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Empresa de balsas se recusa a pagar pelo atracadouro – agora a balsa encosta a meio metro do cais

O porto criou uma taxa para usar os atracadouros de balsa. A empresa de balsas mais antiga da cidade respondeu parando de usá-los, e a distância entre as partes agora é medida em centímetros.

Por Torunn Vik-Hansen · quarta-feira, 30 de setembro de 2026 às 07h09

Desenho de uma pequena balsa parada a certa distância de um cais de pedra. Passageiros desembarcam numa prancha apoiada num cavalete dentro da água. Um homem na cabine mede com uma trena, e um funcionário do porto no cais estende uma folha de papel.
A saída da manhã no Pollen. O homem da trena não tira os olhos das medidas desde terça. Ilustração: Gunnar Skravur (IA)

O porto de Arendal mandou para a empresa de balsas mais antiga da cidade a fatura da taxa recém-criada para usar os atracadouros. A empresa ainda não pagou, e o chefe do porto avisou na quarta que vai cobrar o dinheiro.

A empresa, porém, encontrou uma solução que, na visão dela, torna a fatura inteira desnecessária. Desde terça de manhã, a balsa encosta a exatamente meio metro da beira do cais.

– Nós não usamos o atracadouro. Usamos a água do lado do atracadouro, e ninguém mandou conta por isso, diz um representante da empresa, que acompanhou a partida da cabine de comando com uma trena na mão.

Para o comércio da cidade, o conflito é uma rara chance de ver duas empresas inovando ao vivo. O porto tem uma receita nova que ninguém paga, a empresa tem um cais que não usa, e os passageiros ganharam uma etapa inteiramente nova na viagem. Mais ganha-ganha que isso é difícil, mesmo que ninguém tenha ganhado nada até agora.

Os passageiros agora desembarcam numa prancha que é da própria empresa. Ela se apoia num cavalete de madeira que foi colocado no cais na terça de manhã. Uma hora depois, havia uma nova fatura na caixa de correio da empresa: «Armazenamento temporário de cavalete em cais público», cobrado por perna.

O cavalete agora está numa pequena jangada ao lado do cais. O porto respondeu criando uma taxa de aproximação para qualquer embarcação a menos de cinco metros do atracadouro, cobrada por centímetro – quanto mais perto, mais caro. Às três da tarde, a balsa estava a um metro. Na última saída da noite, a dois.

– Pego essa balsa há vinte anos. Antes a travessia levava quatro minutos. Agora três deles são só para conseguir descer, diz um passageiro que esperava no cais com a bicicleta no ombro, aguardando a prancha ser aumentada.

A empresa então pegou emprestada o que é descrito como a tábua mais comprida deste lado do rio Nidelva. Ela foi carregada até o Pollen por seis homens e um cavalo, e chamou a atenção dos turistas, que acharam que era um evento cultural.

Desenho de quatro pessoas, entre elas uma mulher e um homem de chapéu-coco, carregando uma tábua compridíssima por uma rua do porto, com um cavalo no meio. Um senhor idoso aplaude, e uma pequena balsa está lá fora na água.
A tábua a caminho do Pollen. O cavalo se ofereceu como voluntário, mas até agora não levantou nada. Ilustração: Gunnar Skravur (IA)

Na terça à noite, Madam Nattestad ofereceu à balsa atracar de graça no píer em frente ao seu estabelecimento.

– A Madame recebe escunas, vapores e um ou outro ministro neste píer desde a separação da Suécia, e nunca ninguém mandou uma conta para ela por isso, disse ela da beira do píer, com o lornhão apontado para o escritório do porto.

A balsa atracou na Madame em três viagens. Antes da quarta, havia um envelope na caixa de correio dela: o píer tinha sido reclassificado como atracadouro de balsa a partir da primeira atracação. – A Madame não paga por navios que não são dela. A Madame mal paga pelos que são, disse ela, e recolheu a amarra.

Desenho de Madam Nattestad com um grande chapéu de plumas, estola de plumas e lornhão num píer, segurando um envelope aberto e uma conta comprida. Um jovem garçom de avental solta uma amarra, e a balsa com passageiros se afasta do píer.
A Madame no píer na terça à noite. A amarra foi recolhida antes de ela terminar de ler a conta. Ilustração: Gunnar Skravur (IA)

O porto também mandou para a empresa uma conta por ondas batendo em infraestrutura pública. A empresa respondeu andando mais devagar. A travessia até Hisøy agora leva quinze minutos, e na terça à tarde a balsa foi ultrapassada por um cisne.

– A prefeitura compreende o engajamento dos dois lados e acompanha a distância de perto, diz o Assessor de Comunicação, ao ser perguntado se o porto foi longe demais. Ele não quis dizer quão longe seria isso.

As partes agora concordaram em fazer uma reunião para encontrar uma solução. Ela será a bordo da balsa, às dez da manhã de hoje. O chefe do porto prometeu chegar pontualmente ao cais, e a empresa prometeu chegar tão perto quanto o orçamento permitir. As duas partes descrevem a distância como construtiva.

Comentários (4)

  1. Bjørg Terkelsen

    No meu tempo a balsa encostava bem no cais. Quando não encostava, a gente pulava. Ninguém mandava fatura pelo pulo também.

    1. Mamma_slutt

      vó pfv. aliás o quiosque da balsa ainda abre quando ela fica lá longe? preciso de uma coca

    2. Sørlandsk_Stillhet

      Meio metro. Vai se ajeitando.

    3. Wenche Olsen

      Que bom que a Bjørg lembra dos pulos. Eu também lembro que era a Bjørg que pulava, e que a balsa esperou vinte minutos por ela. Desejo a todos um ótimo dia, principalmente na prancha.

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Tradução: Giovanna Kellyane dos Santos, nossa correspondente no Brasil, que não tinha nada melhor para fazer.

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