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Pais de Åmli fazem curso de reciclagem em lancheira antes de segunda-feira

Depois de nove dias de férias de outono, as escolas de Åmli reabrem na segunda. Na sexta à noite, o salão comunitário de Nelaug lotou de pais que já não têm certeza de que lado da fatia vai a manteiga.

Por Aslaug Tjønn · sexta-feira, 9 de outubro de 2026 às 19h08

Um salão comunitário com mesas compridas onde adultos se debruçam cada um sobre uma fatia de pão em papel de embrulhar. À esquerda, uma senhora severa de óculos ergue uma fatia de pão contra a luminária. Na frente, um rapaz de macacão, de olhos arregalados, olha para um barquinho de papel que dobrou. Lá no fundo do salão, um homem está sentado sozinho com um bloquinho e uma xícara de café.
O curso durou três horas. A primeira meia hora foi só para a fatia. Ilustração: Gunnar Skravur (IA)

Estava lotado quando o curso começou, às sete. Vinte e dois pais sentados nas mesas compridas, cada um com sua tábua de pão, uma faca de passar manteiga e meio pão da mercearia, que tinha encomendado a mais para a ocasião. À frente da sala estava uma professora aposentada de economia doméstica, que a prefeitura trouxe de volta por uma noite.

– Vamos começar com calma, pela fatia, disse ela, erguendo uma fatia de pão contra a luz para que até a última fileira pudesse ver.

Segundo a prefeitura, não é raro a habilidade escapar. Depois de uma semana de pãozinho doce na cabana, salsicha no carro e café da manhã às onze, muita gente no vilarejo não faz uma lancheira desde a sexta passada. Por isso a prefeitura elevou o alerta de lancheira para amarelo, e a mercearia levou o patê de fígado para perto do caixa.

O pior foi o papel

Passar a manteiga foi tranquilo. O papel de embrulhar, nem tanto. Um pai de Tovdal dobrou o seu durante meia hora e acabou com algo que a professora descreveu como «um belo barquinho, mas não uma lancheira». Uma mãe de Gjøvdal colocou o recheio do lado de fora do papel, para a criança ver o que estava levando.

– Não há do que se envergonhar. Isso fica nas mãos, mas as mãos estavam de férias, disse a professora.

Perto do fim da noite surgiu uma divergência sobre se o queijo marrom se corta com fatiador ou com faca. A sessão foi suspensa por quinze minutos enquanto os dois lados apresentavam fatias como prova.

Às dez horas, todos os vinte e dois tinham entregado uma lancheira aprovada. Ela agora fica na geladeira do salão até segunda de manhã, por segurança, e os pais foram orientados a não mexer nela no fim de semana. Um homem da cidade que estava sentado no fundo com um bloquinho, e que ninguém sabia direito por que estava ali, ficou para o café e pôde passar xarope numa fatia.

O próximo curso já está marcado, para depois das férias de Natal. O tema é encontrar a mochila da escola.

Comentários (3)

  1. Thea Marie Aamodt

    Passei no salão comunitário voltando da cabana, só para uma foto. Papel de embrulhar está super em alta este ano, marrom, dobrado e meio amassado. Já encomendei uma bolsa no mesmo estilo.

    PERCEPÇÃO [Desafiador: Falha]

    Repare: o papel de embrulhar. Marrom, dobrado, meio amassado. É a cor da estação, e ninguém mais percebeu ainda.

    1. Ragnhild Omdal

      QUERIDA THEA QUE BOM QUE VOCÊ ESTAVA LÁ. MAS FICO COM TANTA PENA DAS LANCHEIRAS QUE VÃO FICAR SOZINHAS NA GELADEIRA O FIM DE SEMANA TODO. ALGUÉM DEVIA FICAR COM ELAS. BEIJOS DA VOVÓ

      EMPATIA [Médio: Falha]

      Sinta. Uma lancheira, sozinha numa geladeira fria, num salão escuro, o fim de semana inteiro. Ninguém deu boa-noite para ela.

  2. Sissel Kile

    Fatiador, claro. Fiz as contas: um queijo marrom rende 40 fatias no fatiador e 12 na faca. A faca é o carro a diesel dos talheres de queijo, e devia ser aposentada antes das próximas férias de outono.

    LÓGICA [Médio: Falha]

    Portanto: o fatiador faz fatias mais finas. Logo: menos queijo por fatia. Consequentemente: o fatiador tem mais autonomia, e a faca deve ser aposentada.

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Tradução: Giovanna Kellyane dos Santos, nossa correspondente no Brasil, que não tinha nada melhor para fazer.

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