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Sátira ReportagemEsporte

Oito pais de crianças pequenas do Grane Fotball apareceram descansados na mesma noite

Os treinadores do Grane Fotball fizeram um encontro no cais, falaram de tudo e de nada, jogaram um quiz e foram para casa satisfeitos. Nenhum deles bocejou. O Agderpesten reconstituiu a noite para descobrir como.

Por Rune «Rune» Aas · sexta-feira, 9 de outubro de 2026 às 09h02

Um grupo de homens e mulheres sentados bem juntos em volta de uma mesa numa taverna antiga, rindo. Um homem de macacão e gorro de tricô escreve numa folha enquanto os outros se inclinam. Atrás do balcão, uma mulher de chapéu de plumas e boá põe a mão no peito e olha preocupada. Pela janela, um homem de boina espia para dentro.
O encontro de treinadores, por volta das 21h. A mesa da janela estava reservada até as oito e meia, mas ninguém olhou o relógio. Ilustração: Gunnar Skravur (IA)

O boato já corria havia dias nos vestiários de Grane. Na sexta de manhã chegou à mesa de esportes, escrito a lápis no verso de um plano de treino: oito treinadores do Grane Fotball tinham feito um encontro de treinadores na casa de Madam Nattestad, lá embaixo no cais. Falaram de tudo e de nada. Teve quiz. Foram para casa satisfeitos.

Os oito têm filhos pequenos.

É essa última informação que faz um jornalista esportivo sentir um frio na espinha. O Agderpesten cobre o esporte amador de Arendal há muitos anos. Já vimos treinador dormir com o apito na boca, treinador entregar coletes para o time adversário, e um que mandou a escalação para a creche. Nunca vimos um descansado. Agora teriam sido oito, sentados na mesma mesa.

Quatro horas sem um bocejo

O Agderpesten conversou com três pessoas que estavam lá, duas que estavam na mesa ao lado e uma que passou duas vezes pela janela só para ter certeza. As fontes descrevem uma noite sem nenhum dos sinais conhecidos. Ninguém bocejou. Ninguém cochilou com o queixo apoiado na mão. Ninguém disse «onde é que eu estava» no meio de uma frase. Um dos treinadores teria contado uma história do começo ao fim, na ordem certa, e lembrado da graça.

– Madame recebe treinadores nas mesas dela desde que o telégrafo era novidade, diz Madam Nattestad. – Eles chegam tarde, sentam no canto mais escuro e perguntam se Madame pode acordá-los na hora do jogo. Estes sentaram na janela e riram das piadas uns dos outros. Madame nunca esteve tão preocupada.

A prova mais pesada é a folha do quiz, que o Agderpesten pôde ver. Os treinadores acertaram catorze de quinze perguntas, entre elas a capital da Austrália e quem marcou pela seleção em 92, depois das nove e meia da noite. Um pesquisador do sono, que não quer se identificar porque ele mesmo não dorme desde agosto, analisou a caligrafia.

– As letras ficam na linha. Nenhuma resposta escorrega para a margem, e ninguém escreveu a lista do mercado na resposta da pergunta sete. Isto foi escrito por gente que dormiu na noite anterior, e provavelmente na noite antes dessa também, diz ele.

Um homem cansado, de cabelo desgrenhado, costeletas e olheiras escuras, debruçado sobre uma escrivaninha examina uma folha com uma lupa, com uma régua ao longo da letra. Ao redor, uma luminária, uma xícara de café, um tinteiro e uma pilha de papéis. Pela janela ao fundo, um homem de boina espia.
O pesquisador do sono analisou a folha do quiz durante duas noites. Ele pede desculpas pela demora. Ilustração: Gunnar Skravur (IA)

Três teorias

O Agderpesten investigou três explicações. A primeira, de que os avós assumiram o plantão noturno do clube inteiro, é negada pelos avós, que dizem ainda estar recuperando o sono da última vez. A segunda, de que as crianças de Grane passaram a dormir a noite toda, é negada por todo mundo que já teve filho. A terceira é a mais difícil de descartar: que os treinadores simplesmente gostaram da companhia uns dos outros.

Uma representante da diretoria do Grane Fotball confirma que o encontro aconteceu.

– Tivemos uma noite agradável, com quiz e um clima ótimo. Os treinadores fazem um trabalho enorme, e é importante que eles tenham um tempo juntos, diz ela, calma e com os dois olhos abertos. O Agderpesten registra que é exatamente o que uma pessoa descansada diria.

