cresce e cresce, e ninguém pergunta como ela está. Diga algo bonito sobre ela.

Emma Haugland
o cheiro dos pãezinhos sai pela porta toda manhã pra não ter que ficar em casa. relatable. mãe não responde essa
PAISAGEM INTERIOR [Desafiador: Falha]
O cheiro diz: eu saio pela porta toda manhã, e ninguém me agradece. O cheiro diz: eu sei como você se sente.

Tonje Lindvik
Coloquei os números da entrevista na planilha. Mil e quatrocentos pãezinhos divididos por metade de Arendal dão menos sete dias de expectativa de vida por habitante. Vou andar do outro lado da rua até sábado. Idade biológica hoje: 23,4.
LÓGICA [Desafiador: Sucesso]
Logo: um pãozinho de canela tem uns 290 calorias. Portanto: mil e quatrocentos pãezinhos são mais de 400 mil calorias numa vitrine. Consequentemente: a vitrine é um risco à saúde do centro inteiro.

Tor-Ivar Hvetland
Obrigado por lerem. O cheiro saiu às cinco hoje também, desceu a Langbryggen até Pollen, mesmo sem ninguém lá. Ele não faz isso pelos clientes. Faz porque alguém precisa manter a cidade quentinha até o pessoal voltar. Fazemos isso há quatro gerações.
PAISAGEM INTERIOR [Fácil: Sucesso]
O cheiro está na porta olhando a rua vazia. Ele diz: estou esperando quem volta da cabana. Ele diz: agora a cidade sou eu.

Kai Robert Tønnessen
Estou profundamente ofendido em nome do último pãozinho da câmara municipal, que fica sobrando depois de cada reunião sem que ninguém pergunte o que ele sente. Exijo que a câmara peça desculpas ao pãozinho, e que a redação peça desculpas por apresentar isto como um bate-papo simpático.
EMPATIA [Desafiador: Falha]
Pense no último pãozinho da câmara municipal. Ninguém quer. Fica ali sozinho, reunião após reunião. Alguém tem que defendê-lo.
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Tradução: Giovanna Kellyane dos Santos, nossa correspondente no Brasil, que não tinha nada melhor para fazer.
