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Sátira Política

Comissão de negócios quer medir o crescimento de Arendal em esfregadas de olho

Um vendedor de carros em Krøgenes vendeu 87 carros novos em três semanas e diz que precisa esfregar os olhos. É o primeiro número do setor privado que a comissão de negócios inteira entendeu, e agora ele vai virar a medida oficial de crescimento do município.

Por Sindre Kvåle · domingo, 4 de outubro de 2026 às 07h06

Desenho de uma mulher de coque e três homens de terno, um com um lápis atrás da orelha, inclinados sobre uma longa mesa de reunião, olhando sérios para um vendedor de carros de colete. Ele está ao lado da frente de um carro antigo dentro da sala e esfrega os olhos com os dois punhos. Atrás da mesa, um secretário com ligas nas mangas escreve numa folha comprida.
A comissão de negócios durante a contagem de sexta-feira. O secretário anotou uma esfregada por carro, e mais uma quando o vendedor viu a ata. Ilustração: Gunnar Skravur (IA)

Faz tempo que Arendal discute como vai, de verdade, a economia da cidade. De um lado, o barômetro econômico do município mostra avanço. Do outro, ninguém da comissão de negócios leu o barômetro, porque ele tem 140 páginas e um glossário próprio.

Quando um vendedor de carros em Krøgenes contou esta semana que vendeu 87 carros novos em três semanas e que «precisa esfregar os olhos», foi a primeira vez em muito tempo que um número do setor privado foi entendido pela comissão inteira ao mesmo tempo.

– Uma esfregada de olho é honesta. Ninguém esfrega os olhos para enfeitar um balanço trimestral, diz o presidente da comissão, que na sexta-feira apresentou a proposta de trocar faturamento, emprego e geração de valor por esfregadas como principal indicador do município.

Pela proposta, todo empresário deve informar o número de esfregadas por mês num formulário próprio entregue no balcão de atendimento da prefeitura, em duas vias. Uma esfregada conta como um bom dia; duas, como um bom trimestre. A partir de três esfregadas seguidas, exige-se uma declaração de um oculista de que os olhos estavam em ordem antes de a esfregação começar.

Como o vendedor de carros virou o ponto zero, com uma esfregada por carro vendido, o resto do comércio de Arendal amanheceu com crescimento negativo. Uma cabeleireira em Stoa relatou meia esfregada, porque só deu tempo de esfregar um olho antes do próximo cliente. A feira da praça entregou o formulário em branco.

A oposição apoia a medição em princípio, mas quer incluir o balançar de cabeça como medida de queda e um dar de ombros para o que está parado. Se beliscar o braço conta como esfregada ou como indicador próprio foi mandado para consulta pública, com prazo em dezembro.

– Compreendemos que muita gente não acredita no que vê. O que ela vê, ainda é cedo para dizer, afirma o Assessor de Comunicação.

De um lado, é um sinal saudável que os políticos finalmente tenham encontrado um número de que gostam. Do outro, todo o crescimento do município agora depende das pálpebras de um homem só.

Para controlar os números, o município vai contratar um fiscal de esfregadas, que vai rodar pelas empresas contando. Para isso, o fiscal precisa de um carro. Ele foi comprado na sexta-feira, em Krøgenes. O vendedor confirma a venda, e que esfregou os olhos.

Comentários (2)

  1. Måka

    87 carros novos são 87 porta-malas novos. É só avisar quando os primeiros descerem até Pollen com a marmita.

    ELETROQUÍMICA [Trivial: Sucesso]

    Psiu. Os carros de Krøgenes têm porta-malas. Porta-malas têm marmitas. Oitenta e sete marmitas, logo antes do almoço.

  2. Arnold Bergsland

    Isso não fecha. Um cargo que nem foi anunciado não pode comprar carro, e o regulamento de compras exige licitação acima de 100 mil coroas. Então o carro está no nome do vendedor, e é ele que fiscaliza a si mesmo. Alguém devia olhar isso.

    LÓGICA [Desafiador: Falha]

    Portanto: o fiscal ainda não foi contratado. Logo: ele não pode ter comprado o carro. Consequentemente: o carro foi comprado pelo próprio vendedor.

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Tradução: Giovanna Kellyane dos Santos, nossa correspondente no Brasil, que não tinha nada melhor para fazer.

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