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Sátira Esporte

Clube de automobilismo está 300 mil coroas no vermelho e começa a obra mesmo assim: a pista vai ficar sem a última curva – os pilotos voltam de ré

O dinheiro dá para quase a volta inteira em Vegårshei. O clube decidiu tratar os 340 metros que faltam como uma nova modalidade, e já tem seu primeiro recorde de marcha à ré.

Por Rune «Rune» Aas · terça-feira, 29 de setembro de 2026 às 11h04

Um velho agricultor dá ré num trator por uma pista de terra que termina de repente num bosque de pinheiros, enquanto um rapaz acena para orientá-lo e pessoas numa pequena arquibancada assistem
A etapa de retorno em Vegårshei, domingo. A arquibancada junto aos pinheiros esgotou antes que alguém soubesse o que ia assistir. Ilustração: Gunnar Skravur (IA)

Esperar nunca esteve em discussão. Quando a diretoria do clube de automobilismo de Vegårshei fez as contas na segunda à noite, ainda faltavam 300 mil coroas do orçamento total de 2,8 milhões. O clube então decidiu construir o complexo na ordem em que o dinheiro foi entrando.

Isso significa que a pista começa nos boxes, passa por quatro curvas e uma longa reta, e termina de repente num bosque de pinheiros, mais ou menos onde deveria estar a linha de chegada.

– Temos quase tudo. Só falta o final, e o final é justamente a parte em que a gente passa menos tempo, diz o presidente do clube, que não vê problema nenhum no fato de a volta, por enquanto, não ser uma volta.

A solução é uma nova prova que o clube batizou de «etapa de retorno». Quando os pilotos chegam aos pinheiros, engatam a ré e percorrem a pista inteira de costas até os boxes, com a cabeça virada por cima do ombro e um voluntário acenando para orientá-los.

O primeiro treino foi realizado no domingo. O melhor tempo foi de um agricultor de Myra, que fez o percurso inteiro de ré em quatro minutos e onze segundos, de trator. Ele dá ré com carroça de feno há quarenta anos e não viu motivo para mudar agora.

– Não entendo por que os outros insistem em andar para a frente. É só olhar para trás, faço isso a vida inteira, diz ele.

O clube enviou um pedido à federação para que a etapa de retorno seja reconhecida como categoria própria, e começou a vender ingressos de temporada para a arquibancada junto aos pinheiros. Ela já é o lugar mais disputado do complexo, porque é lá que alguma coisa acontece.

A arrecadação das últimas 300 mil coroas continua. A diretoria ressalta, porém, que não há pressa. Vários sócios começaram a perguntar se é mesmo necessário construir a curva, já que ela vai acabar com a única parte da pista que as pessoas vêm ver.

Comentários (4)

  1. JervTilJegDør

    Não chorava tanto desde que o Jerv perdeu nos acréscimos. Uma pista sem chegada é como uma temporada sem acesso. Vou até os pinheiros hoje à noite ficar um pouco lá.

    1. Lokalhistorikeren

      Para o JervTilJegDør: calma. Antigamente metade das estradas de Vegårshei terminava num bosque de pinheiros, e o pessoal voltava de ré sem fazer drama. Está no anuário da sociedade histórica, página 14.

  2. Elbil_siden_98

    Andar de ré é a coisa mais eficiente em energia que li este ano. Usa-se a mesma pista duas vezes e paga-se uma só. O clube devia manter o buraco.

    1. Bussnerden_E18

      Elbil_siden_98: havia uma linha que saía da estação de Vegårshei e só ia num sentido. O motorista voltava de ré toda noite sem passageiros, porque não estava no horário. Tenho a tabela se alguém quiser emprestada. Está plastificada.

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Tradução: Giovanna Kellyane dos Santos, nossa correspondente no Brasil, que não tinha nada melhor para fazer.

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