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Porto explode o fundo do mar para alargar o canal de entrada – agora o fundo do mar está numa barcaça bem no meio dele: – Continuamos muito happy

A explosão foi calculada até o último metro cúbico. Para onde os metros cúbicos vão depois, ninguém quis responder, muito menos os municípios vizinhos.

Por Agderpestens nyhetsdesk · terça-feira, 29 de setembro de 2026 às 07h09

Desenho de um canal estreito entre rochedos e casas brancas. No meio do canal há uma barcaça com uma montanha de pedra explodida, alta como o farol ao lado. Um navio a vapor espera do lado de fora, uma mulher sorridente acena com o chapéu da barcaça, e um velho prático de barba e cachimbo observa do cais junto com alguns curiosos.
O canal de entrada na manhã de terça. O vapor espera desde as sete e já começou a perguntar se pode comprar uma das pedras. Ilustração: Gunnar Skravur (IA)

O canal de entrada de Arendal vai ficar mais largo e mais fundo. Durante o outono, 21.000 metros cúbicos de material serão explodidos do fundo do mar e retirados, para que navios maiores consigam encontrar o caminho até a cidade. A gerente do projeto na autoridade portuária não esconde o clima.

– Estamos muito happy, diz ela.

A explosão em si foi planejada nos mínimos detalhes, com furos, cargas e um cronograma revisado por três consultores e um prático. O que não foi planejado foi o que aconteceria com o fundo do mar depois. No pedido de licença está escrito apenas que o material será «destinado a local adequado». O local adequado não foi encontrado.

– Temos uma barcaça e temos material. A única coisa que falta é um lugar onde os dois possam se separar. Mas o clima no projeto está ótimo. Estamos muito happy, diz a gerente do projeto.

Na semana passada, a autoridade portuária mandou então a barcaça numa viagem de teste pela costa, com um metro cúbico de fundo do mar a bordo, embrulhado com carinho numa lona, para perguntar se algum dos municípios vizinhos se interessaria pelo resto.

Grimstad respondeu por escrito que já tem fundo do mar suficiente, e que o deles é de qualidade superior. Tvedestrand foi positiva, mas quis abrir consulta pública, com prazo em 2029. Em Risør, a associação de moradores esperava no cais com tochas e um parecer já redigido, que foi lido em voz alta enquanto a barcaça dava meia-volta.

Desenho de um cais ao entardecer onde vizinhos com tochas estão enfileirados. Um homem alto lê em voz alta um longo rolo de papel, uma senhora robusta está de braços cruzados e um menino segura uma tocha grande demais. Em primeiro plano a barcaça dá meia-volta com um pequeno pacote de lona, e a mulher da autoridade portuária sorri educadamente.
Risør entregou o parecer oralmente. Tinha onze páginas, e nenhuma delas era favorável. Ilustração: Gunnar Skravur. A tinta foi diluída com café (IA)

Froland disse sim na hora, mas não tem litoral, e pediu que o material fosse entregue de caminhão. Isso equivale a umas 1.400 viagens. Um engenheiro de tráfego calculou que vai levar o resto do outono e boa parte do inverno, e que Froland, na prática, vai se mudar para Arendal e voltar várias vezes por dia até o Natal.

Lá no alto das charnecas de Åmli, o pedido foi atendido por um criador de ovelhas que estava carregando pedra quando o telefone tocou.

– Pedra a gente tem de sobra. Temos pedra desde a era do gelo, e nunca pedimos nenhuma, disse o criador, e desligou.

Desenho de um criador de ovelhas magro e castigado pelo tempo numa charneca pedregosa, carregando uma pedra grande nos braços enquanto fala num telefone de parede preso a um poste. Algumas ovelhas olham indiferentes, e muros de pedra se estendem pelas colinas.
Lá em Åmli, a pedra não é um problema a ser resolvido. É um problema que se tem. Ilustração: Gunnar Skravur (IA)

O prefeito recebeu a barcaça quando ela atracou em Arendal na sexta-feira, e chamou a viagem de teste de «um sinal importante». – Arendal é uma cidade que assume a responsabilidade pelo próprio fundo do mar. Não temos do que nos envergonhar, disse o prefeito, antes de sair correndo para uma inauguração.

A bordo estava o mesmo metro cúbico que tinha partido. Ao lado dele havia mais um, com um bilhete preso na lona: «Devolver ao remetente». A autoridade portuária ainda investiga de onde ele veio.

Agora a autoridade portuária acredita ter encontrado a solução. Depois de um levantamento minucioso, descobriu-se que só existe um lugar em toda a região fundo e largo o bastante para abrigar uma barcaça com 21.000 metros cúbicos de material: o novo canal de entrada.

– É uma solução segura e boa. A gente explode, carrega e deixa a barcaça exatamente onde acabou de abrir espaço. Os navios esperam até encontrarmos outro local adequado, diz a gerente do projeto. Ela continua muito happy, mas começou a dizer isso um pouco mais baixo.

Um prático que conduz navios até Arendal há mais de trinta anos fez as contas. Quando a obra terminar, o canal vai estar mais largo e mais fundo do que nunca. Também vai estar exatamente tão apertado quanto antes, só que com uma barcaça dentro. – Mas é uma barcaça nova. Já é alguma coisa, diz o prático.

A autoridade portuária já pediu verba para alargar o canal mais um pouquinho, para caber a barcaça e os navios. O novo projeto está estimado em 21.000 metros cúbicos. O material será destinado a local adequado.

Comentários (4)

  1. Båtplasskøen_2003

    1.400 viagens a 400 coroas dão 560.000 coroas para mudar o fundo do mar de um lugar do canal para outro lugar do canal. Por esse preço eu teria uma vaga de barco. Tenho três barcos que ficariam felizes na barcaça.

  2. Wenche Olsen

    Coitadinho do metro cúbico, que viajou até Risør e foi mandado de volta com bilhete. Ele é muito bem-vindo no meu jardim. Lá vai ser muito mais bem tratado do que seria no número 14.

  3. Morgenfjøset

    Pensem no fundo do mar, que estava em paz desde a era do gelo e agora vai ser explodido às pressas. Minhas vacas ficariam uma semana sem dar leite depois de uma coisa dessas. Liguei para a autoridade portuária e pedi que explodam com um pouco de cuidado.

    1. Bjørg Terkelsen

      No meu tempo a gente não explodia o fundo do mar. A gente remava em volta dele. E as vacas davam leite não importa o que acontecesse no porto, porque sabiam que eram vacas.

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Tradução: Giovanna Kellyane dos Santos, nossa correspondente no Brasil, que não tinha nada melhor para fazer.

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