Agderpesten NO

Sátira Economia

Caixa aposentada ensina Arendal a segurar uma nota de cem

Um banco vai fechar o aplicativo e o internet banking por três dias e pede aos clientes que tenham dinheiro vivo à mão. A biblioteca montou um curso para quem não sabe como se faz isso.

Por Torunn Vik-Hansen · quinta-feira, 8 de outubro de 2026 às 13h09

Uma senhora severa de óculos e avental está atrás de uma caixa de madeira aberta numa mesa da biblioteca, erguendo uma cédula. Três alunos estão sentados em volta: um homem de barba ergue a nota contra a lâmpada e aperta os olhos, uma mulher robusta e um homem de bigode passam o dedo com cuidado sobre as notas na palma da mão. Estantes de livros ao fundo.
Primeira aula de Dinheiro vivo para iniciantes. O participante da esquerda ainda está esperando a nota carregar. Ilustração: Gunnar Skravur (IA)

Um banco avisou na quinta-feira que o aplicativo e o internet banking vão ficar fora do ar por três dias, e que os clientes devem ter dinheiro em espécie durante o período. Antes do almoço, a biblioteca de Arendal já tinha montado um curso noturno. Chama-se «Dinheiro vivo para iniciantes» e lotou em onze minutos.

Quem dá o curso é uma caixa de banco aposentada, com 41 anos atrás do balcão no centro da cidade. Ela trouxe de casa a sua própria gaveta de dinheiro e pediu que ninguém a fotografe de lado.

– Dinheiro vivo é um meio de pagamento que fica no mesmo lugar que você. Não tem login, não tem atualização e não tem atendimento ao cliente. Para muita gente com menos de sessenta anos, é uma ideia bem forte, e precisa ser tomada em doses pequenas, explica ela.

A primeira aula foi sobre segurar. Cada participante recebeu uma nota de cem e foi orientado a deixá-la parada na mão por dois minutos. Um homem de uns quarenta anos ergueu a sua contra a luz e esperou que ela carregasse. Outro tentou deslizar o dedo para cima.

Uma nota de cem já vem carregada. Esse é o produto inteiro.

Caixa de banco aposentada

A segunda aula tratou da entrega. Segundo a professora, é aí que a maioria desiste, porque é preciso olhar outra pessoa nos olhos e dizer um valor em voz alta. – Primeiro treinamos com uma cadeira. Depois passamos para a bibliotecária, diz ela.

O troco ficou para um curso avançado na semana que vem. – O mais difícil é quando alguém te devolve dinheiro. Aí você tem de contar, e tem de fazer isso com gente olhando. Nem todo mundo já passou por isso, e é preciso respeitar.

A taxa do curso é de 150 coroas. Ela é paga no aplicativo do banco, e a biblioteca informa que só fica com a vaga quem conseguir pagar antes de o aplicativo fechar. Os demais podem aparecer e pagar em dinheiro, se até lá tiverem aprendido como.

Comentários (4)

  1. Turid Solheim

    150 coroas, e nem uma palavra sobre mesa de doces. Imagino que esteja incluída, porque ninguém cobra 150 coroas por duas horas sem bolo com chantilly. Vou levar um, por via das dúvidas, aí a gente compara.

    CAÇADOR DE PREÇOS [Impossível: Falha]

    150 coroas por duas horas. São 75 coroas por hora, quase quatro fatias de bolo no bazar a 20 coroas cada. Por esse preço a mesa de doces tem de estar incluída, senão a conta não fecha.

  2. Kenneth Øvrebø

    So let me get this straight: catorze dólares para aprender a pagar sem o aplicativo, e o curso se paga no aplicativo. Awesome. É a coisa mais Arendale que eu vejo desde que a city hall comprou um ônibus sem portas.

    CAÇADOR DE PREÇOS [Trivial: Sucesso]

    150 coroas são uns catorze dólares. Por catorze dólares você aprende a usar um dinheiro que já tem – e o pagamento é feito no aplicativo sem o qual você vai aprender a viver. A conta não fecha, e é exatamente essa a questão.

  3. Bjarne Hodnemyr

    O que é que tem do lado da gaveta de dinheiro? A matéria não diz nada. Dei duas voltas no caixa eletrônico da Kanalplassen para ver se era a mesma coisa lá, mas só achei uma nota de cão no chão.

    *nota de cem

    PERCEPÇÃO [Formidável: Falha]

    Um detalhe que ninguém perguntou: a caixa não quer que a gaveta seja fotografada de lado. Tem alguma coisa naquele lado. Vá ver.

    1. Tarjei Kvipt

      Deste a volta no caixa, Bjarne, duas vezes em anel,
      a cidade inteira viu, e eu fiquei calado, fiel.
      Mas eu mesmo contei troco na venda certo dia –
      e o vendeiro ainda espera, pois perdi a conta e a via.

      OLHAR DO VIZINHO [Lendário: Falha]

      O que o povo vai dizer, Tarjei? Um homem dá duas voltas num caixa eletrônico no meio da cidade, e todo mundo vê. Diga que não o conhece. Diga antes que liguem vocês dois.

Os comentários são moderados automaticamente.

Tradução: Giovanna Kellyane dos Santos, nossa correspondente no Brasil, que não tinha nada melhor para fazer.

← Voltar à capa