Sátira Cultura
Banda de Grimstad na final do Urørt troca para instrumentos que não sabe tocar: – A baixista infelizmente aprendeu a tocar baixo
A baixista aprendeu o instrumento quando entrou na banda. Agora que ela sabe tocar, o resto do grupo teme que isso vá dar para ouvir.
Há algo de cru numa baixista que não sabe tocar baixo. Ou melhor: havia. Quando visitei o estúdio de ensaio em Grimstad no domingo à noite, havia diante de mim uma baixista que sabia tocar baixo, e o clima na sala era condizente.
A banda, que começou com algumas apresentações de verão no sul da Noruega, está agora na final do «Årets Urørt», o prêmio de novos talentos da NRK, a TV pública norueguesa. A baixista aprendeu o instrumento no mesmo dia em que entrou. Esse é, segundo a própria banda, todo o segredo.
– No primeiro verão, nenhum de nós sabia o que ela estava fazendo, muito menos ela. Era isso que o público amava. Agora ela acerta as notas, e a gente percebe que isso tira a energia, diz o vocalista, olhando preocupado para a baixista, que afina o instrumento com uma precisão irritante.
A solução foi aprovada numa reunião da banda, com ata: antes da final, todos os integrantes trocam para um instrumento que nunca tocaram. A baixista passa para o acordeão. O baterista ganhou uma harpa. O guitarrista recebeu uma tuba e um manual de instruções em alemão, que foi orientado a não ler.
Pude assistir ao primeiro ensaio da nova formação. Passaram-se onze minutos até alguém acertar um acorde reconhecível, e ele foi imediatamente interrompido. Foi desconfortável, inacabado e profundamente honesto. Raramente ouvi uma tuba pedir desculpas daquele jeito.
Não é totalmente sem riscos. A banda teme que os integrantes fiquem bons antes da final e por isso proibiu qualquer ensaio individual. A harpa está trancada num depósito, e a chave foi enviada pelo correio a um dono de casa de veraneio em Oslo, que prometeu não abrir o envelope antes do Natal.
A prefeitura de Grimstad, que recentemente reivindicou direitos autorais sobre o sol, já pediu para registrar a incompetência como patrimônio cultural local. Arendal, a cidade vizinha e rival, respondeu que não existe uma única banda em Arendal que saiba tocar, e que portanto chegou primeiro.
Se a banda vencer, o prêmio será gasto num curso. O instrumento do curso será decidido por sorteio, para que ninguém corra o risco de ficar bom em algo que já toca. Nota da crítica: cru.
Comentários (6)

Olav Pettersen
Temos um acordeão parado na loja desde o inverno. Ninguém comprou, então é garantidamente intocado. A banda pode levar pelo preço de tabela.

Faktasjekkern
Um acordeão não pode ser intocado se está numa loja. Alguém carregou ele para dentro. Eu chequei.

Soppkongen
A harpa no depósito toca à noite. Eu ouvi da floresta. Ela aprendeu sozinha, e não quer ir para a final.

Tante_Tyholmen resposta a Soppkongen
Pobre harpa. Ela nunca pediu para entrar numa banda. Amanhã vou deixar uma xícara de café na porta do depósito.

Student_UiA resposta a Faktasjekkern
Na verdade escrevi sobre isso num trabalho: um instrumento só é intocado até alguém escutar. Aí quem toca nele é o ouvinte. Citando a mim mesmo aqui, página 14.

Bussnerden_E18 resposta a Soppkongen
A chave não deve ser aberta antes do Natal, mas foi enviada por correio comum de Grimstad para Oslo. Não chega antes do Natal de qualquer jeito. A harpa está segura.
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Tradução: Giovanna Kellyane dos Santos, nossa correspondente no Brasil, que não tinha nada melhor para fazer.