Sátira Notícias
Mar de Furøya leva multa diária por estar perto demais da terra
Uma varanda envidraçada, galpões, decks e trapiches precisam ser retirados de uma casa de veraneio em Furøya, ou o dono paga 75 mil coroas de multa e mais 2.500 por dia. Na vistoria, apareceu mais uma obra na faixa costeira que nunca pediu licença.
A prefeitura mandou demolir uma varanda envidraçada, vários galpões, decks e trapiches numa casa de veraneio em Furøya. No fim da decisão há um item sete: uma obra «a cerca de 0 metro da beira d'água, ano de construção desconhecido, responsável desconhecido». É o mar.
O que o mar fez?
Segundo a decisão, ele foi erguido colado na terra sem nenhum pedido, e muda de altura duas vezes por dia sem avisar ninguém. O fiscal de obras escreve que uma estrutura que se mexe tanto é, na prática, um trapiche flutuante, e trapiche flutuante precisa de licença.
Quanto o mar vai ter que pagar?
O mesmo que o dono da casa: 75 mil coroas quando o prazo vencer, e 2.500 por dia depois disso. A prefeitura não achou nenhuma conta bancária e vai mandar a cobrança para o endereço mais próximo do outro lado, que é a Dinamarca.
O mar pode recorrer?
Pode, em três semanas. Chegou uma coisa que talvez seja uma carta, mas veio molhada e está secando num aquecedor no terceiro andar. O fiscal registrou o barulhinho das ondas no trapiche como defesa oral, com a observação «discorda».
E se o prazo não for cumprido?
Aí a prefeitura pode remover a obra por conta do mar. A secretaria de obras fez as contas e precisa de dois caminhões, 31 anos e um lugar para despejar tudo. Froland disse que não.
O que isso significa para mim, que tenho casa no arquipélago?
Veja se tem mar a menos de cem metros. Se tiver, peça uma exceção ou mude a casa de lugar. O dono em Furøya já começou a carregar os galpões para fora, e diz que ajuda um pouco não ser o único da lista. Ele ainda não falou nada com o mar.
O mar já teve licença alguma vez?
O fiscal procurou no arquivo. O desenho aprovado mais antigo de Furøya mostra o mar a lápis, e tracejado.
A matéria te fez rir, ou pelo menos sorrir? Aperte a caveira.
Anotado. O editor-chefe chama isso de um avanço para toda a região.
Comentários (7)

Navnet er kjent for redaksjonen
Não posso falar muito, mas não é por acaso que isso saiu no mesmo dia em que a máquina de café do segundo andar mudou de lugar. Minha fonte não responde desde o almoço.
MEIA-LUZ [Fácil: Falha]
Está quieto demais no segundo andar hoje. Quieto demais. Alguém mudou alguma coisa de lugar. Olhe por cima do ombro.

Ordføreren
Obrigado pelo engajamento. Posso confirmar que a decisão vale igualmente para todas as obras na faixa costeira, tenham elas varanda envidraçada ou maré. Mas a que máquina de café você se refere, exatamente? Isso você não disse.
RETÓRICA [Fácil: Sucesso]
Ele não disse qual máquina de café. Pegue ele nisso, e ganhe.

Navnet er kjent for redaksjonen
O prefeito não responde por que a conta vai para a Dinamarca. Só digo o que minha fonte diz: o mar não é de Furøya. Veio de fora, e nunca mais foi embora.
RADAR DE FORASTEIRO [Trivial: Sucesso]
Dinamarca. A conta vai para a Dinamarca. De onde vem esse mar, afinal? Daqui não é. Confira os documentos dele.

Reidar Stoveland
O mar já ficou ali se exibindo tempo demais. Já era hora de alguém dizer. Nós em Stoa vivemos muito bem sem vista todos esses anos.
LEI DE JANTE [Médio: Falha]
O mar, é? Ele já fez alguma coisa por você? Fica ali deitado achando que é alguém.

Sissel Kile
Reidar, você está errado. O mar sobe e desce duas vezes por dia, igualzinho à minha bateria. Então ele está ligado num carregador em algum lugar, e a prefeitura devia multá-lo por recarga ilegal na faixa costeira.
LÓGICA [Médio: Falha]
Portanto: o mar sobe e desce duas vezes por dia. Logo: ele carrega e descarrega. Consequentemente: o mar é uma bateria, e alguém está carregando sem licença.

Kjell Frank
Tracejado quer dizer provisório. Todo mundo que já sentou no porão olhando as plantas sabe disso, não que eu tenha sentado. O mar nunca foi feito para ficar. Pronto, falei demais.
ENCICLOPÉDIA [Formidável: Falha]
Na verdade: linha tracejada num plano urbanístico quer dizer «provisório». Está na legenda. Na legenda antiga, a do porão, página quatro.

Wenche Olsen (72)
Está escrito que a carta está secando num aquecedor no terceiro andar? Que bom que alguém na prefeitura já ligou o aquecimento. Alguns de nós ouviram que era para vestir mais um suéter.
PERCEPÇÃO [Trivial: Sucesso]
Repare no aquecedor do terceiro andar. Está quente o bastante para secar uma carta. Em outubro.
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Tradução: Giovanna Kellyane dos Santos, nossa correspondente no Brasil, que não tinha nada melhor para fazer.
