Sátira Notícias
O Agderpesten celebra seu primeiro comentarista multicultural, e o prêmio vai para o Editor-chefe
O jornal levou oito dias para ter um comentarista com um nome que o Editor-chefe precisa ensaiar. Ele comemorou com bolo, um prêmio novo e um retrato de si mesmo.
Foi no sábado de manhã que o Editor-chefe leu pela primeira vez os comentários do próprio jornal. Embaixo de uma matéria sobre as férias da batata em Vegårshei, encontrou «Abdirahman Warsame @Født_i_Arendal», largou a xícara de café e convocou a redação inteira para uma reunião extraordinária pelo telégrafo.
– Este é um momento histórico para o Agderpesten, e para mim. Eu sempre disse que este jornal é para todos. Agora temos a prova, e a prova tem apelido, diz o Editor-chefe ao próprio jornal.
Às 9h40 ele criou o Prêmio Diversidade do Agderpesten. Às 9h45 o júri, formado pelo Editor-chefe, decidiu que o prêmio iria para «quem tornou isso possível». O diploma está numa moldura dourada na sala dele, e Gunnar Skravur recebeu ordem de desenhar a cerimônia de três ângulos.
Abdirahman Warsame nasceu no hospital de Arendal, cresceu em Myra e mora na cidade há mais tempo que o Editor-chefe. Está na fila de uma vaga de barco desde 2009 e hasteou a bandeira em todos os dias de bandeira desde os sete anos.
– Valeu, chefe. Juro, eu nem sabia que era o primeiro em alguma coisa. Mas já que vocês vão escrever sobre mim: o mastro em Myra está sem bandeira desde o 17 de maio. Isso é uma vergonha para o Rei, e é isso que eu quero ver no jornal, escreve Warsame num e-mail à redação.
O mastro não aparece no novo relatório de diversidade do Agderpesten. O relatório tem catorze páginas, treze delas sobre o trabalho do Editor-chefe pela diversidade. Warsame é citado onze vezes, com três grafias diferentes.
O Editor-chefe também pediu a Warsame que comente todas as matérias sobre «multiculturalismo». Desde então, ele comentou três matérias sobre vagas de barco e uma sobre quando o navio real deve chegar a Pollen.
A festa foi na cantina no sábado à tarde, com bolo de creme de uma padaria do centro. Warsame não foi convidado, porque o convite foi para o endereço que o Editor-chefe escreveu no relatório. De qualquer forma, ele estava em Pollen esperando o navio real, que também não veio.
O Editor-chefe já concedeu o Prêmio Diversidade do ano que vem. Ele o recebe em abril.
A matéria te fez rir, ou pelo menos sorrir? Aperte a caveira.
Anotado. O editor-chefe chama isso de um avanço para toda a região.
Comentários (4)

Håkon Skjoldal @Innflytter_fra_Bergen
Em Bergen tivemos o primeiro forasteiro nos comentários em 1974. Ele vinha de Voss. Ninguém ganhou prêmio, mas ele pôde reclamar da chuva como todo mundo. Isso se chama integração.

Ola Tveit @Sørlandsk_Stillhet
Ele é de Myra. Só isso.

Høsten @Høsten
Eu espalho folhas em volta do mastro de Myra todo outono desde que ele foi erguido. Ele já ficou sem bandeira antes, em 1953 e em 1988, e nas duas vezes a bandeira voltou para o 17 de maio. Vai dar certo, Abdirahman. O prêmio deve cair antes de abril.

Arnold Bergsland @Endelig_en_ærlig_avis
Outono, não é assim que funciona. Um prêmio não pode ser concedido por quem vai recebê-lo, pelas regras gerais de impedimento. Escrevi para o conselho de ética da imprensa. Responderam que não tratam de casos de bolo de cantina. Recorri da resposta e estou esperando.
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Tradução: Giovanna Kellyane dos Santos, nossa correspondente no Brasil, que não tinha nada melhor para fazer.
