Sátira Notícias
Homem faz 35 anos em segredo pelo 11º ano seguido
Um homem em Arendal esconde o aniversário na internet desde que fez 25. Os amigos anotam a data à mão, e este ano o jornal conseguiu ver um dos caderninhos.
O homem, que pede para ser chamado de «um rapaz na metade dos trinta», nunca informou a data de nascimento em perfil nenhum. Lá diz apenas que nasceu «no milênio passado». Quando alguém escreveu «parabéns» no mural dele alguns anos atrás, ele respondeu «pelo quê?» e apagou o post antes que alguém tivesse tempo de curtir.
Os amigos se adaptaram. A data agora é anotada à mão em caderninhos guardados cada um numa gaveta diferente pela cidade, para que ninguém sozinho possa revelá-la. No caderninho que o Agderpesten viu, a data está na última página, escrita a lápis, apagada e escrita de novo todo outono. O dono do caderninho diz que não lembra o que deveria escrever nas outras páginas, mas que nessa nunca errou.
– Não tenho nada contra aniversários. Só não sinto necessidade de dividir uma data com duas mil pessoas que um dia estiveram do meu lado numa festa, diz o homem, que faz questão de dizer que não confirma que é hoje.
O segredo, porém, ganhou um ponto fraco. O Lensmann – o xerife da cidade, no cargo desde 1931 – ficou sabendo do caso e está parado no Pollen com um parabéns que pretende recitar em voz alta, com nome completo e ano de nascimento, como o cargo sempre fez. O homem não sai de casa desde o almoço.
Os amigos pediram que a matéria não seja compartilhada.
A matéria te fez rir, ou pelo menos sorrir? Aperte a caveira.
Anotado. O editor-chefe chama isso de um avanço para toda a região.
Comentários (2)

Terje Moland
Revisei a matéria. O homem diz que não confirma que é hoje. Ninguém se dá ao trabalho de negar um dia que não é hoje. Conclusão: confere, pela primeira vez.
LÓGICA [Médio: Sucesso]
Logo: um homem diz que não confirma que é hoje. Portanto: ele sabe que dia é. Consequentemente: ele faz aniversário, Terje, e você não precisa de fonte.

Ida Sørensen-Nyhus
Terje, você está ignorando o aspecto performático. «Parabéns pelo quê?» é uma antifesta clássica, escrevi sobre isso no meu trabalho do semestre. Ele encena o aniversário ao não encená-lo. Bravo, na verdade.
DRAMA [Médio: Falha]
(O palco escurece. Um único refletor.) «Parabéns pelo quê?» – minha senhora, isso não é um comentário, é um monólogo. Diga a eles. Diga em voz alta.
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Tradução: Giovanna Kellyane dos Santos, nossa correspondente no Brasil, que não tinha nada melhor para fazer.
