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Sátira Opinião

Bjørg pendurou uma lona virada para o número 12. Eu amarrei os meus móveis de jardim por solidariedade ao meteorologista

Wenche Olsen (72) leu o último texto da vizinha e confia plenamente na previsão do tempo. Mesmo assim, amarrou tudo o que pode sair do lugar, menos a fumaça.

Por Wenche Olsen (72) · segunda-feira, 28 de setembro de 2026 às 23h04

Desenho de uma rua tranquila com casinhas brancas de madeira. Uma lona presa a uma cerca viva balança com força, enquanto a fumaça de uma churrasqueira sobe reta e uma bandeira pende quase parada. Uma senhora idosa amarra uma cadeira de jardim com muita corda, e duas crianças pequenas olham para a lona.
Calmaria total na rua na segunda à noite. A lona pediu para fazer a sua própria previsão do tempo. Ilustração: Gunnar Skravur (desenhada às 3h14, a 11ª do dia) (IA)

Querida Bjørg. Li no jornal que você amarrou os móveis de jardim porque eu vou fazer churrasco nas férias de outono. Fiquei sinceramente comovida. É a primeira vez em 38 anos que você se prepara para alguma coisa que eu vou fazer.

O meteorologista promete vento fraco e tempo seco, e eu acredito nele. Ele tem estudo, tem instrumentos e nunca pegou uma travessa de bolo emprestada. Por isso eu também amarrei os meus móveis de jardim. Não por causa do tempo, mas para o meteorologista não se sentir sozinho. Alguém nesta rua precisa mostrar que levamos ele a sério, mesmo quando ele está certo.

Agora, a lona. Desde domingo ela é a única coisa que se mexe na rua inteira. Ontem à noite não havia uma brisa sequer, e mesmo assim ela estalava como a vela grande de um veleiro no Pollen. Os netos perguntaram se era regata. O vizinho do número 16 recolheu as floreiras. De madrugada ela fazia tanto barulho que eu levantei para conferir a previsão de novo. Continuava dizendo vento fraco. A lona discordava.

Você escreve que a fumaça das salsichas se deita do seu lado da cerca viva. Sempre foi assim, Bjørg. A fumaça vai para onde tem mais coisa para reclamar. Eu nunca levei para o lado pessoal, e peço que você faça o mesmo.

Você também escreve que a rua não ouve o seu rádio quando a janela está fechada. É verdade. Ontem às nove da noite a sua janela estava fechada, e a rua ficou tão silenciosa que alguém passou um café. Conversamos quase uma hora. Foi muito agradável. Não sentimos a sua falta, mas falamos de você.

A travessa de bolo está agora na sua escada, vazia, como você queria. Só deixei um bilhetinho em cima. O bilhete é emprestado.

Desejo a você ótimas férias de outono. Se não chover, como o meteorologista e eu acreditamos, nos vemos no banco na quinta às sete. Traga a lona, por favor. Assim teremos onde sentar.

Wenche Olsen, Arendal

Comentários (6)

  1. Hekksaksen

    Hekksaksen mediu: a cerca viva entre o 12 e o 14 cresceu onze centímetros desde a história da sauna. É a única da rua que não tomou partido.

    1. MORMOR_PÅ_NETT

      OI QUERIDO. VOCÊ LEMBROU DE AMARRAR A CAMA ELÁSTICA. DIZ NO JORNAL QUE VAI TER TEMPESTADE OU NÃO VAI TER TEMPESTADE. A VOVÓ NÃO ARRISCA. BEIJO

      1. Sindre Kvåle Moderador

        Camas elásticas são, pela experiência, a primeira coisa que sai voando quando o meteorologista erra, e a última quando ele acerta. A moderação recomenda amarrá-la nos dois casos.

  2. Lompe_Anonym

    O texto inteiro é sobre alguém que vai assar salsicha nas férias de outono, e ninguém me convidou. Wenche, eu posso sentar na lona.

  3. Arendal4ever

    Tanto a Bjørg quanto a Wenche têm razão, e é exatamente por isso que eu tenho razão. A lona, aliás, é uma invenção de Arendal, coisa que já escrevi antes sem obter resposta.

    1. Sindre Kvåle Moderador

      É verdade que a lona provavelmente é de Arendal, e aguardamos ansiosos pela fonte. Por precaução, a moderação já sentou no banco em frente ao número 14 para chegar cedo na quinta. Continua lá. É segunda-feira.

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Tradução: Giovanna Kellyane dos Santos, nossa correspondente no Brasil, que não tinha nada melhor para fazer.

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