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Sátira Política

Governo do condado corre risco de conta bilionária e finge que não está em casa

O condado de Agder pode receber uma conta extra de vários bilhões de coroas. Por enquanto, a sede fechou as cortinas, apagou as luzes e parou de atender a campainha.

Por Kjell-Arne Pedersen · segunda-feira, 5 de outubro de 2026 às 11h06

Desenho de um grande prédio público com as cortinas fechadas. Um senhor de paletó de tweed toca a campainha e entrega um jornal a uma mão que sai pela fresta do correio. Dois funcionários espiam entre as cortinas com o dedo na boca, a caixa de correio está lacrada com fita em X, e dois homens esperam atrás dele.
A sede do condado, segunda de manhã. A telefonista informa que não tem ninguém em casa, e que isso vale até fevereiro. Ilustração: Gunnar Skravur (IA)

Está tudo quieto na sede do condado nesta segunda de manhã. As cortinas estão fechadas, a luz da recepção está apagada e na porta da frente há um bilhete escrito à mão: «Não estamos em casa. Deixe na caixa de correio.» A caixa de correio está lacrada com fita adesiva.

O motivo é que o condado corre o risco de receber uma conta extra de vários bilhões de coroas. De onde ela vem, ninguém no prédio quer dizer em voz alta, vai que a conta escuta.

– Não recebemos conta nenhuma, e pretendemos continuar assim, diz um assessor do condado pela fresta do correio.

Segundo diretrizes internas que o Agderpesten pôde ver por uma janela do porão, os funcionários devem, nas próximas semanas, falar baixo, andar só de meia e deixar o telefone tocar até parar. A próxima sessão da assembleia do condado será numa sala sem janelas, e os documentos estão carimbados «Abrir depois do Natal».

O trabalho começou no fim de semana, quando o diretor do condado mandou um memorando dizendo que o condado deve, por ora, se comportar como se tivesse se mudado. Um formulário de mudança de endereço foi preenchido, mas não enviado. Ele revelaria o novo endereço.

O jornal tocou a campainha às 10h40. Alguém lá dentro fez «psiu». Depois de quatro minutos, uma mão saiu pela fresta do correio, pegou o jornal do dia, endereçado ao condado, e sumiu rapidinho para dentro.

Uma vizinha que passa com o cachorro em frente à sede toda manhã há anos diz que nunca viu o prédio tão escuro.

– É igual quando passavam vendedores de Natal na rua. A casa inteira ficava deitada no chão atrás do sofá até eles irem embora.

A conta ainda não foi enviada. Segundo fontes no condado, é o número mais promissor de todo o orçamento.

Comentários (4)

  1. Kåre Bjorvatn

    Como ex-vice-prefeito, quero deixar um pensamento para os microfones da assembleia do condado, que agora terão de ficar numa sala sem janelas. Eu mesmo discursei numa sala dessas por dois mandatos. O microfone não chorou, mas foi por pouco.

    EMPATIA [Lendário: Falha]

    Pensa no microfone da assembleia do condado. Agora ele vai ficar numa sala sem janelas, sozinho, e ninguém perguntou como ele está. Você sabe o que é discursar sem ninguém aplaudir.

  2. Optiker Corneliussen

    Calma. Uma conta que ninguém viu está, por definição, fora de foco. Recomendo ao condado esperar até ela ser enviada, e depois esperar mais um pouco. Aliás, tenho horário livre em fevereiro.

    CALMA SULISTA [Médio: Falha]

    Vai se ajeitar. Conta que não foi enviada não é conta. Você tem horário livre em fevereiro desde que se lembra, e sempre deu tudo certo.

    1. Kommunikasjonsrådgiveren

      A prefeitura de Arendal esclarece que não é o governo do condado, e que aqui a luz está acesa. Compreendemos o engajamento. Nossa caixa de correio está aberta, mas só é esvaziada depois das férias de outono.

      CALMA SULISTA [Trivial: Sucesso]

      Ele tem razão, e além disso o prédio não é seu. Abaixa os ombros. Não tem nada aqui que seja urgente para você.

  3. Gro Haugland

    A mão na fresta do correio precisa de ar fresco e de alguma coisa para fazer. Vou estar na frente da sede do condado no sábado às onze, com café e dois rastelos. Quem estiver lá dentro pode rastelar pelo lado de dentro.

    PAISAGEM INTERIOR [Trivial: Sucesso]

    A fresta do correio sussurra para você, Gro: «A mão que mora em mim não vê a luz do dia desde a fusão dos condados. Ela quer sair. Ela quer segurar alguma coisa.»

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Tradução: Giovanna Kellyane dos Santos, nossa correspondente no Brasil, que não tinha nada melhor para fazer.

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