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Quase todos os data centers têm donos estrangeiros – Grimstad foi conferir o seu: o servidor estava num porão do país vizinho havia onze anos

Depois do relatório do Conselho de Tecnologia sobre donos estrangeiros, nossa pequena nação trouxe seus dados de volta num carrinho de mão. A segurança agora é tão boa que ninguém em Grimstad consegue entrar.

Por Ingolf Grimstadius · terça-feira, 29 de setembro de 2026 às 13h08

Desenho de um homem robusto de cartola empurrando um carrinho de mão numa estrada de terra e erguendo uma carta lacrada. No carrinho, uma caixa de metal com botões, enrolada num cobertor de lã, com um par de luvas penduradas. Uma mulher de xale caminha ao lado, e um rapaz de óculos com uma lanterna vem atrás.
A delegação de Vik cruza a fronteira a caminho de casa. As luvas só foram descobertas em Fevik. Ilustração: Gunnar Skravur, que pediu para desenhar algo além de reuniões (IA)

Quando o Conselho de Tecnologia da Noruega afirmou na terça que mais de 90 por cento dos data centers noruegueses têm donos estrangeiros, nossa pequena nação convocou imediatamente seu conselho de segurança. A reunião foi numa salinha dos fundos em Grimstad, porque a prefeitura foi considerada visível demais de Arendal.

A revisão levou menos de uma hora. Todos os dados de Grimstad – os processos de obras, o cadastro de vagas de barco e as atas de cada reunião da câmara desde a chegada do telégrafo – estão num único servidor. O servidor fica num porão do país vizinho.

– Durante anos mandamos nossas informações mais sensíveis para o outro lado da fronteira toda noite, sem passaporte e sem ninguém perguntar nada, diz uma assessora do setor de defesa civil do município. Ela pediu para não ter o local de trabalho citado, porque o escritório também fica em Arendal.

A decisão saiu na mesma manhã: o servidor volta para casa. Uma delegação de Vik cruzou a divisa municipal com carrinho de mão, cobertor de lã e uma carta formal em duas línguas, norueguês e grimstadês.

No país vizinho, a delegação foi recebida por um zelador, surpreso com a visita.

– A gente não fazia ideia de que era de vocês. Está lá embaixo piscando há onze anos. Achávamos que era parte do aquecimento, e usávamos para secar luvas, diz o zelador.

O servidor agora está em segurança em Vik, num quartinho debaixo de uma manta de tricô, e Grimstad tem, tudo indica, os dados mais seguros do país. Ninguém na nossa pequena nação consegue fazer login. A senha está num bilhete que continua pendurado na parede do porão em Arendal.

– É um preço que estamos dispostos a pagar pela soberania, diz a assessora. O conselho de segurança vai decidir agora se pode mandar uma nova delegação para buscar o bilhete, ou se isso seria visto como provocação. As luvas foram devolvidas num pacote separado.

Comentários (4)

  1. Bjørg Terkelsen

    Eu moro em Arendal e não dei autorização a ninguém para ter um servidor estrangeiro num porão daqui por onze anos. Exijo saber quem secou luvas nele, e se a Wenche foi uma delas.

    1. Sindre Kvåle Moderador

      É uma pergunta totalmente legítima quem secou luvas no servidor, e isso precisa ser esclarecido. Ao mesmo tempo, lembremos que todos têm direito de secar luvas. Eu mesmo sequei um cachecol lá no inverno passado, sem saber o que era.

  2. AFK_eller_ingenting

    Onze anos com dados de Grimstad no nosso porão, e ninguém percebeu nada. Vai saber o que mais eles espalharam por aí. Fui olhar meu próprio porão. Tem uma mesa de pingue-pongue lá que eu nunca comprei.

  3. Wenche Olsen

    Tricotei uma manta nova para o servidor, nas cores de Grimstad, para ele se sentir em casa. Levei a noite toda. A Bjørg diz que servidor não tem sentimentos, mas a Bjørg disse o mesmo da minha cerca viva.

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Tradução: Giovanna Kellyane dos Santos, nossa correspondente no Brasil, que não tinha nada melhor para fazer.

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