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Municípios de Østre Agder fazem as pazes numa mesa com uma perna em cada município

Depois de semanas brigando sobre quem paga o quê, os oito municípios se reúnem nesta sexta para achar um caminho. Todos exigiram pisar no próprio chão, então a mesa ganhou uma perna em cada município.

Por Aslaug Tjønn · sexta-feira, 9 de outubro de 2026 às 09h09

Desenho de uma mesa de madeira comprida e inclinada no mato, junto a um marco de pedras. As pernas estão em baldes e sacos de terra. Um homem de cabelo cacheado sentado bem alto na ponta de cima aponta o dedo, um homem barbudo com uma caneca e um zelador de jaqueta de uniforme com garrafa térmica estão de pé junto à mesa, e uma mulher e um senhor de óculos sentados no chão na ponta de baixo enquanto o café pinga.
A reunião começou às dez. O café chegou a Gjerstad às dez e dez. Ilustração: Gunnar Skravur (IA)

FROLAND (Agderpesten): A mesa está no meio do mato, junto ao marco de pedras onde Arendal, Froland e Grimstad se encontram. Tem três metros de comprimento, oito pernas, e foi montada na quinta à noite pelo zelador da cooperação intermunicipal, que está sozinho com ela desde então.

Depois de semanas de bate-boca, acusações e ameaças de romper a cooperação sobre quem paga o quê, os municípios de Østre Agder se reúnem nesta sexta para tentar achar um caminho. Ninguém quis ser anfitrião, e ninguém quis ir até os outros. A exigência dos oito era a mesma: cada município pisa no próprio chão durante a reunião inteira.

No marco, só três deles se encontram. Os municípios que não têm chão ali foram então convidados a mandar terra de casa. Tvedestrand chegou com um balde de Holt, Risør com um saco de Søndeled, Vegårshei trouxe a sua num carrinho de mão, e Gjerstad despachou a terra no ônibus de linha, com etiqueta de devolução.

– Cada município pisa no que é seu. Essa era a exigência. Eu só coloquei os baldes onde ficam as pernas, diz o zelador, que desde as seis e meia já carregou 140 quilos de terra da estrada até ali, mato acima.

Ele é o único funcionário pago pelos oito municípios, segundo uma fórmula de rateio sobre a qual ninguém chegou a acordo. Por enquanto, recebe salário nos meses ímpares.

Desenho de um zelador suado, de bigode, boné e casaco comprido, carregando dois baldes de terra por uma encosta íngreme de urze no pinheiral. Um dos baldes tem uma etiqueta de papel. Um saco de terra ficou na trilha atrás dele.
O zelador subindo com Gjerstad e Tvedestrand. Risør espera na trilha. Ilustração: Gunnar Skravur (IA)

As pernas foram cortadas por população

Como a briga é justamente sobre a fórmula de rateio, as pernas foram cortadas conforme o número de habitantes. A perna de Arendal tem 94 centímetros. A de Gjerstad, onze. Por isso a mesa pende com força para Gjerstad, e tudo o que derrama escorre para lá.

– É a primeira vez que alguma coisa escorre nessa direção em Østre Agder, diz o zelador, enxugando o café da ata de Gjerstad com o gorro.

Froland pediu que a sua perna seja medida de novo quando sair a definição de «bastante», ao meio-dia. Até lá, ela fica num balde marcado «sob protesto».

A pergunta: Para que lado a mesa deve pender?

  • Aslak Lindtveit58, Froland

    Uma mesa torta custa meio balde de leite de café por semana. Põe um calço embaixo de Arendal e vão pra casa. As vacas não esperam pela fórmula de rateio.

  • Halvor Jortveit79, Grimstad

    Grimstad pisa no próprio chão, e faz isso há muito tempo. Só quero que conste em ata que a perna de Arendal é a mais comprida, e que quem mediu foi Arendal.

