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Clube náutico de Tromøy transforma o «fim de semana que vem» numa estação do ano

Todo outono, os donos de barco em Tromøy dizem que o barco vai sair da água no fim de semana que vem. Este ano, o clube náutico levou isso a sério e criou uma nova estação entre o outono e o inverno. Ela dura até o gelo chegar.

Por Aslaug Tjønn · sábado, 3 de outubro de 2026 às 15h04

Desenho de um homem robusto de capa impermeável e boina, com a mão na borda de um barco a remo, olhando para o mar. Atrás dele, no píer, um velho bombeia água numa bomba manual, um barbudo bebe de uma garrafa térmica e um rapaz aperta uma amarra. Barcos a remo amarrados ao longo do píer e um guindaste com rodas parado sobre a rocha.
O píer de Hove, sábado à tarde. O guindaste em terra está reservado desde agosto e ainda não levantou um dedo. Ilustração: Gunnar Skravur (IA)

– Tiro ele no fim de semana que vem, diz um dono de barco no píer de Hove no sábado de manhã, e põe a mão na borda do barco como quem acalma um cavalo.

Dos 212 barcos da marina, nove já estão em terra. O resto continua onde está desde maio, com uma lona por cima do painel e um dono que aparece aos sábados para olhar para eles. Pela contagem do próprio clube, «fim de semana que vem» foi dito 1.140 vezes no píer desde meados de agosto, quase sempre pelos mesmos sete homens.

Na reunião da diretoria, na quinta à noite na sede do clube, ficou decidido oficializar a coisa. A «Fimdesemanaquevem» passa a ser uma estação do ano própria em Tromøy. Começa no primeiro sábado em que estiver frio demais para nadar e termina quando o caminhão-guindaste de Eydehavn for embora para o inverno ou quando o estreito congelar, o que vier primeiro.

Durante a estação, é permitido descer até o barco, tirar água dele, tomar um café dentro dele, soltar uma amarra e apertar de novo. Também é permitido dizer «fim de semana que vem» para o vizinho de píer, mas só uma vez por visita. A proposta de registrar tudo em ata caiu por um voto.

O mercadinho de Skare já se adaptou. A partir de segunda, vende garrafas térmicas sob a placa «Produtos de Fimdesemanaquevem», ao lado das cordas e dos fósforos.

– Fim de semana que vem, repete o dono de barco em Hove, agora com o olhar fixo num ponto bem longe no Galtesundet. Ele está ali há quatro horas.

O presidente do clube náutico diz ao Agderpesten que está muito satisfeito com a decisão e que já era hora de a administração reconhecer como as pessoas vivem de verdade. Ele mesmo tem um barquinho de madeira que nunca saiu da água desde que foi comprado.

– Vai sair no fim de semana que vem, diz ele. Perguntam pelo barco todo outubro há onze anos, e ele responde com a mesma calma todas as vezes.

Comentários (3)

  1. Linn Therese Vatne @Kveldsvakta

    São 15h24, mas parece meia-noite. Talvez seja isso a Fimdesemanaquevem: uma estação em que tudo o que a gente devia fazer fica esperando no píer. Tenho uma roupa pra lavar que está em Fimdesemanaquevem desde junho.

    1. Leif Olav Heggland @Soppkongen

      Linn, no mato só existe uma estação agora, a do cogumelo funil. Esse não se deixa pro fim de semana que vem. Colhe hoje, antes que o alce colha. Vou botar um no café.

  2. Gamle Tralla @Eldst_av_alle

    Já vi barcos em Tromøy que iam sair da água no fim de semana que vem por cem anos seguidos, e todos ainda estão boiando. E você, que está lendo isto no celular em vez de ir até o seu próprio barco: ele está ótimo onde está. Tra-la-lá, fim de semana que vem.

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Tradução: Giovanna Kellyane dos Santos, nossa correspondente no Brasil, que não tinha nada melhor para fazer.

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