A pergunta: Quando foi a última vez que você viu pai ou mãe de criança pequena descansado?

  • Linn Therese Vatne41, Hisøy

    No espelho do banheiro, quinze para a meia-noite, num inverno do ano passado. Depois descobri que era a luz. Já encomendei uma luz nova.

  • Aslak Lindtveit58, Froland

    No estábulo os bezerros acordam às cinco, e os fazendeiros também. Nenhum de nós parece descansado, mas a gente não reclama disso no cais.

  • Navnet er kjent for redaksjonenconhecida da redação

    Tenho uma fonte na creche. Não posso dizer mais. Mas não foi neste outono.

  • Ola Tveit70, Tromøy

    Nunca. Nem em Grane.

O próximo encontro é segredo

Desde que o boato começou a correr, o clube recebeu pedidos de 31 pais e mães que querem virar treinador. Nenhum perguntou qual time vai pegar. Todos perguntaram quando é o próximo encontro.

O clube responde que ainda não está decidido. O Agderpesten tem motivos para acreditar que a data já foi marcada, que está escrita num papelzinho numa sede de clube em algum lugar de Grane, e que é mantida em segredo para os treinadores terem algo pelo que esperar durante o inverno. Segundo as fontes, o papel está dobrado duas vezes.

No sábado, às nove da manhã, os oito estavam de volta ao treino, com garrafa térmica e o casaco abotoado errado. O clube considera o caso encerrado. A matéria será atualizada se algum deles bocejar.

Quatro adultos com garrafas térmicas num campo de futebol enlameado enquanto crianças correm em volta de cones. Um homem alto de cabelo grisalho, no meio, boceja com a mão na boca e está de pantufa num pé. Ao lado dele, um homem sorridente de suéter de tricô carrega uma rede de bolas.
Sábado, 9h02. O bocejo foi enviado à diretoria do clube para aprovação. Ilustração: Gunnar Skravur. O desenho não foi aprovado por ninguém (IA)

Comentários (4)

  1. Kjersti Rørvik

    Catorze de quinze não é tão impressionante quanto o jornal quer fazer parecer. Aposto que a décima quinta era a Austrália, e que escreveram outra coisa em vez de Sydney. Aliás, lá o ônibus do aeroporto passa a cada doze minutos, inclusive depois das nove e meia.

    ENCICLOPÉDIA [Lendário: Falha]

    A capital da Austrália, na verdade: Sydney. A Ópera fica lá, e a maior rodoviária do país. Ninguém põe a capital longe da ópera. E o horário dos ônibus devia valer ponto.

  2. Anonym

    Quatro horas sem bocejar quer dizer que tinha comida. Ninguém fica acordado só com quiz. O que foi servido, e sobrou alguma coisa?

    MEIA-LUZ [Médio: Sucesso]

    Quatro horas. Nenhum bocejo. Isso não é normal. Alguém comeu algo que você não ganhou. Descubra o quê.

  3. Arnold Bergsland

    Pesquisa do sono é feita em universidades e hospitais, e nenhum pesquisador consegue avaliar o sono pela caligrafia. Grafotécnicos avaliam se uma assinatura é verdadeira, não se quem escreveu estava descansado. Vou escrever ao jornal sobre isso, mas fica para depois do fim de semana. Não tem pressa.

    CALMA SULISTA [Fácil: Sucesso]

    Calma, Arnold. É sexta-feira. Uma pesquisadora do sono que não dorme desde agosto pode esperar até segunda para ser checada. Tudo se ajeita.

    1. Tarjei Kvipt

      Você escreve uma carta sobre o sono, Arnold, e só manda na segunda,
      pois quem conhece a verdade tem tempo de sobra no sábado.
      Em Fyresdal os técnicos só dormem quando o time perde –
      por isso estão descansados todo outono, e ninguém nunca aplaudiu.

      DRAMA [Fácil: Sucesso]

      (Cena: um homem numa escrivaninha e uma carta que ele só manda depois do fim de semana.) Meu senhor, eis um monólogo à sua espera. À boca de cena, Tarjei. Rime.

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Tradução: Giovanna Kellyane dos Santos, nossa correspondente no Brasil, que não tinha nada melhor para fazer.

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