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Ônibus de Stoa agora passa por dentro da nova concessionária

A concessionária que está construindo um novo complexo em Stoa diz que o grande investimento está dentro do cronograma para a inauguração em abril. O ônibus também está. Ele atravessa o salão de exposição desde agosto.

Por Torunn Vik-Hansen · domingo, 11 de outubro de 2026 às 07h08

Desenho de um ônibus antigo parado dentro de um salão de carros inacabado, com o telhado ainda em andaime. O motorista de quepe olha o relógio. Num balcão redondo de recepção está um vendedor de colete com uma xícara de café, ao lado de um homem magro com um topete. Em primeiro plano, um homem barbudo de óculos redondos e capa de chuva olha para cima, intrigado. Dos lados há fileiras de carros cobertos com lonas.
O ponto «Exposição» na sexta de manhã. O vendedor da recepção aprendeu a manter o café do lado certo da faixa. Ilustração: Gunnar Skravur (esboço – a versão final nunca virá) (IA)

Às 7h42 de sexta-feira o ônibus sai da rotatória de Stoa, entra pela parede aberta do novo complexo automotivo e passa por duas fileiras de carros de exposição embrulhados em plástico. Ele para onde vai ser a recepção. O motorista abre as portas. Ninguém desce, ninguém sobe. Depois de quarenta segundos ele fecha de novo e sai pela doca de carga nos fundos.

– Estamos dentro do cronograma – diz ele.

Foi isso que o gerente de obras também disse quando a concessionária apresentou esta semana o andamento do grande investimento em Stoa: prédio novo, mais funcionários, duas marcas novas e inauguração em abril. O Agderpesten pode confirmar que a frase tem total cobertura. O prédio fica bem no meio da linha de ônibus.

Segundo o processo de obra, o terreno foi desenhado com base num mapa antigo de Stoa, de antes de uma das rotatórias mudar de lugar. Quando chegou o mapa novo, o ônibus passava exatamente onde ia ficar a entrada principal. A concessionária e a empresa de ônibus concordaram rapidinho que nenhuma das duas pretendia sair do lugar, e que o resto o arquiteto resolvia.

O arquiteto resolveu com dois portões, um de entrada pela rotatória e um de saída para o depósito. Entre eles há uma faixa amarela pintada no piso novo, exatamente da largura de um ônibus e um retrovisor.

O ponto se chama «Exposição»

O motorista faz esse trajeto há 31 anos e viu Stoa crescer em volta do volante. Primeiro eram campos, depois um shopping, depois três rotatórias seguidas. Agora é um salão de carros.

– Eu dirijo por onde a estrada vai. É para isso que me pagam. Se a estrada passa por dentro de uma loja de carros, eu passo por dentro de uma loja de carros. Não pedi licença, e ninguém me perguntou nada – diz ele.

O ponto dentro do salão aparece na tabela de horários como «Exposição». Tem banco, tabela de horários e uma placa pedindo aos passageiros que não deixem coisas em cima do capô. O ônibus está tão adiantado que toda vez precisa esperar quarenta segundos na recepção para não chegar cedo demais ao próximo ponto.

Eu dirijo por onde a estrada vai. É para isso que me pagam.

O motorista

Para o comércio de Stoa os números são impressionantes. O ônibus atravessa o complexo 64 vezes por dia, com em média onze passageiros sentados de frente para os carros por quarenta segundos a cada vez. Convertido em tempo de vitrine, isso dá ao salão mais atenção numa terça-feira qualquer do que todo o setor automotivo de Kristiansand recebe num sábado – antes mesmo de a porta abrir.

Três passageiros já reservaram carro do próprio assento. Um deles pediu um test drive e conseguiu: ficou no ônibus até o ponto final e voltou, e diz que não sentiu diferença nenhuma.

Desenho de um passageiro de óculos redondos e avental que se debruça na janela do ônibus, com a mala debaixo do braço, assinando um formulário numa prancheta. Quem segura a prancheta é um vendedor animado de chapéu-coco e sobretudo. Atrás dele, um homem de suéter de tricô observa, e ao fundo há um carro coberto por uma lona.
A reserva foi assinada em quarenta segundos. O comprador fez o test drive até o ponto final e voltou, e diz que não sentiu diferença nenhuma. Ilustração: Gunnar Skravur (IA)

O café é entre um ônibus e outro

Os funcionários já se adaptaram. A pausa do café é entre um horário e outro, e os vendedores aprenderam de que lado da faixa amarela devem ficar. Aprenderam também que um cliente que entra no ônibus no meio da conversa raramente volta antes de vinte minutos, e geralmente pelo lado contrário.