  • Liv Heggland61, a floresta entre Froland e Åmli

    O marco de pedras estava lá antes dos municípios. Perguntem a ele quem vai pagar. Faz centenas de anos que ele espera alguém perguntar.

  • Randi Marie88, Arendal

    Eu passei por esse marco numa caminhada em 1958. Na época eram cinco municípios em volta dele, e ninguém levou mesa. O pessoal sentava nas pedras e chegava a um acordo antes do café esfriar.

A reunião começou às dez. A delegação de Arendal fica mais alta e vê os outros de cima, o que o município faz questão de dizer que não é um recado. A delegação de Gjerstad está sentada no musgo, com o café no colo, onde ele chega sozinho.

Åmli não foi avisada sobre o balde. O município levou uma cadeira dobrável, colocou do lado da mesa e está fazendo a sua própria ata.

Às 10h40, Arendal propôs cortar todas as pernas na mesma medida, para economizar. Grimstad não serra a sua antes de Arendal serrar a dele. O zelador ofereceu emprestar o próprio serrote, e o primeiro item da pauta agora é como dividir o desgaste da lâmina.

Lá atrás, num toco, estava sentado um homem da cidade com um bloquinho. Não anotou nada, mas ficou para o café.

Desenho do zelador de bigode, cachimbo e boné, de pé junto ao marco de pedras, servindo café de uma garrafa térmica numa caneca de lata. Atrás dele, os delegados de pé e sentados em volta da mesa inclinada, e um homem na ponta de cima aponta o dedo.
A garrafa térmica não foi faturada. Esta matéria não será atualizada. Ilustração: Gunnar Skravur (IA)

O zelador está junto ao marco com a garrafa térmica. Encheu com o próprio café e não mandou fatura nenhuma. É a única coisa em Østre Agder que ninguém pensou em perguntar, e ele pediu ao jornal para não escrever isso.

Comentários (4)

  1. Arvid Holmesland

    Estarei no marco amanhã às 8h com nível, régua e pá. Arendal traz o serrote, Grimstad a garrafa térmica, Froland os baldes. Gjerstad não precisa trazer nada, já ficou com todo o café. Mesa tem que ficar no nível, não importa quem paga.

    ESPÍRITO DE MUTIRÃO [Trivial: Sucesso crítico]

    Cento e quarenta quilos de terra, um homem, zero inscritos. Você tem nível, régua e um sábado livre – põe seu nome primeiro na lista, depois os outros sete.

    1. Frøydis Aasland

      Arvid, o marco não quer nível. Está torto desde a era do gelo e está ótimo assim. Nunca conversei com uma pedra antes, mas ela concorda comigo, e essa é a palavra final sobre o assunto.

      PAISAGEM INTERIOR [Fácil: Falha]

      O marco diz que não quer ficar no nível. Está inclinado desde a era do gelo, e quem tem que se adaptar é a mesa. Escuta ele, chegou primeiro.

    2. Kåre Bjorvatn

      Arvid, bom plano, mas você não disse quem serra primeiro. Essa é a questão toda. Fiquei dois mandatos e vi três cooperações intermunicipais naufragarem exatamente nessa pergunta, e uma na de quem ficava com a chave do depósito do serrote.

      RETÓRICA [Trivial: Sucesso]

      Ele não disse quem serra primeiro. Pega ele nessa, Kåre. Quem é dono do serrote é dono da reunião.

  2. Halvor Jortveit

    Ninguém conferiu esses baldes. Eu já vi terra de Arendal antes, na pista de patinação em 1962, logo antes da terceira passagem de bastão. Ela pode parecer qualquer coisa.

    RADAR DE FORASTEIRO [Trivial: Sucesso]

    Baldes de terra estrangeira em volta de um marco de fronteira, sem carimbo da alfândega. Quem conferiu se a terra de Holt é mesmo de Holt? Pede os documentos.

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Tradução: Giovanna Kellyane dos Santos, nossa correspondente no Brasil, que não tinha nada melhor para fazer.

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