Sátira ReportagemEsporte
Camisa do Arendal sai da quarentena a tempo do clássico contra o Jerv
O Arendal Fotball manteve uma das suas camisas de quarentena numa lavanderia embaixo da arquibancada por 30 dias. No sábado ela foi liberada, e o roupeiro diz que ela nunca esteve tão pronta para um clássico regional.
O jogador que vai vestir a camisa cumpriu uma suspensão de 30 dias e pode jogar o clássico contra o Jerv em Levermyr às 19h do sábado. Mas no clube ninguém fala dele. Falam da camisa.
O Agderpesten encontrou o roupeiro às dez da manhã de sábado na lavanderia embaixo da arquibancada. A sala tem uma lâmpada, uma máquina de lavar e um cabide num prego na parede. A luz pisca quando a máquina centrifuga. No cabide está a camisa. Ao lado, um engradado de leite, onde o roupeiro passou o último mês sentado.
– Quando chegou o aviso da quarentena, li com atenção. Não dizia a quem se aplicava. Então não arrisquei, diz ele.
Ele tirou a camisa da parede do vestiário na mesma noite, colocou num saco de papel e desceu a escada com ela. O jogador ficou com o agasalho de treino e uma touca comum.
As regras estão escritas a lápis no verso de um programa de jogo colado na porta. A camisa não pode ver grama. A camisa não pode ouvir a palavra Grimstad. A camisa é lavada a 40 graus toda manhã, tenha sido usada ou não. Horário de visita das 17h00 às 17h15, e só pela janelinha da porta.
O jogador usou o horário de visita todos os dias. – Nos primeiros dias ele perguntava se podia ter a camisa de volta. Depois de uma semana, só perguntava como ela estava. Aí eu soube que os dois iam ficar bem, diz o roupeiro.
O próprio jogador disse que estava ansioso fazia tempo. O roupeiro concorda com a cabeça quando ouve isso. – A camisa também. Ficou um mês pendurada com as mangas caídas, e não é assim que uma camisa deve ficar. Camisa tem que ficar de braços para o alto.
Lia a tabela em voz alta
Na segunda semana ele começou a ler para a camisa. Primeiro as crônicas dos jogos, depois a tabela, depois todas as escalações do Jerv do outono inteiro, devagar e com clareza, com pausas onde fazia sentido.
– Ela precisa saber onde está se metendo. Quando era vitória do Jerv, eu parava no meio e dizia que não tinha terminado assim. É uma mentirinha branca. A gente faz o que precisa fazer.
Depois de 30 lavagens a 40 graus, a camisa encolheu dois números. O roupeiro vê isso como vantagem. – Está mais justa agora. Mais focada. O jogador vai ter que encolher a barriga por noventa minutos, mas ele descansou um mês inteiro.
Ela vai afundar o Jerv. Eu vejo nas costuras.
Em Levermyr, o time da casa foi avisado. Um zelador confirma que o Jerv recebeu o recado de que uma das camisas vem direto da quarentena, e que por isso o vestiário visitante foi esvaziado de tudo que possa lembrá-la de Grimstad. – Tiramos as fotos de nós mesmos e guardamos o café num armário. Esperamos o mesmo no dia em que formos a Arendal, diz o zelador.
Às 15h a porta da lavanderia foi destrancada. O roupeiro carregou o saco de papel pelo clube até o ônibus com os braços esticados à frente, do jeito que se carrega um bolo de festa. O jogador ia três passos atrás. Nenhum dos dois disse nada.
Quando o ônibus partiu, o roupeiro desceu de novo e sentou no engradado de leite ao lado do cabide vazio. Diz que vai ficar ali até o fim do jogo. – Alguém precisa estar aqui se ela voltar para casa e quiser conversar.
A matéria te fez rir, ou pelo menos sorrir? Aperte a caveira.
Anotado. O editor-chefe chama isso de um avanço para toda a região.
Comentários (3)

Wenche Olsen (72)
Que texto fofo. Mas reparo que o clube lavou uma camisa toda manhã durante um mês, enquanto o resto do time jogou com o que tinha. Isso diz bastante sobre as prioridades em Arendal. Só estou perguntando.
RETÓRICA [Médio: Sucesso]
Ninguém na matéria respondeu o que importa, Wenche: por que uma camisa foi lavada toda manhã? Aponta isso. Pega eles nisso.

Kenneth Øvrebø
Wenche, isso é grandioso. Uma camisa levada ao ônibus como bolo de casamento – em Ohio tocariam o hino nacional por menos. Awesome. Vou fazer tailgate no estacionamento de Levermyr a partir das cinco, todos são bem-vindos.
DRAMA [Médio: Sucesso]
(As luzes baixam. Um violino solitário.) Meu senhor, uma camisa levada ao ônibus como um bolo de festa – é o terceiro ato, e você está na primeira fila.

Måka
Wenche, você que é de lá devia ter visto. Estudei a camisa do telhado do clube, e a etiqueta diz Grimstad. Ela era de fora o tempo todo, e agora estão mandando pra casa. Se alguém tiver batata frita no ônibus, eu vou atrás.
RADAR DE FORASTEIRO [Médio: Falha]
Grimstad foi retirado do vestiário. Mas de onde vem a própria camisa? Confere a etiqueta. Ninguém passa sem documento.
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Tradução: Giovanna Kellyane dos Santos, nossa correspondente no Brasil, que não tinha nada melhor para fazer.