À noite, quando o salão está vazio e as luzes do teto apagadas, o último ônibus atravessa só com os faróis. A luz varre os carros embrulhados, um por um, e a recepção vazia onde ainda não há ninguém. O motorista espera seus quarenta segundos no escuro. Ele diz que é o trecho mais bonito da linha inteira.

Desenho de um ônibus antigo com os faróis acesos atravessando devagar um salão de carros comprido e vazio, com vigas no teto e luminárias penduradas. A luz cai sobre fileiras de carros cobertos com lonas. O motorista de quepe está sozinho ao volante. Em primeiro plano, um homem robusto de capa de chuva, com uma pinta na bochecha, olha para cima preocupado.
Último horário, 23h12. O zelador do salão sabe a tabela de horários de cor e sai do caminho um minuto antes. Ilustração: Gunnar Skravur (IA)

– Lá não tem rotatória – diz ele.

O gerente de obras diz que a inauguração em abril está mantida, e que o ônibus continua bem-vindo depois disso. Na tabela de preços publicada na sexta-feira ele já aparece, como carro de demonstração: usado, rodado, mas com revisão toda noite há 31 anos e nunca atrasado. O preço ainda não foi definido. O motorista diz que não está à venda.

Comentários (5)

  1. Rolf Kvernhus

    O ônibus espera quarenta segundos no salão. Por quê? Porque a rotatória lá fora não está onde estava. Medi com trena três noites seguidas, e ela andou na direção da concessionária todas as vezes. Não é o ônibus que entra no salão. É o salão que está sendo contornado. Coincidência? Acho que não.

    LÓGICA [Fácil: Falha]

    Logo: o terreno foi desenhado num mapa de antes de a rotatória mudar. Portanto: a rotatória se mexe. Consequentemente: o ônibus espera quarenta segundos porque está esperando a rotatória voltar.

    1. Optikeren i Havnegaten

      Rolf, antes de falarmos de trena: quem aprovou isso afinal? O motorista não perguntou, e ninguém perguntou a ele. Escrevi para a prefeitura pedindo que olhem o caso com outros olhos. Disse também que tenho horário livre em fevereiro.

      AUTORIDADE [Médio: Sucesso]

      O MOTORISTA NÃO PEDIU LICENÇA. Ninguém perguntou a ele. Alguém tem que assumir a responsabilidade aqui, e é você. Fale.

  2. Optikeren i Havnegaten

    Olhei o desenho. A placa no ponto diz para não deixar coisas em cima do capô. Não diz nada sobre o teto, e é ali que eu deixaria meus óculos se fosse olhar carros por quarenta segundos. Alguém devia ler a última linha dessa placa.

    PERCEPÇÃO [Fácil: Sucesso]

    Repare: a placa no ponto pede para não deixar coisas em cima do capô. Não diz nada sobre o teto.

  3. Halvor Jortveit

    Naquele tempo o ônibus de Grimstad ia direto até a corrida de patinação em Arendal, e a gente ia com os patins no colo o caminho todo. Ninguém pensou em parar. Só digo que teria sido bom alguém ter parado aquele ônibus, porque a terceira perna não foi nada bem.

    NOSTALGIA [Fácil: Sucesso]

    O ônibus atravessando o salão. Lembra do cheiro do ônibus quando você era jovem, Halvor – borracha, luvas molhadas, e todo mundo indo para o revezamento em Arendal?

  4. Torbjørn Knekke

    Um carro de demonstração que já fez 725 mil viagens e teve revisão toda santa noite não é carro de demonstração. É o único veículo do salão com histórico comprovado. Não ponha preço nele. As pessoas pagam mais pelo que não conseguem comprar.

    CAÇADOR DE PREÇOS [Fácil: Sucesso]

    Carro de demonstração sem preço. 31 anos, 64 viagens por dia, revisão toda noite. São 725 mil viagens, Torbjørn. Continue a conta antes de falar.

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Tradução: Giovanna Kellyane dos Santos, nossa correspondente no Brasil, que não tinha nada melhor para fazer.

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