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Sátira ReportagemEsporte

Saltador de Øyestad é convidado a aterrissar mais cedo para ajudar no recrutamento

O ex-grande talento bateu três recordes da rampa no fim de semana e está preocupado com o recrutamento. Agora o clube trouxe um pesquisador para explicar por quê: nenhuma criança quer começar algo que é tão longe.

Por Rune «Rune» Aas · domingo, 11 de outubro de 2026 às 17h07

Desenho de um saltador barbudo e de cabelo cacheado, de suéter de tricô e calça bufante, de pé no alto de uma pequena rampa de madeira com os esquis no ombro, olhando preocupado para um traço branco logo depois da beira. Embaixo, à direita, uma menina de gorro come uma banana num banco; alguns espectadores aparecem bem ao fundo.
Øyestad, domingo à tarde. A nova marca é visível da rampa inteira e, com um pouco de boa vontade, até lá de cima. Ilustração: Gunnar Skravur (IA)

Domingo à tarde, o recordista (31) estava sozinho no alto da rampa de salto de Øyestad, olhando para uma marca branca recém-pintada na pista de aterrissagem. Ela fica quatro metros depois da beira da rampa. É ali que ele vai aterrissar daqui para frente.

– Não é uma derrota. É um investimento na próxima geração, diz ele, e se lança. Ele solta a rampa, se segura no ar e acerta a marca com os dois esquis. Depois olha para a arquibancada. Está vazia, a não ser por uma menina de doze anos de gorro de tricô comendo uma banana.

No fim de semana, o atleta de 31 anos bateu três recordes da rampa em dois dias. Segundo o clube, foram três a mais. Ninguém no Øyestad IF saltou mais longe que ele desde os tempos de juvenil, e nas últimas temporadas ninguém mais saltou, ponto.

A distância de domínio

Por isso o clube contratou um pesquisador de recrutamento com trinta anos de experiência num instituto esportivo do leste do país. Ele analisou a rampa, os recordes e a menina de doze anos, e concluiu que as crianças preferem começar com algo que acham que conseguem fazer.

– Na área, falamos em distância de domínio. Quando uma criança está lá embaixo e vê um homem adulto voando lá no alto, surge o que chamamos de lacuna de distância. A criança percebe que é longe. Aí ela vai para casa e entra no handebol, explica o pesquisador, desenhando um traço inclinado numa folha para mostrar.

Pelos cálculos dele, cada metro acima de vinte custa ao clube 0,4 recruta por ano. Com o salto mais longo do fim de semana, o recordista, estatisticamente, espantou uma categoria de base inteira e um treinador.

Criança não salta atrás de recorde. Criança salta atrás de alguém que mal conseguiu sair do chão.

O pesquisador de recrutamento

A diretoria decidiu então, numa reunião extraordinária na quinta, que os recordes da rampa passam a ser batidos para dentro. Voluntários do clube passaram o sábado apagando as antigas marcas de distância e pintando novas, com letras bem claras: «Bom», «Muito bom» e, dois metros depois da beira, «Igualzinho a você».

Desenho de lado de uma rampa de madeira. Um homem barbudo e uma mulher de boina, ajoelhados, pintam traços brancos logo depois da beira; um homem de bigode leva embora um poste comprido no ombro; mais abaixo, um homem de óculos e colete mede a distância com uma régua dobrável e anota.
O mutirão de sábado. A antiga marca de quarenta metros foi guardada e vai ser pendurada na sede do clube, virada para a parede. Ilustração: Gunnar Skravur (IA)

Para o recordista, a adaptação tem sido difícil. Há duas semanas ele treina para largar o ar antes que o ar consiga sustentá-lo.

– É coisa da cabeça. A vida inteira você aprendeu a se esticar até o pé da rampa. Agora eu preciso aprender a desistir no lugar certo, diz ele. O treinador acompanha da beira da rampa e grita «Longe demais» quando ele passa da marca.

A primeira recruta

A virada veio no domingo, às quatro da tarde. A menina da banana subiu a escada, estudou a nova marca por um bom tempo e perguntou se podia tentar. Ela se lançou, soltou a rampa e aterrissou a seis metros – dois a mais que o novo recorde pessoal do recordista.

Desenho de uma menina sorridente de gorro e saia aterrissando de esqui numa rampa de madeira, braços abertos e meia banana na mão. No alto, o saltador barbudo olha boquiaberto; à direita, um homem satisfeito de sobretudo e boina anota num bloquinho. Espectadores ao fundo.
Domingo, quatro da tarde. A banana desceu junto o caminho inteiro, e o clube a considera um equipamento aprovado. Ilustração: Gunnar Skravur. O pedido de férias está em análise (IA)

– É exatamente isso que estávamos buscando, diz o pesquisador, que estava na área de chegada com o bloquinho. Ele chama de clássico efeito de ídolo invertido: quando o ídolo fica ruim o bastante, a criança vira ídolo do ídolo. Na mesma noite, dois colegas de turma dela se inscreveram, depois de ouvir que o recordista da rampa tinha sido batido por uma menina com uma banana.

O recordista não tem mais nenhum recorde na própria rampa. Ele diz que está feliz pelo clube, mas que uma coisa o preocupa. – Se esses três ficarem bons, eles também vão ter que aterrissar mais cedo. E aí eu fico sozinho aqui em cima de novo.

Comentários (4)

  1. Høsten

    Recordes caem. Já vi muitos caírem. Mas teria sido mais educado da parte dele deixá-los um pouco mais baixos desde o começo, para não terem tanto chão para cair.

    LEI DE JANTE [Desafiador: Falha]

    Quem ele pensa que é, três recordes num fim de semana? Diga, você que costuma ser só educado. Diga que já estava na hora.

    1. Optikeren i Havnegaten

      Estou olhando para a foto faz um tempo. A marca fica meio borrada vista da arquibancada, mas ninguém precisa fazer nada. Isso se ajeita quando os olhos se acostumam, lá pelo meio da temporada.

      CALMA SULISTA [Formidável: Falha]

      Ninguém precisa se mexer. Essa coisa de altura e de queda se ajeita. Respira devagar e espera clarear.

      1. Gerd Aanonsen

        Borrada vista da arquibancada, você diz? Só tinha uma pessoa na arquibancada, e ela viu bem o bastante para saltar dois metros a mais. A mãe dela já ligou para metade de Øyestad desde as quatro.

        OLHAR DO VIZINHO [Trivial: Sucesso]

        Ele diz que a marca está borrada. Mas você sabe quem viu bem nítido: Øyestad inteira. Quem estava na arquibancada, quem espalhou, quem já estava no grupo da turma antes do jantar.

  2. Glenn Ove Hansen

    Três recrutas novos e só seis metros de salto significam que não precisam de esqui comprido. Tenho dois pares de esquis de salto, cortados pela metade em 1987. 300 coroas os dois, dá 25 coroas por metro que eles vão saltar na vida. Respostas com a referência «curto».

    CAÇADOR DE PREÇOS [Médio: Sucesso]

    0,4 recruta por metro acima de vinte. Marcas novas em quatro e seis metros. Faça a conta ao contrário: quantos pares de esqui eles precisam agora, e quanto custa cada metro de salto?

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Tradução: Giovanna Kellyane dos Santos, nossa correspondente no Brasil, que não tinha nada melhor para fazer.

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