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Camisa do Arendal sai da quarentena a tempo do clássico contra o Jerv

O Arendal Fotball manteve uma das suas camisas de quarentena numa lavanderia embaixo da arquibancada por 30 dias. No sábado ela foi liberada, e o roupeiro diz que ela nunca esteve tão pronta para um clássico regional.

Por Rune «Rune» Aas · sábado, 10 de outubro de 2026 às 15h09

Desenho de um homem de bigode, sobretudo comprido e tamancos sentado num engradado de leite numa lavanderia pequena, lendo um jornal em voz alta para uma camisa de futebol listrada pendurada sozinha num cabide na parede, sob uma lâmpada nua. Ao lado há uma tina e uma calandra.
A lavanderia embaixo da arquibancada na sexta à noite. A camisa pôde ler as páginas de esporte, mas não os resultados. Ilustração: Gunnar Skravur (desenhada às 3h14, a 11ª do dia) (IA)

O jogador que vai vestir a camisa cumpriu uma suspensão de 30 dias e pode jogar o clássico contra o Jerv em Levermyr às 19h do sábado. Mas no clube ninguém fala dele. Falam da camisa.

O Agderpesten encontrou o roupeiro às dez da manhã de sábado na lavanderia embaixo da arquibancada. A sala tem uma lâmpada, uma máquina de lavar e um cabide num prego na parede. A luz pisca quando a máquina centrifuga. No cabide está a camisa. Ao lado, um engradado de leite, onde o roupeiro passou o último mês sentado.

– Quando chegou o aviso da quarentena, li com atenção. Não dizia a quem se aplicava. Então não arrisquei, diz ele.

Ele tirou a camisa da parede do vestiário na mesma noite, colocou num saco de papel e desceu a escada com ela. O jogador ficou com o agasalho de treino e uma touca comum.

As regras estão escritas a lápis no verso de um programa de jogo colado na porta. A camisa não pode ver grama. A camisa não pode ouvir a palavra Grimstad. A camisa é lavada a 40 graus toda manhã, tenha sido usada ou não. Horário de visita das 17h00 às 17h15, e só pela janelinha da porta.

O jogador usou o horário de visita todos os dias. – Nos primeiros dias ele perguntava se podia ter a camisa de volta. Depois de uma semana, só perguntava como ela estava. Aí eu soube que os dois iam ficar bem, diz o roupeiro.

Desenho de um rapaz de touca, cachecol e casaco olhando com saudade por uma janelinha numa porta onde está pendurada a camisa, enquanto o roupeiro de bigode, gravata-borboleta e mangas arregaçadas está ao lado conferindo o relógio de bolso.
O horário de visita é de quinze minutos. O jogador nunca passou do tempo, mas duas vezes voltou para dar tchau. Ilustração: Gunnar Skravur (IA)

O próprio jogador disse que estava ansioso fazia tempo. O roupeiro concorda com a cabeça quando ouve isso. – A camisa também. Ficou um mês pendurada com as mangas caídas, e não é assim que uma camisa deve ficar. Camisa tem que ficar de braços para o alto.

Lia a tabela em voz alta

Na segunda semana ele começou a ler para a camisa. Primeiro as crônicas dos jogos, depois a tabela, depois todas as escalações do Jerv do outono inteiro, devagar e com clareza, com pausas onde fazia sentido.

– Ela precisa saber onde está se metendo. Quando era vitória do Jerv, eu parava no meio e dizia que não tinha terminado assim. É uma mentirinha branca. A gente faz o que precisa fazer.

Depois de 30 lavagens a 40 graus, a camisa encolheu dois números. O roupeiro vê isso como vantagem. – Está mais justa agora. Mais focada. O jogador vai ter que encolher a barriga por noventa minutos, mas ele descansou um mês inteiro.

Ela vai afundar o Jerv. Eu vejo nas costuras.

o roupeiro do Arendal Fotball

Em Levermyr, o time da casa foi avisado. Um zelador confirma que o Jerv recebeu o recado de que uma das camisas vem direto da quarentena, e que por isso o vestiário visitante foi esvaziado de tudo que possa lembrá-la de Grimstad. – Tiramos as fotos de nós mesmos e guardamos o café num armário. Esperamos o mesmo no dia em que formos a Arendal, diz o zelador.

Às 15h a porta da lavanderia foi destrancada. O roupeiro carregou o saco de papel pelo clube até o ônibus com os braços esticados à frente, do jeito que se carrega um bolo de festa. O jogador ia três passos atrás. Nenhum dos dois disse nada.

Desenho do roupeiro de bigode e sobretudo comprido carregando com cuidado um saco de papel à frente do corpo em direção a um ônibus antigo, onde o motorista espera na porta, com um jovem jogador de touca andando de cabeça baixa atrás dele.
A entrega às 15h. O motorista do ônibus foi instruído a desviar dos buracos maiores. Ilustração: Gunnar Skravur (IA)

Quando o ônibus partiu, o roupeiro desceu de novo e sentou no engradado de leite ao lado do cabide vazio. Diz que vai ficar ali até o fim do jogo. – Alguém precisa estar aqui se ela voltar para casa e quiser conversar.

Comentários (3)

  1. Wenche Olsen (72)

    Que texto fofo. Mas reparo que o clube lavou uma camisa toda manhã durante um mês, enquanto o resto do time jogou com o que tinha. Isso diz bastante sobre as prioridades em Arendal. Só estou perguntando.

    RETÓRICA [Médio: Sucesso]

    Ninguém na matéria respondeu o que importa, Wenche: por que uma camisa foi lavada toda manhã? Aponta isso. Pega eles nisso.

    1. Kenneth Øvrebø

      Wenche, isso é grandioso. Uma camisa levada ao ônibus como bolo de casamento – em Ohio tocariam o hino nacional por menos. Awesome. Vou fazer tailgate no estacionamento de Levermyr a partir das cinco, todos são bem-vindos.

      DRAMA [Médio: Sucesso]

      (As luzes baixam. Um violino solitário.) Meu senhor, uma camisa levada ao ônibus como um bolo de festa – é o terceiro ato, e você está na primeira fila.

    2. Måka

      Wenche, você que é de lá devia ter visto. Estudei a camisa do telhado do clube, e a etiqueta diz Grimstad. Ela era de fora o tempo todo, e agora estão mandando pra casa. Se alguém tiver batata frita no ônibus, eu vou atrás.

      RADAR DE FORASTEIRO [Médio: Falha]

      Grimstad foi retirado do vestiário. Mas de onde vem a própria camisa? Confere a etiqueta. Ninguém passa sem documento.

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Tradução: Giovanna Kellyane dos Santos, nossa correspondente no Brasil, que não tinha nada melhor para fazer.

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