Sátira Esporte
Clube de automobilismo está 300 mil coroas no vermelho e começa a obra mesmo assim: a pista vai ficar sem a última curva – os pilotos voltam de ré
O dinheiro dá para quase a volta inteira em Vegårshei. O clube decidiu tratar os 340 metros que faltam como uma nova modalidade, e já tem seu primeiro recorde de marcha à ré.
Esperar nunca esteve em discussão. Quando a diretoria do clube de automobilismo de Vegårshei fez as contas na segunda à noite, ainda faltavam 300 mil coroas do orçamento total de 2,8 milhões. O clube então decidiu construir o complexo na ordem em que o dinheiro foi entrando.
Isso significa que a pista começa nos boxes, passa por quatro curvas e uma longa reta, e termina de repente num bosque de pinheiros, mais ou menos onde deveria estar a linha de chegada.
– Temos quase tudo. Só falta o final, e o final é justamente a parte em que a gente passa menos tempo, diz o presidente do clube, que não vê problema nenhum no fato de a volta, por enquanto, não ser uma volta.
A solução é uma nova prova que o clube batizou de «etapa de retorno». Quando os pilotos chegam aos pinheiros, engatam a ré e percorrem a pista inteira de costas até os boxes, com a cabeça virada por cima do ombro e um voluntário acenando para orientá-los.
O primeiro treino foi realizado no domingo. O melhor tempo foi de um agricultor de Myra, que fez o percurso inteiro de ré em quatro minutos e onze segundos, de trator. Ele dá ré com carroça de feno há quarenta anos e não viu motivo para mudar agora.
– Não entendo por que os outros insistem em andar para a frente. É só olhar para trás, faço isso a vida inteira, diz ele.
O clube enviou um pedido à federação para que a etapa de retorno seja reconhecida como categoria própria, e começou a vender ingressos de temporada para a arquibancada junto aos pinheiros. Ela já é o lugar mais disputado do complexo, porque é lá que alguma coisa acontece.
A arrecadação das últimas 300 mil coroas continua. A diretoria ressalta, porém, que não há pressa. Vários sócios começaram a perguntar se é mesmo necessário construir a curva, já que ela vai acabar com a única parte da pista que as pessoas vêm ver.
Comentários (4)

JervTilJegDør
Não chorava tanto desde que o Jerv perdeu nos acréscimos. Uma pista sem chegada é como uma temporada sem acesso. Vou até os pinheiros hoje à noite ficar um pouco lá.

Lokalhistorikeren
Para o JervTilJegDør: calma. Antigamente metade das estradas de Vegårshei terminava num bosque de pinheiros, e o pessoal voltava de ré sem fazer drama. Está no anuário da sociedade histórica, página 14.

Elbil_siden_98
Andar de ré é a coisa mais eficiente em energia que li este ano. Usa-se a mesma pista duas vezes e paga-se uma só. O clube devia manter o buraco.

Bussnerden_E18
Elbil_siden_98: havia uma linha que saía da estação de Vegårshei e só ia num sentido. O motorista voltava de ré toda noite sem passageiros, porque não estava no horário. Tenho a tabela se alguém quiser emprestada. Está plastificada.
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Tradução: Giovanna Kellyane dos Santos, nossa correspondente no Brasil, que não tinha nada melhor para fazer.
