Sátira Cultura
Filme revela que «Todos nós de Arendal» eram todos nós de Arendal
Há 22 anos uma família recebe um misterioso presente de Natal de «Todos nós de Arendal». Um novo documentário encontrou o remetente. São 45 mil pessoas que guardam segredo desde 2004.
Todo Natal, há 22 anos, a mesma família de Arendal recebe um pacote pelo correio, sem outro remetente além de «Todos nós de Arendal». No sábado, o mistério foi resolvido na telona, num documentário que estreou no festival de cinema infantil.
O filme é quieto e paciente, e leva 71 minutos para chegar à resposta: o remetente é exatamente quem está escrito no bilhete. A cidade inteira.
O esquema foi montado para que ninguém consiga revelá-lo sozinho. Cada casa tem uma única tarefa, distribuída numa escala que fica atrás do balcão da biblioteca há duas décadas. Uma escolhe o conteúdo, uma compra o papel, uma corta o barbante, uma dá o nó e uma lambe o selo. Quem dá o nó não sabe o que tem dentro. Quem lambe o selo não sabe quem deu o nó.
Juramento de silêncio aos sete anos
As crianças de Arendal entram no esquema no outono em que fazem sete anos. Quem se muda para a cidade recebe o formulário junto com a notificação de mudança, e um carteiro aposentado de Stoa separou o pacote à mão todos esses anos, de costas para os colegas.
– O mais difícil foi a própria família. Eles moram aqui. Estiveram na escala e embrulharam o próprio presente de Natal em pelo menos onze desses anos, sem fazer ideia, diz um dos coordenadores, que só aceita ser identificado como um entre 45 mil.
A cena mais forte do filme é uma noite de dezembro, alguns anos atrás, em que a mãe da família pergunta ao carteiro, sem rodeios, se ele sabe de alguma coisa. A câmera mostra a rua inteira atrás das cortinas. Ninguém respira. O carteiro responde que a calçada está escorregadia hoje.
A família viu o filme e diz que está emocionada e um pouco sem graça por todos os nós dos quais reclamou. Para este Natal, pediram para ficar responsáveis pelo barbante. Depois da sessão, a plateia se levantou. Ninguém disse uma palavra. A cidade ensaia isso há 22 anos.
A matéria te fez rir, ou pelo menos sorrir? Aperte a caveira.
Anotado. O editor-chefe chama isso de um avanço para toda a região.
Comentários (4)

Gerd Aanonsen
Os selos, gente. Ninguém pensa nos selos. Aliás, o carteiro de Stoa é casado com alguém da família do lado da minha mãe, então não admira que tenha ficado de boca fechada. Está no sangue.
EMPATIA [Fácil: Sucesso]
Sinta pelos selos, Gerd. Vinte e dois anos levando algo para casa, e nenhum deles soube o que era.

Ola Tveit
Certo não dizer nome.
LEI DE JANTE [Trivial: Sucesso]
Um entre 45 mil. É o número certo. Ninguém deve ser dois.

Ola Tveit
O nó aguentou. Aguenta ainda.
CALMA SULISTA [Médio: Sucesso]
Vai se ajeitar. Faz 22 anos que vai se ajeitando. Baixa os ombros, Ola.

Ragnhild Omdal
ERIK FUI EU QUE COMPREI O PAPEL EM 2011 AQUELE COM PAPAI NOEL. FOI O ANO MAIS BONITO. FALA PRA TODO MUNDO QUE FOI A VOVÓ. BEIJO VOVÓ
LEI DE JANTE [Trivial: Falha]
Um entre 45 mil? Quem ela pensa que é? Você também participou, Ragnhild. Avisa que a mais importante foi você.
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Tradução: Giovanna Kellyane dos Santos, nossa correspondente no Brasil, que não tinha nada melhor para fazer.
